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Breve Cia apresenta “ABismo”, o espetáculo inédito é um manifesto artístico que revela poesia, sonhos, memórias e vivências LGBTQIA+ negra

Estreia acontece na próxima sexta, 28, no Teatro Francisco NuneS com apresentações até o domingo, 30

O espetáculo ABismo, que tem dramaturgia e interpretação de Amora Tito, artista trans não binarie negra, leva para o palco do Teatro Francisco Nunes, nos dias 28, 29 e 30 de julho,  a vivência e o protagonismo de personagens que, comumente, são silenciados e reduzidos a estatísticas de violência. Inspirado em “Escrevivências” de Conceição Evaristo, pensamentos de Leda Maria Martins e também elementos da cultura Ballroom, a narrativa constrói possibilidades de  amores e realidades permeadas por memórias, sonhos e aspirações de vida; Ingressos estão disponíveis no Sympla à partir de R$15

Arte e  ativismo fazem parte de “ABismo”, espetáculo escrito e interpretado por Amora Tito. Com inspiração na cultura Ballroom, aborda questões diretamente ligadas aos atravessamentos da corpa de uma pessoa transexual em uma sociedade transfóbica e racista. O espetáculo é um manifesto artístico que transcende as estatísticas e traz à luz a vida de uma corpa transexual que se esforça para sobreviver em meio às violências e prazeres que a atravessam. A obra mergulha nas encruzilhadas da identidade, questionando quem somos em meio às múltiplas versões de nós mesmos que se entrelaçam ao longo da vida. Com estreia no dia 28, o espetáculo ainda terá apresentações até o dia 30, no Teatro Francisco Nunes. Os ingressos podem ser retirados no Sympla. “ABismo” é uma obra que ultrapassa os limites do palco e se torna um manifesto pela valorização da arte e das pesquisas realizadas por pessoas trans negras. Com um olhar poético e sensível, a peça convida o público a refletir e questionar a sociedade e a si mesmo. Sob a direção de Anair Patrícia e Eli Nunes, a temporada de circulação de “ABismo” começa nos palcos do renomado Teatro Francisco Nunes, nos dias 28 e 29 de julho às 20h30, com uma sessão adicional no domingo (30), às 19h30. Demais informações estão disponíveis no Instagram https://www.instagram.com/brevecia/.

“ABismo” nasce do desejo de transcender e ressignificar histórias e memórias de corpas trans valorizando a arte produzida por essas comunidades, rompendo com estereótipos e promovendo diálogos e trocas construtivas além de as denunciar violências sofridas pela comunidade trans negra. A iniciativa também apresenta o compromisso de levar uma equipe composta, em sua maioria, por pessoas LGBTQIA+, ao prestigiado Teatro Francisco Nunes. Para a Breve Cia, representa uma oportunidade de demonstrar que essas corporalidades também são produtoras e construtoras de experiências fundamentais para a evolução da sociedade. “A ideia é pensar a realidade fora do olhar branco cisgênero, em uma fuga dos estereótipos e monstros que foram inventados por essa sociedade a fim de chegar a uma realidade em que se possa ter outras utopias, em um cenário de amor transcentrado”, reforça Amora.

Eli Nunes, que assina maquiagem, direção e também a preparação corporal, conta que o histórico do espetáculo e de sua preparação traz investigações de  linguagens corporais do Vogue que vem do universo da Ballroom associados à aspectos ancestrais  de linguagens que antecedem antecedem corpos negros no Brasil. “Ballroom é uma linguagem de dança performativa, que vem ganhando muito espaço, em especial no Pop. Uma dança que surgiu nos EUA nos anos 80 com as femiqueen, como eram chamadas as travestis na época. A gente trouxe a bagagem da Amora na capoeira para conectar essas linguagens ancestrais através da herança do corpo e do movimento”. Eli ainda conta que organizar estes elementos à forma de Amora escrever o texto foi um processo interessante. “Ela nomeia de dramaturginga, de pedagoginga que é a maneira de inserir possibilidades dentro de um cenário social em que nossos corpos não são contemplados, vistos e ouvidos”.

