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Com direção de MORENA NASCIMENTO, Cia. de Dança Palácio das Artes estreia lalangue: carta à mãe, um manifesto inspirado no feminino

A Cia. de Dança Palácio das Artes apresenta sua nova montagem: lalangue: carta à mãe. Com direção de Morena Nascimento, a coreografia se estrutura a partir de um processo de pesquisa que tem as inquietações femininas sobre as relações e o mundo atual como ponto de partida para a criação dos bailarinos, coautores desse novo espetáculo.

lalangue: carta à mãe é uma montagem colaborativa que propõe um olhar para o feminino como tema central da criação. A partir de um processo de investigação que durou aproximadamente dois meses, o grupo, formado por 16 artistas, criou uma coreografia que tem como base os diferentes manifestos artísticos que podem surgir a partir de uma visão universal do feminino.

A expressão que dá nome à montagem indica as referências que permeiam esse novo trabalho da CDPA. Na psicanálise, lalangue é um termo em francês que determina as primeiras tentativas de comunicação não organizada e não estruturada entre um bebê e sua mãe ou, em sentido mais amplo, trata-se do saber inconsciente, aquele que, segundo Lacan, escapa do ser falante e, portanto, sabe-se sem saber; aquele que marca o corpo (daí a linguagem não dar conta dele) com significantes, sem a mediação da significação. A partir dessa ideia, os bailarinos iniciaram suas pesquisas, ora desconstruindo conceitos pré-estabelecidos, ora buscando referências afetivas para a composição do trabalho.

Cada bailarino escreveu uma carta para sua mãe, em um idioma inventado, uma referência ao conceito de lalangue. Haverá também alguns solos em que os bailarinos dançam as palavras que dedicaram às suas mães. A partir desses primeiros exercícios, os gestos e movimentos foram sendo elaborados, de forma individual, até que todo o grupo encontrasse pontos em comum para finalizar a coreografia.

Para a diretora, Morena Nascimento, a criação desse espetáculo parte de um desejo de reinventar uma linguagem para o corpo e suas relações com o espaço, com os outros, com a própria mãe entre outros detalhes. “Eu propus aos bailarinos que fizessem o exercício de imaginar o mundo regido por outras leis, leis do feminino”, explica Morena.

A diretora levantou algumas questões que ajudaram na criação coreográfica de lalangue: carta à mãe, com a proposta de trabalhar gestualidades que entrassem em sintonia com o espetáculo. No processo criativo, o coletivo se deparou com algumas provocações da diretora, entre elas: Quais as urgências do corpo hoje? O que podemos produzir a partir da dor? Intuição é uma forma de raciocínio? Quem é minha mãe e qual relação estabeleço com ela? O que é minha primeira referência de feminino? Onde e quando ainda usamos instinto como forma de sobrevivência, seja física, emocional, espiritual? O que seria um manifesto do feminino?

Do rosa ao vermelho – Todo o novo espetáculo da CDPA tem, em um momento ou outro, um certo tom sarcástico direcionado aos modelos pré-estabelecidos e impostos ao universo feminino. O figurino, por exemplo, é uma criação do bailarino Pablo Ramon e remete às variações da cor rosa, passando por vários tons até chegar ao vermelho. Já a iluminação, a cargo de Marina Antuzzi, também usa a mesma paleta de cores, criando uma unidade entre as vestimentas, os bailarinos e o palco. A trilha sonora é uma costura feita pela própria diretora, em que as vozes femininas assumem papel de destaque, tanto em bases eletrônicas quanto em sonoridades poéticas. Além disso, Morena Nascimento optou por utilizar ora sons sintéticos e eletrônicos, ora mais líricos e melódicos. “Eu também selecionei cantoras Trans, pois acho bem interessante entender essa voz feminina em corpos diferentes”, revela.

Morena Nascimento – bailarina e coreógrafa. Iniciou seus estudos em dança aos 11 anos, tendo como base da sua formação como bailarina a dança moderna, clássica e a capoeira. No ano de 1999, estudou dança moderna no Limon Institute, Dance Space Center e ZVI Gotheiner&Dancers, na cidade de Nova York. Seus principais mestres são Holy Cavrell, Inaicyra Falcão, Graziela Rodrigues, Angela Nolf, Dudude Herman e Eusebio Lobo. Tem duas graduações em dança, uma pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) concluída no ano de 2001 e a outra pela Folkwang Hochschule, Essen, concluída no ano de 2007, na Alemanha, onde viveu por 6 anos. Atuou como bailarina intérprete do Tanztheater Wuppertal Pina Bausch por 3 anos, companhia com a qual segue colaborando como bailarina convidada, anualmente. Seus principais mestres na Alemanha são Dominique Mercy, Malou Airadou, Anne Marie Benatti e Lutz Foester. Trabalhou e trabalha com vários coreógrafos e artistas nacionais e internacionais como intérprete/colaboradora, no eixo Brasil-Alemanha, como Pina Bausch, Susanne Link, Tuca Pinheiro, Rodolfo Leoni, Jorge Garcia, Dudude Hermann, Mark Sciezkarek, Stephan Brinkmann, Ana Vitória, José Possi Neto, Arto Lindsay, entre outros. Desenvolve seu trabalho autoral desde 1999 em parceria com atores, dramaturgos, músicos e artistas plásticos. Suas principais obras autorais são Clarabóia (parceria com Andreia Yonashiro, 2010), Um Diálogo entre Música e Dança (parceria com o pianista e arranjador Benjamim Taubkin, 2010), Rêverie (2013), Antônia (2016) e Um Jeito de Corpo (coreografia criada para o Balé da Cidade de São Paulo, 2018). Coreografou para o Balé do Teatro Castro Alves no ano de 2015, dentro do projeto intitulado “Pílulas Dançadas”. Atualmente é mestrança em dança pela Universidade Federal da Bahia e está criando o novo espetáculo da Companhia de Dança do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com estreia marcada para agosto de 2018. Ministra cursos de dança e workshops pelo Brasil e realiza turnês de seus trabalhos autorais dentro e fora do Brasil. Está cada vez mais interessada no diálogo artístico-pedagógico com estudantes e profissionais da dança.

Foto: Marcio Canedo

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