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Espetáculo DINAMARCA, do Grupo Magiluth, chega a Belo Horizonte neste final de semana; peça inspirada em Hamlet faz reflete sobre bolhas sociais
A peça pernambucana que nasceu a partir da observação do contexto político do Brasil em 2018, se inspira no clássico de Shakespeare para criticar a alienação dos grupos privilegiados e bolhas sociais
A aclamada peça DINAMARCA, do Grupo Magiluth, chega a Belo Horizonte neste início de agosto, inspirado num dos textos mais conhecidos da dramaturgia ocidental, Hamlet, clássico de William Shakespeare. O grupo de Recife, que tem uma relação próxima com Belo Horizonte, retorna a cidade com espetáculo que tem como pano de fundo o cenário político brasileiro de 2018 e uma sociedade que fica alheia ao mundo à sua volta, confortável nas bolhas sociais. Em circulação nacional, a peça chega aos palcos do Galpão Cine Horto nos dias 04, 05, 06 de agosto, e os ingressos estão disponíveis no Sympla. Para mais informações, acesse: Grupo Magiluth (@magiluth) • Instagram.
Com DINAMARCA, nono rabalho do grupo, o Magiluth dá continuidade a pesquisa iniciada na montagem anterior “O ano em que sonhamos perigosamente” onde o grupo investigou os indivíduos inseridos num momento histórico onde mundialmente explodiram movimentos emancipatórios e se parecia que enfim os gritos das ruas levariam à mudanças. Em DINAMARCA, espetáculo que nasceu em 2018, o grupo volta o seu olhar para um recorte social que caminha alheio a tudo isso, mas não menos importante na construção desse inflamável quebra cabeças. Inspirado em Hamlet, tragédia escrita por William Shakespeare entre 1599 e 1601 que é e considerada um clássico, pois apesar da época em que foi escrita, se mantém viva, atual e traz reflexões sobre o nosso tempo. A história de Hamlet nos proporciona uma variedade de abordagens, leituras e caminhos sobre a mesma obra. Dentro dessas possibilidades, a ideia de ficcionalizar uma bolha social do reino dinamarquês nos serve como argumento para a construção de DINAMARCA.
Giordano Castro, dramaturgo responsável por DINAMARCA, explica que a ideia inicial era fazer um próprio Hamlet, já que a peça pode ser vista de diversos ângulos, sendo ao mesmo tempo sobre drama do próprio Hamlet, a relação entre aquelas figuras ou até um olhar político daquele contexto. Mas a ideia tomou outra forma quando, observando o cenário da democracia brasileira na época, a veia política falou mais alto. “Entendemos que, para além daquela bolha em que o Hamlet vive, que a história não se passa, existe um conflito político que está acontecendo para além daquilo ali. Então, talvez o que a gente pegou era tipo era esse olhar dessa bolha em que eles estavam, em como essa bolha, de alguma forma com essa bolha era possível se alienar do resto de tudo”, explica o dramaturgo.
O Magiluth é um grupo de teatro que busca estar sempre em diálogo com o momento presente, tentando fazer de seus trabalhos um recorte do seu tempo. Para isso, busca como referências, obras atemporais. Que não se esgotam em possibilidades de interpretações. É talvez esta a força maior da tragédia Shakespeariana: revelar quem somos, através dos conflitos que atormentam a cabeça do jovem príncipe. E quando somos revelados, entendemos como agimos, sendo produto e produtor da sociedade em que vivemos. Sendo assim, pensemos no planeta. Depois pensemos em um continente. Temos agora um país. Um estado dentro desse país. Uma cidade, uma sociedade, uma festa. Um grupo de amigos da mais alta nobreza reunidos à mesa. Celebram os tempos, o momento presente e o “aqui”. Dentro de seus círculos de felicidades regradas, continuam esse tipo de existência, esse tipo de vida. Onde “questões” não existem e o que mais precisam é manter o seu status quo.
