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Filarmônica de Minas Gerais apresenta obras da Orquestra Pré-Clássica e recebe o maestro Luís Gustavo Petri

Concerto da série “Fora de Série”, que, neste ano, destaca a história das orquestras, será transmitido ao vivo pelo canal da Filarmônica no YouTube e pela Rede Minas de Televisão

O maestro convidado Luís Gustavo Petri rege a Filarmônica em um concerto da série Fora de Série, no dia 7 de agosto, sábado, às 18h. O concerto dá continuidade ao tema da série nesta temporada, A orquestra no tempo, e apresenta obras da Orquestra pré-clássica. O repertório terá as obras Abertura Zemira, de Nunes Garcia; a Sinfonia concertante para violino e violoncelo em Lá maior de J. C. Bach, com solos do spalla em exercício da Orquestra, Rommel Fernandes, e do Principal Violoncelo, Philip Hansen; a Sinfonia nº 1 em Ré maior, G. 490 de Boccherini; Orfeu e Eurídice: Abertura, Dança dos espíritos abençoados e Dança das fúrias de Gluck; e a Sinfonia nº 7 em Dó maior, Hob. I:7, "A Tarde", de Haydn.

O concerto será transmitido ao vivo pelo canal da Filarmônica no YouTube e pela Rede Minas de Televisão. De acordo com o protocolo de segurança implementado na Sala Minas Gerais, que prevê a lotação de apenas 26% do espaço, os concertos da série Fora de Série contarão, neste momento, apenas com a presença dos assinantes, que adquiriram seus ingressos antecipadamente.

Na Temporada 2021, a série Fora de Série conta a história do desenvolvimento das orquestras ao longo do tempo, em 9 concertos que abordam: Orquestra barroca, Orquestra pré-clássica, Orquestra clássica, Orquestra romântica I, II e III, Orquestra Moderna I e II e a Orquestra contemporânea.

Este projeto é apresentado pelo Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais, Aliança Energia e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio: Rede Minas. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de MG, Governo do Estado de Minas Gerais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Luís Gustavo Petri, regente convidado

Luís Gustavo Petri criou e é o regente titular da Sinfônica de Santos desde 1994. É convidado frequente de diversas orquestras brasileiras, como a Sinfônica Brasileira, Municipal de São Paulo, da USP, de Porto Alegre, do Paraná, a Filarmônica de Manaus e a Osesp. No universo lírico, já se apresentou no Theatro São Pedro e no Theatro Municipal de São Paulo com espetáculos como Magdalena, de Villa-Lobos e La Traviata, de Verdi. Dirigiu os balés Romeu e Julieta, de Prokofiev, e O lago dos cisnes, de Tchaikovsky, com coreografia de LF Bongiovanni, ao lado do Balé e da Orquestra do Teatro Guaíra. Foi responsável pelas estreias nacionais de Violanta, de Korngold, e Uma tragédia florentina, de Zemlinsky. Em 2017, dirigiu o espetáculo RISCO – Corpo Cidade, com o Balé da Cidade de SP. Esteve à frente de orquestras na República Dominicana e em Portugal. Venceu o prêmio Bibi Ferreira, na categoria de Melhor Direção Musical (2016). Juntamente com Cleber Papa, criou o projeto Ópera Curta, que promove o conhecimento sobre a ópera e difunde o gênero pelo país.

Rommel Fernandes, violino

Rommel Fernandes é o Spalla em exercício da Filarmônica de Minas Gerais e mantém intensa atividade como recitalista e músico de câmara. Foi solista frente a diversas orquestras, incluindo a Filarmônica de Minas Gerais, a Osesp (como vencedor do concurso Jovens Solistas), Sinfônica de Campinas, Orquestra Unisinos, Orquestra Sesiminas Musicoop, Orquestra de Câmara da Unesp, Advent Chamber Orchestra e Northwestern University Chamber Orchestra. Doutor e Mestre em Música com "honra" pela Northwestern University (EUA) na classe de violino de Gerardo Ribeiro, Rommel frequentou também o Lucerne Festival Academy (Suíça) e o Tanglewood Music Center (EUA). Foi músico convidado das sinfônicas de Boston e Chicago, colaborou com o grupo Fifth House Ensemble, fez parte do corpo docente da North Park University e foi membro da Chicago Civic Orchestra. Natural de Maria da Fé (MG), Rommel iniciou seus estudos musicais no Conservatório Estadual de Pouso Alegre e obteve o Bacharelado em Violino pelo Instituto de Artes da Unesp em São Paulo, como aluno de Ayrton Pinto.

