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ADRIANA CALCANHOTTO ESTREIA NOVO SHOW EM BELO HORIZONTE

Na próxima semana, dia 10 de agosto, Adriana Calcanhotto, a mais inquieta cantora e compositora da sua geração, estreia em Belo Horizonte a turnê do show “A Mulher do Pau Brasil”.

O novo show foi idealizado como ‘concerto-tese’, ou seja, uma conclusão da residência artística de Adriana Calcanhoto na Universidade de Coimbra, onde foi nomeada Embaixadora da Língua Portuguesa, no final de 2015. A imensa repercussão do show gerou uma turnê, chegando agora ao Brasil, quando percorrerá a partir de Belo Horizonte, diversas capitais.

Adriana Calcanhotto fala sobre o processo de criação do show:

Fazia música ao vivo em bares e restaurantes. Em 1986, eu desisti e vi que não era cantora de cover. Sou o oposto, eu quero me apropriar das canções. Logo em seguida, comecei a trabalhar com o Luciano Alabarse e buscamos espaços mais alternativos e de vanguarda na cidade, em Porto Alegre. Em 1987, fizemos A Mulher do Pau Brasil, que era um show para falar de Modernismo, eu lia a carta do Pero Vaz Caminha. Era uma Mulher do Pau Brasil como uma personagem que eu encarnava.

Em 2015, eu fiz o show de aniversário de 725 anos da Universidade de Coimbra. Em dezembro, eles me nomearam embaixadora da Universidade e, em 2016, me convidaram para dar aulas e poder fazer uma residência artística. Foi então que me dei conta que estava vivendo a mesma experiência de muitos brasileiros que foram estudar em Coimbra em todos esses séculos e que depois voltaram para o Brasil. E começavam a conversar com o ponto de vista de quem viu o Brasil de fora. Foi um privilégio poder ver o Brasil com esses olhos de Coimbra. Pensava, então, em José Bonifácio, nos inconfidentes, na cumplicidade de Coimbra com as ideias de independência do Brasil como Colônia de Portugal. Então pensei: “É a Mulher do Pau Brasil. Depois de tantos anos, uma volta inteira, uma elipse de anos”.

No show de despedida, eu pensei naquelas coisas e fiz este show. Era ao ar livre, então tive este formato de Power trio. Tinham algumas coisas do outro show, mas coisas que vieram depois, como o “Vamos Comer Caetano”. Quanto mais eu fico na Europa, naquele mundo erudito, do alto conhecimento, cada vez mais sou A Mulher do Pau Brasil. Acredito nesta teoria antropofágica, nas ideias do Oswald nesta linha do Modernismo. Os amigos dizem que não sabem como me chamar, se sou comendadora, professora etc. E eu digo: “não, eu sou a Mulher do Pau Brasil”. Eu vi que eu ganho lá tudo o que eu quero saber sobre aquele mundo e não perco nada aqui do meu sangue indígena. Eu sou uma mulher do Brasil, é assim que me sinto. Quando estou aqui, no Brasil, sou a embaixadora de Coimbra, sou Adriana, mas em qualquer outro lugar eu sou a Mulher do Pau Brasil.

Foto: Catarina Henriques.

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