Notícias
A companhia brasileira de teatro chega em agosto ao Teatro SESIMINAS em BH para apresentar dois espetáculos: "Sem Palavras" e "Descartes com lentes", um solo de Nadja Naira
Confira a programação
O novo espetáculo da companhia brasileira de teatro tem direção e texto de Marcio Abreu. Com música ao vivo executada por Felipe Storino, Sem Palavras tem em seu elenco Fábio Osório Monteiro, Giovana Soar, Kauê Persona, Kenia Dias, Key Sawao, Rafael Bacelar, Viní Ventanía Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza.
Sobre a dramaturgia, Marcio Abreu a localiza no tempo e espaço: “o texto de Sem Palavras foi escrito em um processo bastante singular, que foi atravessado por essa pandemia e pelo distanciamento da sala de ensaio. Essa experiência influencia bastante na linguagem do espetáculo e eu quis que isso acontecesse, assim o texto tem essa relação com o real. Ele responde também às condições do mundo e do país e é um gesto artístico de reação a tudo isso”, diz Marcio Abreu.
Sem Palavras flagra os deslocamentos e travessias que ocorrem durante um dia ao redor de um apartamento. Oito pessoas de diferentes corpos, imagens sociais, referências, histórias de vida e mundos imaginados passam por ali e são a base para reflexões sobre a palavra e também sua ausência, já que o espetáculo aposta em visualidades que comunicam ao público sem uso da linguagem textual. São múltiplas personalidades que podem (ou não) habitar um mesmo espaço, um mesmo corpo.
A criação do Sem Palavras evidencia um tempo em que as palavras não dão mais conta, quando elas são insuficientes para refletir os acontecimentos em sua velocidade desmedida, quando reivindicam sua dimensão política e poética, quando querem reverberar não como lugar de poder, mas como corpo íntegro e permeável na sociedade, quando querem ativar a escuta e conviver com outras palavras, com outros corpos.
"Fica evidente que a história do Brasil é criada também pelas palavras que não foram ditas ou que não são escutadas. A língua é um lugar que se habita, a linguagem é um território de existência. Entender um Brasil como um país formado por muitas histórias que não foram contadas mostra como reivindicar a palavra é algo urgente", diz Marcio Abreu. Para ele, um dos maiores desafios impostos pela peça foi contextualizá-la neste lugar em que as cenas faladas e as sem palavras tivessem impacto e uma pesquisa dramatúrgica ampla. "Fazer essa separação de texto e dramaturgia foi muito importante no nosso processo. Trata-se de uma escolha ética, estética e política", completa.
A atual montagem, junto com PROJETO BRASIL e PRETO, compõe uma espécie de trilogia feita pela companhia para refletir territórios em que palavra e corpo são elementos indissociáveis, que usam da dinâmica da interação entre linguagens diversas e abordam temas ligados aos pensamentos decoloniais e às urgentes e vertiginosas transformações das sociedades contemporâneas.
Trajetória
Sem Palavras fez uma temporada de 20 sessões no Sesc Pompeia, em SP, 2 sessões na Ocupação Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, do Sesc SP, 4 sessões no Itaú Cultural em SP, 2 sessões no Festival Cena Contemporânea em Brasília/DF, 02 sessão no Festival de Teatro de Curitiba, 06 ensaios abertos no Teatro Oi Futuro e 12 sessões no Teatro Firjan SESI Centro, ambos no Rio de Janeiro/RJ. Antes, a peça esteve em turnê na França (no Thèâtre Bernard-Marie Koltès pelo PASSAGES TransFestival, em Metz, e no Parvis Saint-Jean pelo CDN Dijon Bourgogne, em Dijon) e na Alemanha (no Künstlerhaus Mousonturm, em Frankfurt); e realizou uma série de atividades online e presenciais de seu processo no Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro.
Por Sem Palavras, Marcio Abreu e Nadja Naira ganharam os Prêmio Shell e APTR de Teatro 2023 de Melhor Dramaturgia. A obra ainda foi indicada às seguintes categorias: Prêmio Shell - Melhor Direção (Marcio Abreu), Melhor Atriz (Vini Ventania Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza), Melhor Ator (Fábio Osório Monteiro); Prêmio APTR - Melhor Direção (Marcio Abreu), Melhor Direção de Movimento (Kenia Dias) e Melhor Espetáculo. A peça está indicada ao Prêmio Cesgranrio de Teatro 2023 (resultados em julho) de Melhor Texto e Melhor Direção (Marcio Abreu), Melhor Espetáculo, Melhor Elenco e Prêmio Especial pela Direção de Movimento (Kenia Dias).
SINOPSE
Sem Palavras
A partir de corpos diversos, Sem Palavras propõe uma reinvenção da linguagem - misturando teatro, dança, música e performance - para dar conta dos velozes acontecimentos contemporâneos, com histórias de amor, de violência, de consumo, de corpos em transição, entre outros.
SERVIÇO: Sem Palavras
Teatro SESIMINAS (Rua Padre Marinho, 60 - Santa Efigênia, Belo Horizonte - MG)
Dias 3 e 4 de agosto de 2023
Quinta e sexta-feira, às 20h
Ingressos pela Sympla ou na bilheteria do teatro:
Setor 1 e 2: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Setor 3: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Classificação indicativa: 18 anos.
Duração: 110 minutos
Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.
