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Produtor rural investe em agroindústria sustentável e transforma comunidade no Norte de Minas
Banco do Nordeste e Emater apoiam modernização do negócio e aumento da produtividade
O produtor rural Clodoaldo Mendes da Silva, conhecido como Toê, reside no mesmo lugar onde sempre morou durante toda a vida: uma pequena propriedade no município de São Francisco, no Norte de Minas Gerais. Lá mesmo ele implantou sua agroindústria, hoje completamente sustentável, para a produção de muçarela, que está movimentando a economia de toda a comunidade. O projeto de modernização e licenciamento do empreendimento conta com o apoio e o acompanhamento do Banco do Nordeste e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
A casa de Clodoaldo e a fábrica são vizinhas, na fazenda Riacho Fundo, a 40 quilômetros da cidade. A má qualidade da estrada de chão faz com o que o percurso seja cumprido em não menos do que uma hora e meia. O que inicialmente era uma dificuldade para que o produtor vendesse leite extraído das suas vacas em outros laticínios da região transformou-se em uma motivação a mais para empreender por ali, beneficiando o produto.
Clodoaldo usou a experiência adquirida durante anos como empregado em um laticínio de muçarela de búfala na região e começou a sua própria produção de queijo, com leite de vaca, em 2007. No começo, poucas peças, menos de dez quilos por dia. Em 2019 o número havia aumentado em mais de 50%. Com a assistência técnica da Emater e o crédito do Banco do Nordeste, atualmente o laticínio Toê saltou, em dois anos, de 15 quilos para 70 quilos de muçarela produzidos diariamente, com maiores índices de qualidade e gestão dos recursos hídricos disponíveis.
O leite utilizado não vem apenas das 12 vacas da propriedade. Clodoaldo adquire também de outros 12 pequenos pecuaristas, a maioria seus próprios parentes, que agora também não precisam mais se deslocar até a cidade para comercializarem o produto. A agroindústria ainda gera dois empregos, um deles ocupado pela irmã do empreendedor.
Modernização e licenciamento
Para conseguir o licenciamento municipal, e com ele a autorização para vender o queijo em São Francisco, Clodoaldo contou com o apoio da Emater. A coordenadora regional Fernanda Alves de Oliveira acompanhou toda a transformação do empreendimento e destaca que a agroindústria atende todas as exigências dos órgãos de inspeção sanitária.
"Já é outro negócio. A qualidade da produção melhorou, sem sombra de dúvidas. A propriedade é uma referência no uso de várias tecnologias de cunho ambiental, de reutilização de resíduos e tratamento de água. O Toê é uma semente para incentivar outros produtores, pela seriedade e pelo compromisso que tem", acredita Fernanda.
Investimento
Na busca por atender à legislação e aumentar a produtividade, Clodoaldo precisou investir em seu empreendimento. Ele buscou recursos no Banco do Nordeste, via linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e adquiriu uma máquina seladora a vácuo, um conjunto biodigestor, um sistema de tratamento de águas residuais e cinco vacas.
A seladora possibilitou dobrar o período de validade da muçarela, de um para dois meses. A partir de esterco bovino, o biogestor produz biogás que aquece água para a produção do queijo e chega também ao fogão da residência. A água que sobra da indústria escorre para uma canaleta e é tratada para ser utilizada na irrigação de culturas como mandioca e milho dentro da propriedade. "Minha relação com o Banco do Nordeste é ótima. Além de liberar o recurso, eles vêm ver o que eu estou fazendo, estão presentes no meu dia a dia", elogia o empreendedor.
Clodoaldo Mendes da Silva é atendido na agência do BNB em São Francisco. O gerente da unidade, João Álvaro Maia Júnior, o Junão, avalia que o modelo de negócio da agroindústria é inspirador para a região e que ela tem potencial para crescer muito mais. "O diferencial do Clodoaldo foi não se contentar com o comum, buscar maximizar as suas receitas com o leite, buscar conhecimento, agregar tecnologia, levar sua produção doméstica para um nível empresarial envolvendo a família no seu sonho e, consequentemente, melhorar o patamar econômico de todos os envolvidos. Os próximos passos na evolução do empreendimento devem ser os financiamentos de um sistema de geração de energia fotovoltaica, que minimizará seu custo com energia elétrica, e a instalação de internet, para possibilitar o aumento de pedidos e a informatização dos processos de gestão do negócio", adianta Junão.
As linhas de crédito do Pronaf têm como base o compromisso com o uso adequado dos recursos naturais, disseminação de tecnologias apropriadas e incentivo aos sistemas de produção de base ecológica, voltados para o apoio às atividades agropecuárias e não agropecuárias.
Até julho de 2021, o Banco do Nordeste investiu em Minas Gerais R$ 192,3 milhões com as linhas para agricultura familiar, incluindo as disponibilizadas pelo programa de microcrédito rural Agroamigo. O valor é 20,8% maior do que o aplicado no mesmo período do ano passado. Foram contratadas 33,4 mil operações no período, alta de 15,6% em relação a julho de 2020.
Foto: Divulgação
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