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Festival Transborda vai além da música em sua sétima edição

Festival traz feira para rua e aborda contexto político nos dias 17 e 18 de agosto

Idealizado e realizado desde 2010 pelo Coletivo Pegada, o Festival Transborda sempre esteve ligado às temáticas sociopolíticas e reforça essas pautas em sua sétima edição. A abordagem surge em resposta a um cenário de incertezas marcado por retrocessos nos campos sociais e políticos.

Ressaltando o poder transformador das artes, a 7ª edição do Transborda, um dos mais importantes festivais da capital mineira, será realizado nos dias 17 e 18 de agosto.

O primeiro dia do festival tem início a partir das 22h, nas casas A Autêntica (Rua Alagoas, 1172 – Savassi) e A Obra Bar Dançante (Rua Rio Grande do Norte, 1168 - Funcionários). Ingressos: 40R$ - Passaporte (A Obra + A Autêntica)/ Promocional - 30R$ Passaporte (A Obra + A Autêntica)/ Promocional A Autêntica: 20R$/ Ingresso na porta d'A Obra: 25R$.

 

O segundo dia do festival com programação gratuita, das 14h às 22h, será realizado no entorno do Portal da Memória e Monumento a Iemanjá, na Orla da Pampulha com shows de novos e antigos expoentes da cena independente, como Lamparina e a Primavera (MG), Alucinaciones en Familia (URU), Confeitaria (MG), Duda Beat (PE), E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante (SP), El Efecto (RJ), Fernando Motta (MG), Larissa Conforto (RJ) + Vitor Brauer (MG), Mineiros da Lua (MG), Posada e o Clã (RJ) e Sant (RJ).

O Festival Transborda é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte | Fundação Municipal de Cultura e patrocínio do Centro Universitário UNA. Realização: Coletivo Pegada | Parceria Circuito Beagá de Feiras | Apoio: Quente, Breve, 80 Bar, Xeque Mate, Jornal Hoje em Dia e Giro Cultural | Design: Jujubas | Player oficial: Spotify.

Festival de Resistência

O Transborda é hoje um dos mais importantes festivais de música independente do cenário nacional e após 6 edições já é parte do calendário cultural de Belo Horizonte. Sempre apresentando um interessante recorte do atual momento da música produzida no Brasil, a curadoria do evento reúne artistas de segmentos diversos e também de regiões diferentes do país. Uma das marcas é o seu histórico de apostas em artistas nas fases iniciais das suas carreiras, a exemplo do rapper Criolo, cujo primeiro show na capital do celebrado álbum “Nó na Orelha” aconteceu na edição 2011 do festival.

“O Transborda trouxe à cidade artistas ainda emergentes e que em pouco tempo se tornaram conhecidos nacionalmente, desafiou a crise financeira do país e das leis de incentivo, realizando a primeira edição e fez sem apoio do poder público em 2015, dentre outras atividades e iniciativas”, conta Flávio Charchar, integrante do Coletivo Pegada e um dos organizadores do Transborda.

Vanguardista, o festival já abordava a ocupação do espaço público quando este era um assunto delicado no cenário cultural local, sendo a primeira edição realizada na Praça da Estação, num tempo em que o poder público discutia se as pessoas poderiam ou não utilizar aquele espaço para atividades culturais. O engajamento, portanto, faz parte do histórico do Transborda e com a edição de 2018 não poderia ser diferente. “Diante do caos atual, fazer arte é emitir um grunhido contra a situação deste país. O Transborda resiste em prol da efervescência cultural. Mais uma vez unindo música e ações, esta edição demonstra que nossa bandeira é da cor que a gente quiser.”, pontua Charchar.

Entre as parcerias deste ano, além das casas de shows, A Autêntica e A Obra, o Transborda se une ao Circuito Beagá de Feiras, anteriormente conhecido como Dia de Feira. “Com essa parceria teremos dois palcos na Orla da Pampulha. Uma feira de produtores locais estará presente ocupando as ruas”, conclui Charchar.

Transborda retorna à Pampulha

O Transborda sempre adotou espaços diferentes para sua realização, seguindo o espírito de ocupação cultural dos espaços públicos da cidade. Em 2017 o festival ocupou a orla da Pampulha, o que acontecerá novamente na edição 2018 e essa é a primeira vez que o festival retorna ao mesmo local.

Contudo, no primeiro dia, o evento ainda ocupa o espaço das tradicionais casas da música autoral da capital mineira, A Autêntica e A Obra Bar Dançante. No sábado (18), o festival migra com programação gratuita para a orla da Lagoa da Pampulha. O local precisamente escolhido foi no entorno do Portal Iemanjá. A escultura constitui-se em elemento simbólico para os grupos sociais devotos das práticas religiosas de matriz africana.

Esculpido por José Synfronini em marmorite, o monumento foi inaugurado em 24 de abril de 1982, durante a primeira "Festa Estadual em Honra a São Jorge", numa homenagem prestada. Em 2017 a obra foi restaurada e entregue à população, reafirmando valores fundamentais para a representação das características identitárias dos povos de matriz africana.

