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Memorial Vale recebe a mostra Retratistas do Morro

Exposição traz fotografias de retratistas tradicionais do Aglomerado da Serra feitas desde os anos 70. A mostra começa no sábado (5/8) com uma conversa com os retratistas que vem registrando o cotidiano da comunidade nas últimas décadas. Entrada gratuita

Imagens históricas, raras e inéditas produzidas por fotógrafos retratistas tradicionais há cerca de 40 anos no Aglomerado da Serra é o que traz a mostra “Retratistas do Morro”, que começa no dia 5/8 (sábado), no Memorial Vale. A exposição, que fica em cartaz até 31 de dezembro, reúne relatos e um acervo de fotografias produzidas desde o início da década de 70 até os dias atuais. Com curadoria de Guilherme Cunha e Bruno Vilela, “Retratistas do Morro” apresenta uma visão da realidade que cerca os retratistas João Mendes e o Afonso Pimenta, fotógrafos tradicionais da comunidade. No dia 5/8 (sábado), às 10h30, eles estarão no Memorial Vale para um bate-papo com o público. A entrada gratuita e sujeita a lotação.

As fotos expostas são de autoria de João Mendes, um dos fotógrafos mais antigos do morro, que desde os 12 anos de idade trabalha com o ofício da fotografia, e de Afonso Pimenta, que guarda um acervo de imagens dos moradores das diferentes comunidades do Aglomerado, desde 1981. Entre seus gestos fotográficos quase despretensiosos, voltados para o registro de uma realidade familiar e seus movimentos cotidianos acompanhando intimamente o acontecimento de casamentos, nascimentos, batizados, jogos de futebol, velórios, formaturas, bailes e construções de barracos, deixa-se transparecer as mudanças que ocorreram, ao longo do tempo, nos cenários social, político, econômico e cultural no contexto do Aglomerado da Serra, a exemplo do que é visto em várias outras comunidades pelo Brasil.

“Retratistas do Morro” revela outras versões da história das cidades e das populações de favela, contadas a partir das próprias experiências e visão de mundo de seus moradores. Ao apresentar o cotidiano do Aglomerado da Serra, a série busca contribuir para a construção coletiva de um registro sobre a dinâmica de formação da identidade cultural da população local.

RETRATISTAS

João Mendes

Nascido em Iapú, João Mendes trabalhou na roça com os país desde os 8 anos de idade e, aos 12 se mudou para Ipatinga. iniciou sua trajetória como fotógrafo quando foi chamado pelo delegado de polícia de Ipatinga para trabalhar como fotógrafo da perícia, retratando cenas de crimes e casos forenses. Em agosto de 1973, João Mendes chegou ao bairro Serra, em Belo Horizonte, onde vem trabalhando como fotógrafo há 44 anos. Apesar disso, suas primeiras imagens da região datam de 1968. Sua loja, Foto Mendes, é uma referência no local e por lá já foram fotografadas quatro gerações de moradores.

Afonso Pimenta

Em 1970, recém chegado a Belo Horizonte, o jovem Afonso Pimenta saiu de São Pedro de Suaçuí para ajudar sua madrinha com as despesas da casa na favela do Cafezal. Por falta de emprego passou uma temporada catando e vendendo esterco até ser contratado como gari pela prefeitura. A fotografia chegou a sua vida por necessidade. Como assistente do fotógrafo João Mendes, enquanto lavava as imagens já reveladas, ia aprendendo seu futuro ofício. Seu percurso como fotógrafo começou a se estabelecer quando passou a registrar os bailes de “soul” da comunidade a convite de Misael Avelino dos Santos, um dos fundadores da Rádio Favela. Desde 1980 sobrevive com a fotografia, registrando bailes, casamentos, batizados, formaturas e acontecimentos sociais na Comunidade da Serra.

CURADORES

Guilherme Cunha

Guilherme Cunha é artista visual multimídia e empreendedor cultural formado em artes plásticas pela Escola Guignard (UEMG) e Pittsate University (KS/EUA). Sua produção e pesquisas transitam por diferentes meios, atuando na interseção entre as artes visuais com outras formas de conhecimento. Foi artista residente do Atelier #3 na Casa Tomada (SP/2010), do JA.CA (BH/ 2014) e do RedBull Station (SP/2014); Foi contemplado no programa de exposições do Espaço Cultural Marcantônio Vilaça em 2015, no XIII Prêmio FUNARTE Marc Ferrez de Fotografia e foi co-idealizador do projeto que recebeu o XIV Prêmio FUNARTE Marc Ferrez de Fotografia. É co-idealizador e co-diretor do FIF BH – Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte (2013/2015/2017) (fif.art.br).

Bruno Vilela

Formado em Artes Visuais pela Escola Guignard – UEMG e em Administração pela PUC MG, trabalha como artista visual, fotógrafo, vídeo artista e coordenador de projetos. É co-idealizador e diretor do FIF BH – Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte (fif.art.br). Idealizou também e coordena os projeto Área Criativa (areacriativa.art.br), EXA – Espaço Experimental de Arte (exa.art.br), Muros: Territórios Compartilhados (muros.art.br), e foi co-idealizador do projeto que recebeu o XIV Prêmio FUNARTE Marc Ferrez de Fotografia entre outros. Trabalhou na ONG Oficina de Imagens entre 2004 e 2013 com projetos culturais e sociais (oficinadeimagens.org).

 

 

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