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Cia paulistana Academia de Palhaços traz pela primeira vez para BH o premiado espetáculo “Adeus, Palhaços Mortos” em curta temporada gratuita no Galpão Cine Horto

A peça é baseada na obra do romeno Matei Visniec, com direção e adaptação assinadas por José Roberto Jardim; além das apresentações, o grupo oferecerá atividades formativas, como palestra e oficinas gratuitas na cidade

Formada por três jovens criadores, a Academia de Palhaços (ADP) tem 10 anos de trajetória, focando na pesquisa e na produção de espetáculos que aliam aspectos da tradição teatral com a modernidade da linguagem contemporânea. Em Belo Horizonte, eles fazem duas apresentações gratuitas do espetáculo mais recente do grupo, Adeus, Palhaços Mortos (2016), obra que marca a busca atual da companhia pelo maravilhamento estético e precisão tecnológica em suas criações. Com direção de José Roberto Jardim o espetáculo foi escolhido como um dos melhores do ano de seu lançamento pelo Guia d'O Estado de São Paulo; recebeu o prêmio Shell de Melhor Cenário; o Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Grupo e; o prêmio de Melhor Direção pela Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (Prêmio APTR). 

 

Em curta temporada na capital mineira, eles se apresentam nos dias 16 e 17 de agosto (sexta e sábado), às 20h, no Galpão Cine Horto, com entrada franca e bate-papo após o espetáculo. Os ingressos podem ser retirados pelo site sympla.com.br/galpaocinehorto  ou na bilheteria do teatro uma hora antes da sessão. Na programação, a companhia traz ainda palestra e oficinas e produz um encontro com grupos locais de teatro. Para essas atividades, que também são gratuitas, é necessário inscrição prévia pelo mesmo link do sympla.

 

Adeus, Palhaços Mortos é uma peça contemporânea e provocativa que aborda o próprio fazer artístico, o exercício infinito de reflexão sobre a resiliência do artista, a urgência da Arte e a sacralidade do ofício. Com uma história própria de superação, após terem perdido todos os materiais e equipamentos cênicos em um incêndio em 2015, a Academia dos Palhaços escolheu, não por acaso, trabalhar com esse tema. A peça marca a consolidação da parceria artística entre a companhia “Academia de Palhaços” e o diretor José Roberto Jardim, que já trabalharam juntos em diversas ocasiões e configurações, mas que pela primeira vez se encaram como elenco e diretor.

 

ADP, o encontro com a obra de Matei Visniec e a parceria com o diretor José Roberto Jardim

A Academia de Palhaços foi fundada por atores oriundos do curso de Artes Cênicas da Unicamp. Em 2019 comemora 12 anos de sua trajetória de pesquisa e produção teatral continuadas. A companhia deu início a uma investigação cênica sobre o palhaço de picadeiro brasileiro e, nos 10 espetáculos produzidos até o momento, transitou pelo universo do ator popular. Cinco desses espetáculos foram realizados sobre uma Kombi-Palco num projeto de teatro itinerante.

 

Em 2015, essa Kombi pegou fogo e teve queimados os cenários, figurinos, palco e equipamentos de som e iluminação. Diante dessa catástrofe, que reduziu anos de trabalho literalmente a cinzas, a companhia viu seu próprio fim. Dois de seus integrantes desistiram do teatro. Dispostas a seguir com o trabalho, restaram as artistas Laíza Dantas e Paula Hemsi que tiveram de lidar com o inevitável fim, assim como enfrentaram o recomeço e a mudança de ciclo. Diante da necessidade de se reinventar, convidaram o diretor José Roberto Jardim justamente no intuito de reler sua trajetória artística a partir de outras lentes. Afinal, Jardim trabalha numa perspectiva estética bastante distante da pesquisa da companhia, tendo seu olhar voltado ao teatro contemporâneo, suas performatividades (quando o ato da fala implica na realização simultânea pelo locutor), porosidades, fundamentos e raízes.

