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O bom e velho bife

O prato da Cozinha Santo Antônio é uma homenagem a ele, um artesão da comida

Suculento ou batido com martelo como nossas avós faziam, acebolado ou à milanesa… não importa o jeito, o bom e velho bife de carne vermelha é hors-concours na preferência de almoço do brasileiro.

Não só dentro de casa, o bife também é destaque nos melhores restaurantes da cidade. Em dois deles, tradição e história se misturam. No "A Casa da Agnes, o Portafoglio de filé, recheado com brie, molho de mostarda e mel e legumes salteados é tão querido pelos clientes, que ganhou espaço fixo no cardápio. Por lá, a chef Agnes Farkasvölgyi muda o menu toda estação, mas o filé segue firme e forte há diversas temporadas.

"Aprendi a fazer o portafoglio com o chef Sergio Arno, na década de 90. Era um clássico de seu restaurante, o La Vecchia Cucina. Eu dei uma "afrancesada" neste prato que é italiano, colocando queijo brie, um molho de mostarda e mel no lugar do de vinho e também acrescentei os legumes"conta a chef. 

Já na Cozinha Santo Antônio é o Bifão do Agostinho que faz sucesso. "O Agostinho era um português enorme, muito alto mesmo, que tinha um bar no Prado, na rua Coronel Pedro Jorge. Ele usava um guarda-pó que nunca estava abotoado até embaixo devido à protuberante barriga do cozinheiro. Ele fazia um bifão sensacional, servido numa tábua de madeira com bastante cebola. Eu ia muito lá na juventude e adorava comer esse prato e a conversa boa do Agostinho" conta a chef Ju Duarte. 

O prato da Cozinha Santo Antônio é uma homenagem a ele, um artesão da comida. É um bife de chorizo angus, servido com bastante cebola, mini legumes, “farofa pra depois do amor”, conforme indicação de Vinicius de Morais, e ora- pró-nobis.

Sobre Agnes Farkasvölgyi

Comida e arte, a chef e banqueteira - e artista plástica - Agnes Farkasvölgyi leva seu universo lúdico para cozinha de três empreendimentos: A Casa da Agnes, Chafariz e Bouquet Garni. "Enquanto chef uso a cozinha e seu entorno como ferramentas para contar uma história construída sobre um tripé de memória/afeto, curiosidade e diversão", explica. "Minha cozinha se parece muito comigo. É colorida, alegre, misturada. Todos os pratos que faço tem uma história por trás. As que vivi e ainda vivo, as que ouço e aprendo. Desde quando comecei em 1989 ``, completa ela. 

A Casa da Agnes abriu as portas dia 29 de janeiro de 2020. O projeto nasceu a partir de um desejo de diminuição da estrutura do bufê e de um contato mais direto com os comensais. "Eu sempre gostei do tet a tet com o cliente, da conversa" conta. Ali, Agnes divide as panelas e o atendimento com sua filha Camila. Sua mãe Lelete, depois de anos inserida no mundo da moda, também está por lá, cuidando de cada detalhe da casa. No menu, pratos frescos que mudam com a estação e algumas clássicas criações. 

Seu mais recente projeto é no restaurante Chafariz, em Ouro Preto. Desde setembro deste ano, Agnes é chef executiva do tradicional restaurante da cidade histórica, colocando seu toque contemporâneo e criativo na culinária mineira. 

"Eu pratico uma cozinha atenta a minhas referências, ao mesmo tempo aberta e curiosa ao novo. Acredito e uso a tecnologia nos preparos e acho que cozinha pode ser arte, desde que,  quem a faz, assim queira. Quanto mais misturamos tecnologia com histórias e conhecimento, mais estamos aptos a criar enredos com os pratos", explica a chef, que nos seus mais de 30 anos na gastronomia criou pratos que se tornaram icônicos e que vez ou outra precisa relembrar para seus fiéis clientes do Bouquet Garni. Caso do lombinho de porco com espaguete com couve e torresmo, o camarão empanado harumaki sobre caldinho de feijão branco, os bolinhos de arroz com ovas, a feijoada com pequi… a lista é grande!

"O processo de criação/ construção de um prato ou um menu é muito parecido com meu processo artístico - seja para pintar, desenhar, escrever ou montar. Se desconheço um assunto ou tema, faço uma pesquisa. Anoto e desenho o que acho relevante e vou construindo um caminho. Todas as referências me interessam: forma, cor, textura e conteúdo ``, conta. 

Prestes a completar 60 anos, Agnes Farkasvölgyi está em seu auge criativo, com muitos planos e ideias. "Com A Casa da Agnes comecei a construir um sonho. Um espaço que abrigasse cozinha e arte, jantares e almoços inusitados, todo o meu trabalho com o buffet e ainda um bistrô". A comemoração de seu aniversário, um evento eat art, será o início dessa nova fase. 

Serviço

A Casa da Agnes 
Almoços segunda a sexta-feira, de 12h às 15h, sábado de 12h às 16h
Eventos fechados para até 60 pessoas
Informações e delivery: (31) 98738-7066 
Rua Paulo Afonso, 833 - Santo Antônio
https://www.instagram.com/acasadaagnes

Chafariz 
Funcionamento de quinta a segunda-feira, das 11h às 23h 
Domingos até 18hs
Informações: (31) 98948-9976 
R. São José, 167 - Ouro Preto/ MG
https://www.instagram.com/chafarizrestauranteop/

Bouquet Garni
Informações: 31 98738-7066
https://www.instagram.com/bouquetgarni/ 

Sobre a Cozinha Santo Antônio

Em uma esquina charmosa, em um dos bairros mais tradicionais da cidade, a Cozinha Santo Antônio chama atenção logo de cara pela arquitetura. Ao mesmo tempo mineira e cosmopolita, com garimpos e peças de design e uma imponente e acolhedora cozinha aberta. 

Uma ótima tradução para a comida feita ali. “Estamos completamente conectados com as nossas origens e com a nossa história, mas temos os pés no presente e o olhar no futuro”, diz Juliana Duarte, que comanda tudo no espaço. 

A Cozinha Santo Antônio tem por princípio o respeito à sazonalidade dos ingredientes, por isso o cardápio muda de acordo com o que se tem de mais fresco e gostoso para cozinhar. Os insumos são orgânicos, de origem e chegam através de pequenos produtores.

“Todo início de semana planejo o cardápio dos próximos dias com base no que os produtores têm disponível” conta Juliana. “Durante a semana os pratos são de uma comida mais caseira, que eu defino como sendo ‘que nem a da casa da gente’. No final de semana temos pratos mais elaborados e sempre há opção vegetariana. A comida varia de receitas de família bem mineiras a pratos da cozinha do mundo, como a francesa e a do Oriente Médio que eu gosto muito e estudo”, completa. 

Juliana é uma cozinheira, historiadora e pesquisadora da história da gastronomia mineira. Mas antes disso tudo trabalhava na publicidade enquanto paralelamente estudava gastronomia e vendia seu disputado paté na Feira Fresca. 

Do seu jeito, vem fazendo comida com história e afeto, transformando algo aparentemente banal em “extraordinário”. Comida que valoriza a cultura alimentar mineira e que faz bem para o corpo e para a alma.

Serviço
Rua São Domingos do Prata, 453 – Santo Antônio
Funcionamento de terça a domingo de 12:00 às 14:30 nos dias de semana e de 12:30 às 16:00 nos finais de semana. Quinta-feira: 19h às 00h
Delivery e o “buscaqui”
Whatsapp: (31) 9-8218-6427
https://www.instagram.com/cozinha_santoantonio

Foto: Emilia Coelho

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