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Filarmônica de Minas Gerais apresenta primeira sinfonia de Mahler e obras de Carlos Gomes recém-gravadas pela Orquestra nesta quinta e sexta
Com regência do maestro convidado Neil Thomson, obra de Nepomuceno também está no programa
Nos dias 27 e 28 de julho, às 20h30, na Sala Minas Gerais, a Filarmônica de Minas Gerais apresenta duas obras de Carlos Gomes, recém-gravadas pela Orquestra no CD dedicado ao compositor e lançado neste ano, Maria Tudor: Abertura e O Escravo: Alvorada. O programa traz também a Sinfonia nº 1, “Titã”, de Mahler, e dois movimentos de uma composição de Alberto Nepomuceno – Série Brasileira: A sesta na rede e Batuque. A regência é do maestro convidado Neil Thomson. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais.
Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais e Itaú, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio: Circuito Liberdade. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de MG, Governo de Minas Gerais, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Maestro Neil Thomson, regente convidado
Natural de Londres, Neil Thomson estudou violino e viola na Royal Academy of Music e regência no Royal College of Music. Desde 2014, é Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Filarmônica de Goiás. Atualmente, está envolvido em um projeto de gravação das quatorze sinfonias de Claudio Santoro e obras de diversos outros compositores brasileiros com as orquestras Filarmônica de Goiás, Osesp, Gulbenkian e de Câmara Inglesa para a série Brasil em Concerto, da Naxos. Dirigiu as mais prestigiadas orquestras do Reino Unido, entre elas a Sinfônica e a Filarmônica de Londres, a Filarmônica Real, Philharmonia e Royal Liverpool. Também conduziu importantes orquestras no restante da Europa, Ásia e América. Possui uma notável atuação como professor, tendo sido o mais jovem diretor de regência do Royal College of Music e convidado em diversos festivais e instituições do mundo. A convite de Lorin Maazel, foi jurado das rondas europeias do Concurso de Regência Maazel. Também integrou o júri do Concurso Internacional de Regência Eduardo Mata, na Cidade do México, ao lado de Gunther Schuller. Atualmente, é professor no Los Angeles Conducting Workshop e na Dresden Dirigierakademie.
Repertório
Alberto Nepomuceno (Fortaleza, Brasil, 1864 – Rio de Janeiro, Brasil, 1920) e a obra Série Brasileira: A sesta na rede e Batuque (1891)
Em 1897 Alberto Nepomuceno apresentou, em primeira audição no Brasil, a Sinfonia em sol menor e a Série Brasileira. As peças sinalizavam dois aspectos primordiais de sua produção: a Sinfonia refletia a maestria técnica adquirida pelo compositor em longos anos de aprendizado europeu. Já a Série tornou-se um marco inicial para a orientação nacionalista da música brasileira – no Batuque final a percussão inclui um reco-reco, o que enfureceu a crítica mais ortodoxa da época. Aos 24 anos, Nepomuceno mudou-se para a Europa. Em Roma, no Liceu Musical Santa Cecília, estudou piano com Giovanni Sgambati e harmonia com Cesare de Sanctis. Ainda aperfeiçoou-se na Alemanha, Áustria e Noruega – foi amigo muito próximo de Grieg. A Série Brasileira, em quatro partes, foi escrita em Berlim, aos 27 anos. A primeira, Alvorada na serra, inicia-se com o tema folclórico Sapo Cururu e, na parte central, apresenta um solo de harpa. O Intermédio seguinte é a orquestração do Allegretto do Quarteto nº 3 do compositor, com vivacidade de um scherzo e o ritmo do maxixe. Sesta na rede, verdadeiro acalanto cearense, faz contraste com as partes rítmicas da Série, que termina com o polêmico Batuque.
Antônio Carlos Gomes (Campinas, Brasil, 1836 – Belém, Brasil, 1896) e a obra Maria Tudor: Abertura (1878)
Inspirada no drama homônimo de Victor Hugo e com libreto de Emílio Praga, Maria Tudor foi encenada pela primeira vez no teatro Alla Scala de Milão em 27 de março de 1879. Na época, Gomes já era figura de destaque no cenário operístico internacional, tendo estreado com sucesso óperas como O Guarani (1870) e Fosca (1873). Em Maria Tudor, o enredo se baseia na história da rainha Maria I da Inglaterra, conhecida como “a sanguinária”. Diferentemente das aberturas convencionais, que condensam em um pot-pourri os principais temas da ópera, essa peça concilia o tema da vingança, extraído do final do Ato III, com os momentos líricos da marcha dos condenados do Ato IV, através de um trabalho de desenvolvimento melódico. Carlos Gomes realiza, dessa maneira, uma obra sinfônica em que a ânsia de vingança inicial se transforma numa seção lírica, marcada pela compaixão e pelo amor. Segundo Victor Hugo, o drama pretende retratar “uma rainha que seja uma mulher. Grande como rainha. Verdadeira como mulher”.
