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Galeria virtual multimídia “Centennials” combina fotografias, áudios, vídeos, desenhos e poesia

O mais recente trabalho da fotógrafa mineira Márcia Charnizon poderá ser visto a partir de 08 de agosto no link www.centennialsmarciacharnizon.com.br

Mudanças vertiginosas de paradigmas estão em andamento. Se por um lado provocam desconstruções diárias, por outro, acontecem reações violentas para conter essas desconstruções, que abalam estruturas milenares de poder. 

Na galeria virtual multimídia "Centennials", que será lançada no dia 08 de agosto e poderá ser visitada pelo link http://www.centennialsmarciacharnizon.com.br, a fotógrafa mineira Márcia Charnizon propõe um encontro com limiares múltiplos, com pessoas entre 16 e 19 anos, que cresceram com a cibercultura e não conheceram o mundo sem internet. Trata-se da primeira geração que teve a adolescência atravessada pela pressão e a ambiguidade da expressão das redes sociais e que está crescendo num tempo de colapso do edificio binário: homem X mulher, feminino X masculino/heterossexual X homossexual. 

Conforme explica Márcia, neste projeto “escutei e fotografei adolescentes de realidades diversas, (mulheres cis/ transgênero e pessoas não binárias) que desde muito cedo tem a vivência marcada por estarem na contramão de padrões ditados pela nossa sociedade, seja através do corpo, de questões da sexualidade, gênero, raça, relações familiares ou tudo isso junto”. 

Em “Centennials” a artista busca dar visibilidade para esses corpos e suas coreografias, tatuagens, músicas, grafites e poesias, as cores dos seus cabelos e seus piercings. E fazer ouvir palavras que desconhecemos, gírias incompreensíveis e realidades que não eram nomeadas. “Presto atenção nos processos de subjetivação dos adolescentes para pensar não somente o devir desses jovens, mas, também o meu próprio - o nosso. Enquanto eles se transformam, eu quero ver em quem eu me transformo”, ressalta a fotógrafa.

Para esse jardim de dualidades e indefinições que é “Centennials”, Márcia Charnizon criou retratos que surgem ao lado do que seria o oposto de alguma representação – gifs animados em pixels (quase) indefinidos que tornam-se a própria performance. O trabalho reúne pedaços de imagens desconstruídas que se movimentam num fluxo contínuo e retratos que nos encaram. Os visitantes da galeria virtual serão embalados pelas vozes adolescentes, que, como protagonistas de suas próprias histórias, nos lembram sobre o devir como estado constante.

Segundo Márcia, “nesse processo de rompimento e reinvenção, para além de somente querer lidar com as transformações que estão acontecendo naqueles corpos, esse movimento proporciona um encontro com as transmutações do tecido social do nosso tempo”. 

De acordo com a artista, “o projeto nasceu a partir da entrada dos meus filhos na adolescência, com o meu medo do desconhecido, o encantamento e a curiosidade provocando uma enxurrada de sensações e desconstruções. Parti em busca das conexões e relações que afetam a experiência de viver, para conseguir me reconstruir sobre ruínas”.

A fotógrafa espera que, a partir dos sentimentos e questionamentos suscitados pela galeria virtual multimídia ‘Centennials’, “consiga contribuir para ampliar as vozes dessas pessoas que, com seus corpos e suas palavras, nos fazem repensar sobre a pluralidade e a diversidade da vida. E promover o encontro com jovens que nos ensinam diariamente que a necessidade de ruptura e reinvenção deveriam nos acompanhar por toda a vida, e não ser privilégio da adolescência”. 

A  galeria virtual multimídia “Centennials” conta com acessibilidade em libras e descrições. O projeto foi viabilizado com o apoio do Ministério do Turismo e do Governo de Minas Gerais, por meio de edital da Lei Aldir Blanc.

Centennials - Ficha Técnica:

Criação, pesquisa, fotografia, produção e desenho do site  – Márcia Charnizon

Trilha e efeitos sonoros –  uai, pepo

Assistente de produção – Pedro Moreira

Desenvolvimento do site – Paula Oliveira

Interpretação em libras e descrições – Marcella Sousa

Márcia Charnizon

Márcia Charnizon é natural de Belo Horizonte e graduada em Comunicação Social pela PUC-MG. Começou a fotografar em 1983, combinando práticas artísticas diversas (fotografia, vídeo, escrita e arte sonora). 

Tem uma especial atuação no campo da criação de memória e a produção de novos sentidos com a fotografia documental de família, com trabalhos reconhecidos no Prix de la Photographie Paris, de 2009 a 2011. E seu livro “Memorabília da Casa do Azevedo” recebeu o XIII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, em 2013.

A artista se interessa pelas forças afetivas, o movimento que elas provocam e como isso dialoga com questões da vida contemporânea. A imagem, para ela, é sempre uma construção junto à pessoa fotografada com a escuta de histórias , dores e desejos mais íntimos. Márcia acredita que a potência do seu trabalho acontece dentro do espaço da intimidade, espaço que de fato a interessa.

“Em Bolhas” e “Caça às Palavras” são seus projetos mais recentes. “Em Bolhas”, realizado em 2019 e 2020, e apresentado no Memorial da América Latina – Uma Janela para a América Latina–SP e na Fotodemic - NY/EUA, aborda as bolhas sociais e a mutação desse signo após a pandemia Covid-19. E “Caça às Palavras”, lançado em outubro de 2020, expressa através de imagens os discursos invisibilizados de violência contra a mulher. Foi apresentado na Revista de Fotografia Latinoamericana-Ampolleta Roja e no FestfotoPoa -Porto Alegre/RS, sendo finalista da convocatória Nuvens de Silêncio.

Serviço:

Galeria virtual multimídia “Centennials”, da fotógrafa Márcia Charnizon

Lançamento, dia 08 de agosto.

Acessível pelo link http://www.centennialsmarciacharnizon.com.br

Disponível em em libras e descrições.

Foto: Arquivo/Youtube

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