Philip Hansen, violoncelo

Violoncelo Principal da Filarmônica desde 2015, Philip é conhecido por transitar entre diversos gêneros musicais e por sua participação em projetos educacionais e comunitários. Foi embaixador do Departamento de Estado de Cultura dos Estados Unidos na Rússia e artista residente nos conservatórios centrais de Pequim e Shangai, além de membro por longa data da Académie Internationale Musicale em Provença, na França. É fundador e Diretor Artístico do Festival de Música de Câmara Quadra Island, no Canadá. Possui um álbum solo dedicado ao tango, Bragatissimo, que vem sendo tocado em rádios importantes como a NPR dos Estados Unidos e a CBC. Philip também compôs a música tema de Charlie the Cello, um livro infantil e também produção teatral de Deborah Nicholson, em que toca junto à Filarmônica de Calgary (Canadá). Sua gravação das Suítes de Bach para o violoncelo barroco está disponível nas plataformas de streaming e em CD.

Repertório

José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro, Brasil, 1767 – 1830) e a obra Abertura Zemira (1803)

José Mauricio Nunes Garcia, filho de pai e mãe alforriados, teve de enfrentar desde cedo as contradições de uma ascendência negra em Brasil escravocrata. Aos 26 anos já despontava como músico profissional, tornando-se Mestre de Capela da Sé e da Catedral do Rio de Janeiro. Com a chegada da Família Real em 1808, quando tinha apenas 31 anos, foi nomeado Mestre da Real Capela. Sua produção é hegemonicamente religiosa. Porém, há lugar também para obras de caráter secular, sempre ligadas a um viés dramático. A Abertura Zemira, composta cinco anos antes da transferência da Corte, insere-se nesse sofisticado leque. A Abertura, como gênero musical autônomo, surge na segunda metade do século XVIII. Nesse sentido, a obra de Nunes Garcia, escrita em estilo clássico, confirma a intimidade do brasileiro com a música de concerto de sua época, mesmo antes da vinda de D. João VI e companhia.

Johann Christian Bach (Leipzig, Alemanha, 1735 – Londres, Inglaterra, 1782) e a obra Sinfonia concertante para violino e violoncelo em Lá maior (1773)

O último dos quatro filhos músicos de Bach se encantou pela beleza orquestral da sinfonia concertante. Após visitas a Mannheim e Paris, cortes onde a modalidade estava em voga, ele voltou-se naturalmente para o gênero a partir de 1770. Publicada em Paris em 1775, a Sinfonia concertante para violino e violoncelo em Lá maior faz parte de um manuscrito com doze peças semelhantes e indica a influência do estilo italiano sobre o compositor. Embora sejam coesos, os dois movimentos da obra são contrastantes.

Luigi Boccherini (Lucca, Itália, 1743 – Madri, Espanha, 1805) e a obra Sinfonia nº 1 em Ré maior, G. 490 (1765)

Luigi Boccherini é o protagonista italiano da sonata vienense. Nascido em uma família de musicistas em Luca, Itália, aprendeu violoncelo com o pai, Leopoldo, e tornou-se um dos maiores violoncelistas de seu tempo. Aos 14, já era um virtuose conhecido em Viena. Como membro do Quartetto Toscano, o primeiro quarteto de cordas profissional de todos os tempos, Boccherini viajou por toda a Europa fazendo apresentações ao lado dos violinistas Filippo Manfredi e Pietro Nardini e do violista Giuseppe Cambini. Em 1767, foi ouvido pelo embaixador da Espanha em Paris, o que resultou num convite para uma residência permanente na corte espanhola, incentivado pelo príncipe Don Carlos, um violinista amador. Sob o patrocínio real, sua genialidade floresceu. Um melodista natural, ele deu ao mundo, na fronteira entre o classicismo e o romantismo, uma vasta produção musical, incluindo 33 sinfonias, 12 concertos para violoncelo e 93 quintetos para corda.