Assista ao documentário "Travessias" de Clara Cavour e Marcio Abreu sobre a criação do espetáculo em:
https://www.youtube.com/watch?v=BW8Tbsf6FUA&t=1163s
Assista ao documentário "Antes de Tudo" da companhia brasileira de teatro sobre o processo de criação dos 3 espetáculos: Projeto bRASIL, PRETO e Sem Palavras: https://www.youtube.com/watch?v=OG2czAhxctM&t=151s
FICHA TÉCNICA: Sem Palavras
Direção e Texto: Marcio Abreu
Dramaturgia: Marcio Abreu e Nadja Naira
Elenco: Fábio Osório Monteiro, Giovana Soar, Kauê Persona, Kenia Dias, Key Sawao, Rafael Bacelar, Viní Ventania Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza
Direção de produção e administração: José Maria e Cássia Damasceno
Iluminação e assistência de direção: Nadja Naira
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Felipe Storino
Direção de Movimento: Kenia Dias
Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura
Figurinos: Luiz Cláudio Silva| Apartamento 03
Co-Produção no RJ: Miriam Juvino e Valéria Luna
Vídeos | instalação "Antes de tudo": Batman Zavareze
Captação e edição dos vídeos | instalação "Antes de tudo": João Oliveira
Fotos: Nana Moraes
Programação visual: Pablito Kucarz
Captação de imagens do espetáculo: Clara Cavour
Teaser - criação e edição: Aristeu Araújo
Colaboração artística: Cássia Damasceno, Grace Passô, Helena Vieira, José Maria e Rodrigo Bolzan
Técnico de Palco e luz: Ricardo Barbosa e Giu Del Penho
Técnico de som: Chico Santarosa e Luan Casado
Distribuição Internacional: PLAN B – Creative Agency for Performing Arts
Uma produção da companhia brasileira de teatro
Em co-produção com Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt am Main/GE, Théâtre Dijon Bourgogne – Centre Dramatique National/FR, A Gente Se Fala Produções Artísticas – Rio de Janeiro/BR, Passages Transfestival Metz/FR.
Realização: SESI, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Ministério da Cultura
Patrocínio: Cedro Mineração.
Descartes com Lentes
O exercício cênico Descartes com Lentes, criado pela companhia brasileira de teatro em 2009, traz à cena um conto do escritor Paulo Leminski interpretado por Nadja Naira e dirigido por Marcio Abreu, um dos criadores do grupo.
No texto, Leminski imagina uma hipotética vinda do filósofo francês René Descartes ao Brasil a convite do conde Maurício de Nassau. Junto com sua comitiva, repleta de cientistas, naturalistas, desenhistas e pintores, Descartes tenta desvendar e descrever as excentricidades e belezas do país tropical, ou seja, procura filosofar sobre o Brasil e o modo de vida do seu povo.
Descartes com Lentes é um conto escrito por Leminski em sua juventude e é também uma estrutura embrionária do que viria a ser Catatau, uma de suas obras-primas. “O texto é carregado de referências a outras línguas brasileiras, neologismos e uma poética de invenção que torna sua leitura algo essencial nos dias de hoje, já que o Brasil fica posto em primeiro plano como uma potência criativa e fundadora”, diz Marcio Abreu.
A vinda fictícia do filósofo René Descartes ao nordeste no Brasil no período que essa região foi invadida pela Holanda tensiona a ideia de que a Europa é a raiz do pensamento humano, já que o filósofo se vê tomado pelas novas perspectivas vislumbradas no Brasil. “Ele não consegue pensar a partir das referências que tinha antes - os pensares e saberes locais o devoram e o convencem”, conta o diretor.
A adaptação cênica da companhia brasileira de teatro faz parte de uma série de estudos que foram realizados acerca da obra do poeta curitibano. Marcio complementa que, durante esse processo, a oralidade proposta pelo texto de Leminski ganhou total sentido quando vivida pelo corpo da atriz Nadja Naira.
SINOPSE
Um fluxo de linguagem, que reinventa a língua. Uma construção literária que imagina a vinda do filósofo René Descartes para o Brasil na caravana de Mauricio de Nassau. O confronto entre as prerrogativas do pensamento cartesiano e outras formas do saber, baseadas nos fluxos exuberantes da terra brasilis. Um solo com a atriz Nadja Naira, que percorre os acidentes narrativos desse texto de juventude do poeta-farol Paulo Leminski.
Escrito no final da década de 1960, o texto é considerado o embrião gerador de Catatau, a obra mítica do poeta curitibano.
FICHA TÉCNICA
Texto: Paulo Leminski
Direção: Marcio Abreu
Elenco: Nadja Naira
Operador de luz: Ricardo Barbosa
Direção de produção: José Maria e Cássia Damasceno
Criação e produção: companhia brasileira de teatro
Realização: SESI, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Ministério da Cultura
Patrocínio: Cedro Mineração.
SERVIÇO: Descartes com lentes
Onde: Teatro de Bolso SESIMINAS (Rua Padre Marinho, 60 - Santa Efigênia, Belo Horizonte - MG)
Dias 5 e 6 de agosto de 2023
Sábado, às 20h; domingo, às 19h.
Ingressos pela Sympla ou na bilheteria do Teatro:
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação indicativa: 18 anos.
Duração: 80 minutos – exibição + bate-papo
Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.
Foto: Nana Moraes
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
