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Carnaval autoral em tempos pandêmicos: fruto da folia de rua de BH, Atlântica Banda lança single
Intitulada "Timbalícia", música passeia por ritmos latino-americanos e apresenta identidade do grupo, que se prepara para lançar disco de estreia em 2022
É fácil explicar o título de “Timbalícia”, primeiro single dos mineiros da Atlântica Banda: uma junção malemolente entre as palavras delícia e timbau, tambor de origem afro-brasileira, tocado com as duas mãos, cujo corpo é feito de alumínio e, a cabeça, de náilon. Popularizado no Brasil pela música baiana, nos anos 90, através de Carlinhos Brown e do grupo Timbalada, é amplamente usado, desde então, por blocos carnavalescos e bandas em outros cantos do país e do mundo. Em Belo Horizonte, começou a aparecer na folia a partir de 2013, com o surgimento de blocos dedicados aos ritmos baianos, como Então Brilha e Baianas Ozadas. Desde 2016, já tem um bloco “só seu”: a Roda de Timbau, embrião da Atlântica Banda, o que explica o amor pelo instrumento e pela música baiana, manifestados na simplicidade certeira do título. Faixa que abre os caminhos do grupo, cujo disco de estreia chega em 2022, “Timbalícia” será lançada no dia 13 de agosto, sexta-feira, nas plataformas digitais.
Ao unir palavras, ritmos e referências, “Timbalícia” evidencia a mistura de sonoridades e estéticas espalhadas pelo principal fio-condutor da Atlântica Banda: a diáspora negra. Passeio sonoro que vai de Belo Horizonte ao Mississipi, a música resulta da fusão entre a voz brilhante de Ludmilla Rodrigues, que também canta na Roda de Timbau; a pegada roqueira dos riffs de guitarra Jonatah Cardoso; as linhas de baixo envolventes de Felipe dos Santos; e a bateria inspirada de Pedro Thiago, o Petê, co-fundador Atlântica Banda e da Roda de Timbau, e um dos principais timbaleiros de BH. “A faixa traz uma rítmica baiano-cubana e uma letra muito ligada aos cortejos da Roda. Tem Bahia, mas percebe-se que está em outro local. Naturalmente, o timbau é o protagonista, mas o resultado traz a mistura musical que define nosso trabalho”, explica o músico.
De acordo com Petê, a diversidade sonora do grupo é consequência direta da movimentação rítmica que caracteriza o Carnaval de rua de BH. “A adoção do samba-reggae por alguns blocos é quase decisiva para a existência da banda, pois foi a partir daí que conheci o timbau e fui tragado pela percussão afro-americana”, conta. “Esse intercâmbio percussivo, reflexo direto da diáspora negra e sua movimentação de símbolos, sons e imagens, que foi e continua sendo muito importante para o desenvolvimento musical da cidade. No Carnaval, começou com o maracatu (outra manifestação popular do Nordeste brasileiro, típica da cultura pernambucana) e segue permanentemente aberto. Hoje, até a cumbia já é tocada pelas ruas”, ressalta o músico, que também integra a banda Orquesta Atípica de Lhamas e o bloco Cómo te Lhama?, que têm como ponto de partida o ritmo de origem surgido na Colômbia e espalhado pela América Latina.
Carnaval autoral em tempos de pandemia
Outro ponto que deu liga para a criação da Atlântica Banda foi o contato com o bloco da Roda, que sai em cortejo no Carnaval de BH, inspirado na Timbalada. “O bloco da Roda tem uma bateria vigorosa, uma pegada rock’n’roll e um posicionamento combativo e progressista. Nos conhecemos no bloco e tínhamos em comum a vontade de montar uma banda com uma formação enxuta, para compor e tocar músicas nesta linha”, diz Petê. “Com a pandemia e, consequentemente, o cancelamento do Carnaval e a impossibilidade de fazer shows, os artistas ligados a esta cena tiveram que se reinventar. Percebemos que era hora de trabalhar nosso repertório autoral, seguindo o exemplo de blocos como a própria Roda, que já lançou músicas próprias”, completa.
A partir daí, a Atlântica Banda compôs e gravou suas duas primeiras músicas “Timbalícia” e “Atlântico Negro” – que chega às plataformas digitais ainda neste ano. Ambas as faixas foram gravadas no Estúdio Motor, em Belo Horizonte, e têm produção musical assinada por Rafael Dutra. Além dos músicos da banda, a gravação contou com o reforço de Débora Costa nas percussões, nas duas canções; com Bruno Malaguti, nos teclados, em “Timbalícia”; e com Leonardo Brasilino, no trombone, em “Atlântico Negro”.
Petê ressalta que os dois singles não fazem parte do disco, que contará com oito faixas autorais, que já estão prestes a serem gravadas. Os impactos musicais do processo contínuo da diáspora negra na música brasileira contemporânea dão o tom do trabalho, cujo lançamento está previsto para o ano que vem. “As músicas do álbum expandem nossa concepção sobre o oceano sonoro pelo qual navegamos. De onde vieram os ritmos afro-americanos que nos influenciam; por quais transformações passaram durante esta jornada; como nos atravessam, hoje, e quais possibilidades apontam para o futuro”, reflete.
Atlântica Banda lança “Timbalícia”
Lançamento: dia 13 de agosto, sexta-feira, nas plataformas digitais
Foto: Rafael Freire
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