Circuito Beagá de Feiras

O Circuito Beagá de Feiras é um desdobramento natural do projeto DIA DE FEIRA, iniciativa que tem como objetivo promover as feiras de Belo Horizonte e região, valorizando-as como aspecto fundamental na vida social e cultural da cidade. Nesse sentido, desde 2016, o projeto vem promovendo um relevante trabalho de pesquisa, registro e divulgação das feiras da RMBH e de seus expositores, bem como vem agregando a projetos selecionados da cidade uma intensa agenda de apresentações musicais gratuitas e levando consigo a cultura das feiras e da valorização da produção local.

Alguns números do projeto nesses últimos 2 anos:

90 shows realizados com artistas locais e nomes de outros estados brasileiros

30 mil pessoas atingidas diretamente pelos shows.

12 feiras contempladas com shows, em 9 bairros da capital e em Brumadinho (Inhotim).

No Festival Transborda o Circuito Assina um dos palcos, com 4 atrações musicais que compõem o lineup do festival, além de levar para a Orla da Lagoa uma feira de produtores artesanais e locais com uma curadoria especialmente pensada para o evento.

O Circuito Beagá de Feiras é realizado pela Altiplano e Ananás, em parceria com o Espaço DO AR e com as feiras de BH e conta com o patrocínio do Ministério da Cultura e do Instituto Unimed-BH, sendo viabilizado por meio do incentivo de médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH.

Programação

Realizado nos dias 17 e 18 de agosto, o festival mantém, assim como em outras ocasiões, o diálogo com alguns dos principais espaços da cena musical. O primeiro dia, 17/08 contará com atrações n’A Autêntica e n’A Obra respectivamente e, depois, no dia 18, atrações gratuitas na orla da Lagoa da Pampulha, próximo ao Portal da Memória e Monumento à Iemanjá.

17/08 -

A Obra (20h)

Larissa Conforto (RJ) + Vitor Brauer (MG),

noite traz o encontro de nomes relevantes das cenas carioca e mineira. Larissa Conforto, ex-baterista da banda Ventre, se apresenta em uma turnê especial com Vitor Brauer, vocalista e guitarrista da Lupe de Lupe.

A Autêntica (22h)

*Fernando Motta (BH)

*Posada e o Clã (RJ)

Fernando Motta, artista local e expoente do coletivo Geração Perdida, abrindo para os cariocas do Posada e o Clã, que também conta com ex-membros da extinta e aclamada banda Ventre, nome que passou pelo festival em 2016.

18/08 - 14h às 22h

Lagoa da Pampulha - entorno do Portal da Memória e Monumento à Iemanjá.

Lamparina e a Primavera (MG),

A banda Lamparina e A Primavera vem colorindo a cena autoral belo-horizontina, conquistando, aos poucos, seu espaço em um centro de cultura efervescente. Composições com forte identidade e arranjos bem trabalhados são características notáveis da banda, que, em cada bordadura, busca levar ao público uma experiência sonora única, em um show marcante. Seu primeiro EP, “Claraboia”, foi lançado em fevereiro de 2017, sendo um marco na caminhada do grupo, o qual se consolidou no cenário independente da capital mineira enquanto uma banda que reúne, em seu trabalho, influências de diversos "Pontos" da cultura popular brasileira, movimentando e trazendo uma nova proposta para a cena autoral belo horizontina. A banda lança o disco “Manda Dizer”, produzido a partir de um financiamento coletivo.

Alucinaciones en Familia (URU),

Banda da cena underground de Montevideu (Uruguai), apresenta um trabalho complexo, sonora e líricamente. Os integrantes são Dario Barrios, Chias Chouhy, Luciana Giovinazzo, Lucas Meyer, Pau O'Bianchi, Sebastian Pina, Fabrizio Rossi, Pablo Torres, Diego Zapata. Os músicos fazem parte de grupo chamado musical Esquizodelia, uma espécie de rede cooperativa de pessoas que se ajudam com todos os tipos de tarefas ligadas à produção e divulgação da música.O primeiro álbum foi lançado em 2015 e leva o nome da banda.

Confeitaria (MG)

A Confeitaria surgiu em 2015 da vontade dos músicos Gabriel Murilo (ex-Macaco Bong) e Lucas Mortimer (ex-Monograma e Grupo Porco) de criar um projeto de música instrumental baseado na improvisação e em experimentações tímbricas. Em dezembro daquele ano fizeram uma residência artística na Patagônia Argentina e criaram "Enero". Lançaram o disco em março de 2016 e desde então fizeram cerca de 40 shows em 20 cidades, incluindo os festivais Lado BA (Salvador), Liquidificador (BH), Céu Aberto (Uberlândia) e uma turnê no Sul do Brasil, Uruguai e Argentina que passou por 12 cidades. Atualmente se preparam para lançar o disco "Confins", que conta com sete músicas que remetem às fronteiras entre cidade e campo corpo e mente, paixão e ódio.