De imperturbabilidade clássica e escrita contida, sua Sinfonia nº 1 em Ré maior, G. 490 é caracterizada pela prevalência de tons quentes da trompa. Escrita em 1771 – já no período espanhol –, foi publicada em Nápoles por Luigi Marescalchi. Alguns temas encontrados no oratório Giuseppe Riconosciuto e na cantata La Confederazione dei Sabini con Roma foram usados na criação da Sinfonia nº 1.

Christoph Willibald Gluck (Berching, Alemanha, 1714 – Viena, Áustria, 1787) e a obra Orfeu e Eurídice: Abertura, Dança dos espíritos abençoados e Dança das fúrias (1762)

Durante mais de três séculos, o mito de Orfeu permaneceu como um dos temas mais recorrentes em óperas. Gluck, mais do que qualquer outro, deu novos ares ao já conhecido personagem. Diferentes versões de Orfeu e Eurídice foram produzidas, seguindo diferentes escolas operísticas e com o intuito de atender aos anseios de diferentes públicos. Criada a partir do texto do italiano Raniero de’Calzabigi, e posteriormente adaptada ao gosto e maneirismos parisienses tendo como base um libreto do francês Pierre Luis Moline, foi estreada na Opéra de Paris em 2 de agosto de 1774. Adicionada na versão para a capital francesa, a Dança dos espíritos abençoados é uma das peças fundamentais do repertório de Gluck.

Franz Joseph Haydn (Rohrau, Áustria, 1732 – Viena, Áustria, 1809) e a obra Sinfonia nº 7 em Dó maior, Hob. I:7, "A Tarde" (1761)

Enraizadas no Barroco, as três sinfonias de 1761 miram longe e apontam para o caminho que Haydn trilharia no futuro. Ao se estabelecer no palácio Esterháza, em Eisenstadt, na Áustria, como Mestre de Capela [Kapellmeister], um de seus primeiros trabalhos foi a trilogia de sinfonias, A Manhã, A Tarde e A Noite. Segundo o biógrafo Albert Christoph Dies, tanto os títulos quanto a ideia de composições sobre momentos do dia teriam sido sugestões do príncipe Paul Anton Esterházy. Haydn atuou como consultor musical antes mesmo de se estabelecer na corte e, à época de sua contratação, algumas mudanças já tinham sido efetivadas na orquestra, como a chegada de sete novos músicos de sopro. Um dos traços mais marcantes deste tríptico é, justamente, a presença contínua de instrumentos solistas, aproximando estas obras do antigo concerto grosso. A intenção era a de fazer brilhar os virtuoses perante o príncipe. Assim, essas passagens tinham o duplo propósito de apresentar ao príncipe as habilidades e ambições composicionais de Haydn e, simultaneamente, consolidar uma calorosa relação entre o diretor musical e sua nova orquestra. As rápidas notas da flauta no Finale Presto descrevem uma tempestade numa tarde de verão. A tensão do relâmpago não diminui até o último acorde.

PROGRAMA

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Série Fora de Série – Orquestra Pré-clássica

7 de agosto – 18h

Sala Minas Gerais

Luís Gustavo Petri, regente convidado

Rommel Fernandes, violino

Philip Hansen, violoncelo

NUNES GARCIA Abertura Zemira

J. C. BACH Sinfonia concertante para violino e violoncelo em Lá maior

BOCCHERINI Sinfonia nº 1 em Ré maior, G. 490

GLUCK Orfeu e Eurídice: Abertura, Dança dos espíritos abençoados e Dança das fúrias

HAYDN Sinfonia nº 7 em Dó maior, Hob. I:7, "A Tarde"

Foto: BrunaBrandao

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