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Tropicália 50 anos: Instalação “Me Molde”, do paraibano Martinho Patrício, celebra o conceito de arte e participação no Sesc Palladium

Aberto à intervenção do público, trabalho que dialoga com a exposição “Mais Do Que Araras” fica no foyer entre os dias 8 de agosto e 17 de setembro

Celebrando os 50 anos da obra “Tropicália”, de Hélio Oiticica, o Sesc Palladium recebe uma programação de artes visuais voltada para o conceito de arte e participação. Além da exposição “Mais Do Que Araras”, outro destaque é a instalação “Me Molde”, do artista paraibano Martinho Patrício, que integra o “Projeto Desvios”. Aberta à intervenção do público, a obra fica exposta no foyer, gratuitamente, entre os dias 8 de agosto e 17 de setembro. O artista estará em Belo Horizonte para ativar a instalação junto ao público e ministrar um workshop de experimentação de processos.

Montada pela primeira vez em 2016, “Me Molde” trata-se de um conjunto de mesas desenhadas pelo artista onde o público pode participar ativamente a partir de recortes coloridos de tecido. Cada pedaço contém uma série de botões de pressão e o público pode tanto desenhar a partir de cada tecido, quanto também uni-los e fazer uma peça maior. Além da relação com o corpo do público, que se coloca ativo e cria, as peças podem se transformar em roupas e serem vestidas. A instalação vai de encontro à pesquisa de Martinho Patrício sobre as relações entre cor, tecido e o corpo participativo dos visitantes.

“‘Me Molde’ é ativado pelo público, sem ele a obra não existiria. É o espectador quem constrói o trabalho. A partir de um objeto plano e maleável, ele pode criar objeto tridimensionais”, explica Martinho Patrício, que vai ativar a instalação com o público no dia 8 de agosto. “Existe um desejo da minha parte para que os projetos sejam realizados em comunidade. Quanto maior o número de pessoas envolvidas, melhor. Mesmo quando os projetos não são participativos”, defende.

Patrício lembra que sua pesquisa guarda relação com a produção de artistas como Oiticica e Lygia Clark, entre outros tropicalistas. “No meu projeto ‘Brincar com Lygia’, apresentando na 27ª Bienal de São Paulo, que teve a curadoria de Lisette Lagnado, o público também era convidado a ativar a obra”, relembra, sublinhando outras influências. “¨Eu destacaria, também, Pedro Osmar e o Jaguaribe Carne. O sotaque e o olhar de cada lugar, suas construções, o que está deslocado. A margem”.

Se na exposição “Mais Do Que Araras” o público lidará com obras históricas que remetem à Tropicália e à geração de artistas contemporâneos de Oiticica, na instalação “Me Molde” ele terá a possibilidade de realizar uma experiência realmente aberta à participação e que pode ser lida como um eco contemporâneo da tradição estabelecida pelos tropicalistas.

Martinho Patrício

Nascido em João Pessoa, na Paraíba, o artista iniciou sua trajetória em 1990. Realizou dezenas de exposições, individuais e coletivas, no Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu de Arte Moderna de Pernambuco, Paço Imperial, Torre Malakoff, Itaú Cultural e Museu de Arte Moderna de São Paulo. Esteve na 27ª Bienal de São Paulo, na 7ª Bienal do Mercosul e, também, no 30º Panorama da Arte Brasileira.

 

Foto: Flávio Lamenha

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