 

José Roberto Jardim respondeu ao chamado da companhia trazendo o texto “Um Trabalhinho Para Velhos Palhaços” de Matei Visniec, que trata justamente de três artistas circenses diante do fim de suas existências, de suas carreiras e da Arte. Uma metáfora perfeita para catalisar artisticamente o momento de fim/recomeço da Academia de Palhaços e seus atores.

 

Essa empreitada entre a companhia e o diretor, apoiada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, reúne também uma premiada equipe de criadores: Tiago de Mello, o diretor musical, é um dos expoentes mais profícuos da música experimental eletroacústica do Brasil; o cenário e as vídeo projeções ficaram a cargo do Coletivo BijaRi, um grupo de arquitetos, artistas plásticos e videomakers especializados em instalações e mapping. Já o figurino foi criado e desenhado pelo estilista Lino Villaventura; e o visagismo é assinado por Leopoldo Pacheco. Essa equipe e suas contribuições alçaram o projeto a novos patamares. Em cena estão os atores Laíza Dantas, Paula Hemsi e Maurício Schneider.

 

O texto original de Matei Visniec conta a história de três palhaços velhos num tom de comédia do absurdo, ao melhor estilo de seu conterrâneo Eugène Ionesco. Já a adaptação assinada pelo diretor José Roberto Jardim essencializa o texto, universalizando muitas de suas questões, deixando suas contradições mais aparentes e o transformando num ácido mergulho existencial sobre o fazer artístico. A encenação potencializa ainda mais a adaptação ao reduzir elementos, apostando no minimalismo e na essencialidade, traços marcantes da assinatura de Jardim como diretor.

 

“Cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado. São fotogramas vagando nas memórias individuais e coletivas daquela trupe circense. São vozes do passado ecoando em busca de algum sentido” diz o diretor José Roberto Jardim. O espectador, ao ser impactado pela violência dos deslocamentos espaço-temporais, é convidado a um passeio pelas questões que movem esses velhos artistas desde seu passado de glória até seu inevitável futuro. “Propusemos uma experiência sensorial que transita entre o abismo da morte e a devoção de uma vida voltada à Arte e que, portanto, mira a imortalidade”, conclui Paula Hemsi, uma das atrizes da Academia de Palhaços. 

 

Academia de Palhaços (ADP) 

Criada em 2007 a companhia pesquisou intensamente o palhaço de picadeiro brasileiro, as máscaras do ator popular e o circo-teatro. Marcando o final dessa primeira fase de existência do grupo foi realizado o projeto “O Maravilhoso Teatro Ambulante da Academia de Palhaços”: uma kombi palco que circulou pela cidade com cinco espetáculos baseados na tradição circense, todos com direção de Fernando Neves e direção de arte da ADP.  
Em 2016 inicia-se uma nova fase da ADP que deu origem ao espetáculo “Adeus, Palhaços Mortos”. Em 2017 a ADP foi contemplada pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura, uma seleção pública que tem como objetivo contemplar projetos de circulação de espetáculos teatrais não inéditos, em parceria com o Governo Federal. No último edital foram investidos R$ 15 milhões. Ao todo, foram escolhidos 57 espetáculos, representantes de todas as regiões do País, com apresentações em todos os estados. Em 2019 o espetáculo “Adeus, Palhaços Mortos” viajará para Campinas, Belo Horizonte e Florianópolis para realizar apresentações e ações formativas 

 

Adeus, Palhaços Mortos | estreia: 2016 | Duração: 60 min
Três grandes artistas circenses do passado acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, na antessala de uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido e que suas memórias, segredos, pequenezas e vilanias serão expostos. A sala de espera desse teste de casting, que nunca acontece, se revela um não-lugar onde estas três figuras se vêem condenadas a rever suas escolhas éticas e estéticas, num exercício infinito de reflexão sobre a resiliência do artista, a urgência da arte e a sacralidade do ofício.

Foto: Divulgação

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