Retorno a Beagá - O Magiluth tem uma forte relação com a capital mineira, sendo esta uma das localidades que mais recebeu apresentações do grupo durante sua trajetória. Isso se dá graças ao vínculo que o grupo tem com os integrantes do Espanca!, grupo de Belo Horizonte conhecido por suas apresentações de arte contemporânea, mas também por sua sede, o Teatro Espanca!, localizado próximo ao Viaduto Santa Tereza, e se configura como um espaço de fomento à arte contemporânea de BH, periférica, negra e LGBTQIAP+ da capital. “Para a gente está sendo um prazer enorme voltar para Belo Horizonte. Voltar com esse trabalho que para a gente é tão importante para nosso grupo, e voltar para o Galpão Cine Horto, que é um espaço de referência nacional em relação ao teatro de grupo”, ressalta Giordano.
Do início do processo de criação do espetáculo (outubro, 2016) até a estreia no Recife (agosto, 2017) o que era Hamlet reverberou Dinamarca com uma dramaturgia escrita por Giordano Castro. No elenco estão Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres e Mário Sergio Cabral. Pedro Wagner assina a direção da peça. O processo de DINAMARCA contou com a troca do Magiluth com Giovana Soar e Nadja Naira, ambas da Companhia Brasileira de Teatro, que estiveram no trabalho como provocadoras, além da parceria com o duo Pachka, formado pelos músicos Miguel Mendes e Tomás Brandão, que assinam o desenho de som da peça. A Direção de Arte fica a cargo do designer Guilherme Luigi.
Grupo Magiluth
Fundado em 2004 na UFPE, o Grupo Magiluth desenvolve um trabalho continuado de pesquisa e experimentação. Com sede no coração da capital pernambucana, realiza colaborativamente diversas ações nos eixos de pesquisa, criação e formação artística, em constante diálogo com o território em que está inserido. Possui em seu histórico onze espetáculos, fundamentados em princípios da criação teatral independente, de realização contínua e com intenso aprofundamento na busca pela qualidade estética. São eles: “Corra” (2007), “Ato” (2009), “1 Torto” (2010), “O Canto de Gregório” (2011), “Aquilo que o meu olhar guardou para você” (2012), “Viúva, porém Honesta” (2012), “Luiz Lua Gonzaga” (2012), “O ano em que sonhamos perigosamente” (2015), “Dinamarca” (2018), “Apenas o Fim do mundo” (2019) e Estudo N°1 Morte e Vida (2022). Em 2020 e 2021, desenvolveu três experimentos sensoriais em confinamento concebidos especificamente para o momento de suspensão social, “Tudo que coube numa VHS” (Prêmio APTR de Teatro 2021 - Melhor espetáculo inédito ao vivo ), “Todas as histórias possíveis” e “Virá”.
FICHA TÉCNICA
Direção: Pedro Wagner
Dramaturgia: Giordano Castro
Atores: Bruno Parmera
Erivaldo Oliveira
Giordano Castro
Mário Sergio Cabral
Lucas Torres
Stand in: Rafael Cavalcanti
Desenho de som: Miguel Mendes e Tomás Brandão (PACHKA)
Desenho de luz: Grupo Magiluth
Direção de Arte: Guilherme Luigi
Fotografia: Bruna Valença e Danilo Galvão
Design Gráfico: Guilherme Luigi
Técnico: Lucas Torres
Realização: Grupo Magiluth
Duração: 1h20min | Classificação: 18 anos.
SINOPSE
Vocês estão preparados para viver um momento Hygge? É algo muito simples! Como a vida que levamos... Todos estão simplesmente continuando. Reunidos à mesa celebram os tempos. E que bom que estamos vivendo o melhor momento dos nossos tempos, dos novos tempos. Poderíamos falar sobre política, mas não! Falaremos sobre coisas simples como como um beijo que devora, uma morte, um golpe de sorte. Pois essas coisas acontecem o tempo todo. Todo instante. Mas vivam esse momento Hygge! Bem-vindos à Dinamarca.
Serviço: Espetáculo Dinamarca
Data: 4, 5 e 6 de agosto de 2023
Horário: 4 e 5 de agosto às 20h e 6 de agosto às 19h
Local: Galpão Cine Horto Rua Pitangui, 3613 Horto Belo Horizonte, MG
Ingressos - via Sympla.
Classificação: 18 anos
Para mais informações, acesse: Grupo Magiluth (@magiluth) • Instagram
Foto: Raphael Malta
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