Com base em vivências e aspirações de novas realidades, “ABismo” tem o sonho como elemento primordial. Desejos e aspirações em vida, e também no plano do etéreo, se misturam no adormecer e o que é estar acordado.  Com isso, figurino e cenário, ao mesmo tempo que se apresentam como um quarto com cama, roupa de dormir, apresentam-se também como elementos de uma festa.  Amora Tito explica que isso evidencia o debate acerca das possibilidades de realização da corpa em sua jornada terrena, aquela que se move e constantemente transforma seu próprio espaço - o sonhado e o real. “Corpas trans negras produzem poesia, dramaturgia, teatro e o que mais eles quiserem, para isso se faz necessário espaço, investimento em políticas públicas e valorização de suas pesquisas”. 

Teatro negro  - A Breve Cia acredita que o teatro negro tem um papel fundamental na construção social. Amora Tito explica que as criações do grupo transpõem, dão vazão e ecoam vozes que são silenciadas e muitas vezes reduzidas a números percentuais em estatísticas de violência. “Por meio da encenação de textos autorais baseados em histórias reais, nosso espetáculo transforma essa estatística em um personagem com nome e sobrenome que narra suas próprias histórias e memórias, um modo de resistir e denunciar o silenciamento, invisibilidade e apagamento histórico que a população negra é submetida, ressignificando e reinventando o banzo, dores e angústias”. Durante o processo de concepção do espetáculo, a contribuição poética de Conceição Evaristo com seu conceito das “Escrevivências” fez toda a diferença. O termo "escrevivências", cunhado pela escritora, expressa a ideia de que a escrita é uma forma de ecoar vozes e dar visibilidade às experiências vividas, especialmente aquelas que foram historicamente marginalizadas e silenciadas.

Sobre Amora Tito - é uma artista trans não binarie negra que investiga as dramaturgias contemporâneas por meio das Escrevivências, conceito cunhado pela escritora negra Conceição Evaristo.

Sobre a Breve Cia - Composta por Amora Tito, Anair Patrícia e Renata Paz, fundada em 2016 desenvolve pesquisas teatrais, tanto cênicas, quanto pedagógicas por meio de poéticas, estéticas e pedagogias negrorreferenciadas para a emancipação de corpos/as e narrativas dissidentes.

Sinopse: Encontro em uma encruzilhada todas que EU sou, todas que EU fui, todas que EU serei .Quem sou EU agora?

Ficha técnica: 
Atuação e dramaturgia: Amora Tito
Direção: Anair Patrícia e Eli Nunes
Produção: Mexerica Cultural (Kelli Oliveira)
Iluminação: Gato de Luz (Régelles Queiroz)
Preparação vocal: Michele Bernardino
Preparação corporal: Eli Nunes
Figurino: Kellé
Arte visual: vidra
Trilha Sonora: Manu Ranilla
Cenário: Anair Patrícia

Serralheiros: Carlos Alves e Helbert Gomes
Workshop de efeitos sonoros: Débora Costa
Workshop de maquiagem: Eli Nunes
Fotografia: Lírio Santos e Silva
Assessoria de comunicação: Mexerica Cultural (Luciana Assunção)
Financeiro: Tereza Assunção
Apoio: Espaço Aberto Pierrot Lunar
Assessoria de imprensa: Fortalecência Assessoria

SERVIÇO

O QUE: Espetáculo ABismo
QUANDO: 28 e 29 de Julho às 20h30, Domingo (30) às 19h30
ONDE: Teatro Francisco Nunes (Av. Afonso Pena, 1321 - Centro, Belo Horizonte - dentro do Parque Municipal)
INGRESSSOS: Retirada de ingressos no Sympla https://bileto.sympla.com.br/event/82565/d/192957/s/1300821

Demais informações estão disponíveis no Instagram https://www.instagram.com/brevecia/.

Foto: Lírio Santose Silva

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