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Instituto Hahaha apresenta Leituras dramáticas que resultarão no novo espetáculo do grupo, com direção de Eid Ribeiro
Trabalho discute o tema do envelhecimento ativo e parte de 32 histórias coletadas em quatro lares de idosos de Belo Horizonte. As apresentações são abertas à comunidade de Santa Tereza e ao público em geral
No dia 1º de agosto, terça, o Instituto Hahaha abre as portas de sua sede, o Ideal Clube Teatro – Escola, em Santa Tereza, para dividir com pessoas do bairro e o público belo-horizontino, as leituras dramáticas dos casos que resultarão no novo espetáculo da trupe, com estreia prevista para abril de 2024. O trabalho, que pretende abordar de forma poética o envelhecimento saudável, terá direção de Eid Ribeiro. A apresentação acontece às 19h30 com entrada franca. O projeto “Minha história virou arte” é realizado com fomento do Fundo Municipal do Idoso, com o patrocínio da Drogaria Araujo, Vale, Cemig, Abbott e apoio de Mater Dei e Supermix Concreto.
“Quando expandimos nosso trabalho de intervenções de palhaços para o público idoso em espaços vulneráveis, percebemos que estes espaços são invisíveis para a cidade e que era preciso ampliar essa visibilidade, enxergar a pessoa idosa. É um tema que nos toca muito. Percebemos a importância da pessoa idosa estar no centro da discussão. Em breve, BH será a capital brasileira com maior número de idosos. E, portanto, a urgência de olhar com atenção para a vida dessas pessoas e ver que precisam virar arte, virar informação. São memórias maravilhosas e acúmulos dramatúrgicos incríveis”, adianta o palhaço Eliseu Custódio, co-fundador do Instituto Hahaha.
Desde quando o projeto “Minha história virou arte” começou, há 8 meses, uma dupla de palhaços do Instituto Hahaha faz visitas semanais a 123 idosos, em 4 Instituições públicas de Longa Permanência para Idosos (ILPI’s) de Belo Horizonte: Lar Padre Leopoldo Mertens da Sociedade São Vicente de Paula, Centro Geriátrico Lar Cristo Rei, Lar Frei Zacarias e Conselho Particular Nossa Senhora da Abadia da Sociedade São Vicente de Paula. “Nesta primeira etapa a proposta foi gerar vínculos e um ambiente de confiança para que os idosos quisessem se abrir e se manifestar”, diz.
Segundo o artista, a presença do palhaço facilita o acesso às memórias afetivas. “Este ser “encantado” com elementos lúdicos, instrumento musical, ativa no idoso uma memória imagética, plástica. Provoca nele a vontade de falar. Só de estarmos presentes, respirando e rindo junto com o idoso, a gente já propicia uma forma de envelhecer saudável”, garante. A palhaça, co-fundadora do Instituto, Gyuliana Duarte destaca também a importância do acesso à cultura e à arte pela pessoa idosa. “Além de ser um direito, este acesso potencializa o lado saudável, a vitalidade, o resgate das lembranças e das tradições, o alimento de vida para um futuro com alegria e afeto”, afirma.
De lá para cá, foram selecionadas para o projeto Minha história virou arte cerca de 32 histórias que ainda serão trabalhadas dramaturgicamente e transformadas em quatro cenas a serem apresentadas nos lares de idosos e na sede da companhia. “É aí que nosso diretor Eid começa a entrar em ação, para dirigir as esquetes e colaborar com os textos. A ideia é sentir os idosos e o público. Depois vamos para a sala de ensaio, nos debruçarmos sobre essas experiências e, aí sim, partimos para a criação do espetáculo”, contextualiza.
O convite a Eid Ribeiro, que este ano completou 80 anos, foi um processo natural, conta Eliseu. “Eid é uma presença, um dramaturgo e diretor que faz parte da história do teatro de Belo Horizonte e do Brasil e de muita memória. Dirigiu espetáculos inspiradores e provocadores com sua expressão e linguagem únicas”, destaca Eliseu. O artista acrescenta que “Eid tem um amor e admiração pelo palhaço. Será rico o encontro do Hahaha com Eid, iremos ganhar amadurecimento e graduação nessa visão de palhaçaria, bem eidiana, que é do circo da cidade pequena, das memórias do terreiro, das ruas, o clown Beckettiano, a repetição, a densidade dramática. É uma memória que dialoga com essas histórias que estamos coletando. Estamos fazendo com Eid uma conexão de legados”, diz.
A escolha de fazer a leitura dramática na sede da companhia não foi por acaso. “Estamos sempre de portas abertas para a comunidade, desde o entra e sai de palhaços, quando fazemos os atendimentos nos hospitais, até o processo de criação, ensaios e apresentações”, conta Eliseu. Segundo o artista, esses encontros funcionam como termômetro. “Conseguimos perceber onde o público fica mais atento ou tem mais interesse pela peça. Também estamos curiosos para ver como vai reverberar essa temática do idoso”, conta.
Além de contribuir com o espetáculo, dividir com a comunidade significa, para o Instituto Hahaha, continuar o fio de uma história de um espaço cultural que fez muita arte. “Nossa sede é um lugar muito especial, acolheu no passado apresentações artísticas, em uma época de grande efervescência cultural em Belo Horizonte. Já foi palco para o teatro amador até grandes nomes como Procópio Ferreira. Abrir para o público e resgatar essa memória de um espaço de arte e cultura é de grande responsabilidade e importância histórica para a cidade e confirma que estamos no caminho certo. Um centro cultural deve existir para que as pessoas possam usufruir, seja desenvolvendo habilidades ou fruição artísticas”, afirma Eliseu.
SERVIÇO: Ensaios abertos do novo espetáculo do Instituto Hahaha
Direção: Eid Ribeiro
1º de agosto, terça – às 19h30 – no Ideal Clube Teatro Escola - Sede do Instituto Hahaha
Local: Rua Estrela do Sul, 126 – Santa Tereza (distribuição de senhas 1 hora antes da sessão)
Foto: Carol Reis
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