Duda Beat (PE)

Sintetizadores cremosos, graves pulsantes, beats apaixonados e muita, mas muita sofrência mesmo: tudo isso está presente no disco de estreia da cantora e compositora Duda Beat, “Sinto Muito”. Natural do Recife e radicada no Rio de Janeiro, nunca perdeu o gingado e o sotaque nordestino, mas somou a eles seu timbre forte e paixão pelos ritmos eletrônicos. Como um diário recheado de desabafos ácidos, as letras de Duda Beat dão voz a uma jovem mulher romântica que não consegue se adaptar à fluidez dos relacionamentos contemporâneos. Engana-se quem pensa que o álbum faz apologia da amargura – o lamento transformado em arte é o caminho pra a superação e o empoderamento. A mistura de gêneros musicais como o Tecnobrega, o Pop, o Axé e o Dub resultam em um álbum com personalidade, que vem para dar o tiro de misericórdia e fechar a porta na cara de quem fez por merecer.

E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante (SP),

Formado na capital paulista em 2013, o quarteto instrumental E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante vem se destacando no cenário independente nacional. O EP Vazio (2014) surpreendeu a crítica especializada por arejar um estilo que completou duas décadas naquele ano: o pós-rock.

Punk e rock alternativo dos anos 90 e 2000 também estão entre as influências de Lucas Theodoro (guitarra), Luden Viana (guitarra), Luccas Villela (baixo) e Rafael Jonke (bateria). Um EP homônimo (2013) e os singles "Luz Acesa" (2014) e "HIP 13044b" (2013) completam a discografia do grupo.

Em 2016, o sete polegadas Medo de Morrer | Medo de Tentar levou o grupo para diversos estados brasileiros incluindo Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Goiânia e Distrito Federal. Além de marcar presença nos principais palcos de São Paulo passando pelo Circuito Municipal de Cultura, Virada Cultural, Dia da Música, Mês da Cultura Independente, lançamento do vinil no CCSP Vergueiro e duas noites em unidades do SESC: SESC Pompeia (pelo projeto Prata da Casa) e SESC Consolação (projeto Instrumental Brasil) - ambos shows com lotação máxima.

Para fechar o ano, a banda foi indicada para o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) na categoria "Artista Revelação", ao lado de grandes nomes como Mahmundi e Mc Carol.

El Efecto (RJ),

Um dos principais nomes da cena independente carioca dos anos 2000, El Efecto celebra 16 anos de trajetória independente lançando seu quinto álbum de estúdio: "Memórias do Fogo", cujo lançamento em BH será no festival. O trabalho evidencia o aprofundamento do projeto da banda, e apresenta mais um caldeirão de ritmos onde se misturam a pesquisa musical e o engajamento político.

Formada em 2002, na cidade do Rio da Janeiro, El Efecto tem o ecletismo como marca do seu som. As composições são mergulhos nas mais distintas tradições e gêneros musicais, revisitados a partir de uma perspectiva contemporânea.

As letras propõem interpretações críticas das atitudes individuais e coletivas, movimentando-se entre a angústia e a esperança, o pessimismo da razão e o otimismo da luta. Não se trata de pensar a arte como um escape para as frustrações de uma vida resignada, mas sim de tomá-la como um estímulo, um ponto de partida para questionamentos e - por que não? - transformações concretas.

Mineiros da Lua (MG),

Os integrantes se juntaram a primeira vez em 2015, desde então se reúnem com frequência para explorar novas composições, tentando sempre quebrar com padrões musicais fantasiosamente impostos. A ingressão do conjunto no cenário independente de Belo Horizonte foi em 14/05/2017, em um evento produzido pelos selos Balaclava Records (SP) e Salitre Records (MG), n’A Autêntica. Desde então fazem apresentações com frequência constante em Belo Horizonte e cidades vizinhas, como Ouro Preto e Mariana. Os Mineiros da Lua possuem dois lançamentos efetuados, o primeiro EP ‘’Turbulência’’ foi lançado em Ago/2017 pelo selo belga-mineiro ‘’La Femme Qui Roule’’ e foi celebrado pela mídia especializada, por jornalistas como Marcelo Costa e Lúcio Ribeiro. Em Maio de 2018 lançaram a live session ‘’Ao Vivo no Nebula’’, com duas inéditas, que também foi repercutido em jornais virtuais.

Sant (RJ).

Sant’Clair Araújo Alves de Souza (1994), natural de Pilares, bairro da zona norte do Rio Janeiro, mais conhecido como MC Sant, é integrante do selo #VVAR. Grande promessa do rap brasileiro, MC Sant, apesar da pouca idade, é caracterizado por letras maduras e repletas de críticas sociais, que falam muito sobre uma adolescência conturbada e uma vida cheia de problemas familiares. Entrou no rap por meados de 2011, inspirado em um improviso de 10 minutos do MC Marechal, um dos seus mentores dentro do hip-hop e responsável pela criação do selo a qual Sant iniciou sua carreira e lançou O Que Separa os Homens dos Meninos Vol.I, seu primeiro trabalho de estúdio.

Foto: Elias Mast

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