Antônio Carlos Gomes (Campinas, Brasil, 1836 – Belém, Brasil, 1896) e a obra O Escravo: Alvorada (1889)
André Rebouças, amigo de Carlos Gomes, escreveu que o compositor certa vez revelara: “se me dessem agora a escolher entre ir para o céu e ir para a Itália, eu preferiria ir para a Itália”. O entusiasmo de Carlos Gomes está diretamente relacionado à sua admiração incondicional por Verdi. Rebouças também conta que o amigo “apreciava principalmente o amanhecer na floresta; o coro irreproduzível de um milhar de pássaros tinha para ele o maior encanto”. Nessas palavras, Rebouças antevê a composição de "Alvorada", interlúdio orquestral da ópera O Escravo, escrita na mesma época em que Verdi estava completando a composição de Otello. Por falar nesse ícone da música italiana, geralmente tão comedido em julgar seus contemporâneos, ele havia profetizado, após ouvir O Guarani: “este jovem começa de onde eu termino!”.
Gustav Mahler (Kaliste, Boêmia, hoje República Tcheca, 1860 – Viena, Áustria, 1911) e a obra Sinfonia nº 1 em Ré maior, “Titã” (1884/1888, revisão c. 1906)
A Sinfonia nº 1 em Ré maior foi concluída em 1888, tendo sido estreada em Praga, no ano seguinte, como um poema sinfônico. Em 1893, o compositor a rebatizou “Titã, um Poema Sinfônico em Forma de Sinfonia”. O título se deve a uma personagem romântica do poeta Jean-Paul Richter. O herói de Richter, diferentemente de seus homônimos clássicos, ocupa-se de diálogos com a natureza e com suas aventuras não realizadas. Reelaborada e revista diversas vezes, essa obra só em 1906 tomou sua forma definitiva, na qual Mahler suprimiu um movimento inteiro. Embora as referências literárias tenham sido suprimidas da versão final, não deixa de ser interessante conhecê-las: os dois movimentos iniciais corresponderiam simbolicamente a “dias da juventude – flores, frutos e espinhos”, o primeiro deles tendo sido batizado de “Primavera sem Fim”. Aos dois movimentos seguintes, Mahler denominou “Comédia Humana”, o primeiro deles intitulado “Uma marcha fúnebre à maneira de Callot” (gravurista do século XVIII) e o último, simbolizando a trajetória do herói de Richter, que vai “do Inferno ao Paraíso”.
Serviço: Filarmônica de Minas Gerais
Série Presto
27 de julho – 20h30
Sala Minas Gerais
Série Veloce
28 de julho – 20h30
Sala Minas Gerais
Neil Thomson, regente convidado
NEPOMUCENO Série Brasileira: A sesta na rede e Batuque
CARLOS GOMES Maria Tudor: Abertura
CARLOS GOMES O Escravo: Alvorada
MAHLER Sinfonia nº 1 em Ré maior, “Titã”
INGRESSOS: R$ 50 (Coro), R$ 50 (Terraço), R$ 50 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Palco), R$ 90 (Balcão Lateral), R$ 120 (Plateia Central), R$ 155 (Balcão Principal) e R$ 175 (Camarote).
Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.
Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br
Bilheteria da Sala Minas Gerais
Horário de funcionamento
Dias sem concerto:
3ª a 6ª — 12h a 20h
Sábado — 12h a 18h
Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:
— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana
— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado
— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo
São aceitos: Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa | Pix
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação.
Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas.
O grupo recebeu numerosos menções e prêmios, entre eles o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano.
Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, os Clássicos na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto.
A Orquestra possui 11 álbuns gravados, entre eles três que integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.
Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 80 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.
A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.
A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.
A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.
Os números da Filarmônica (2008 a junho/2023)
1.467.778 espectadores
1.161 concertos realizados
1.278 obras interpretadas
119 concertos em turnês estaduais
39 concertos em turnês nacionais
9 concertos em turnê internacional
606 notas de programa publicadas no site
225 webfilmes publicados (20 com audiodescrição)
1 coleção com 3 livros e 1 DVD sobre o universo orquestral
4 exposições itinerantes e multimeios sobre música clássica
11 CDs lançados
1 Indicação ao Grammy Latino 2020 (CD Almeida Prado - Obras para piano e orquestra – Categoria de Melhor Álbum Clássico)
Foto: Rafaella-Pessoa
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