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Espetáculo “A Obscena Senhora H - Paixão e Obra de Hilda Hilst" participa da programação do Festival BH de Teatro com sessão de debate
Solo narrativo sobre Paixão e Obra de Hilda Hilst promove reflexão quanto à violência contra a mulher.
Com debate sobre violência contra mulheres e machismo, “A Obscena Senhora H - Paixão e Obra de Hilda Hilst" retorna a Belo Horizonte, de 25 a 28 de julho, de quinta a domingo, às 19h, na Funarte MG, dentro da programação do Festival BH de Teatro, que traz mais de 50 atrações, entre espetáculos adultos e infantis. Após a primeira sessão, dia 25, Luciana Veloso, indicada ao Prêmio Sinparc de Artes Cênicas 2019 como Melhor Atriz, e Janine Avelar, produtora da montagem, convidam o público a participar de um bate-papo sobre a violência contra as mulheres e o machismo sob a ótica dos dias atuais, temas presentes na peça.
Com as participações de vozes femininas representativas da causa, o debate irá criar um paralelo entre o conteúdo do espetáculo, que aborda a situação de violência contra personagem, já vivida nos anos 80, com pontos de vista da atualidade. Participam da roda de conversa: Jane Idrésia dos Santos, psicóloga, Guarda Civil Municipal há 11 anos, Coordenadora do Núcleo de Atenção e Apoio ao Guarda e integrante do Conselho Municipal da Mulher e do Comitê de Equidade de Gênero; Vi Coelho, assistente social e cantora, feminista, ativista negra, militante das causas juvenis e dos Direitos Humanos. Atualmente, Diretora de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de BH e integrante do Coletivo Negras Autoras, Bloco Havayanas Usadas e Banda Bloco Feminista Pele Preta; e Paula Veloso, médica residente da área de oftalmologia, vítima de violência doméstica, e criadora do perfil “Colheres de Ouro” no Instagram, que visa conscientizar as pessoas sobre violência contra a mulher e, acima de tudo, empoderar, informar e tentar dar voz a mulheres vítimas do machismo. Segundo Paula, seu “objetivo é criar uma geração de mulheres mais fortes e preparadas para reconhecer um relacionamento abusivo e sair dele e, ao mesmo tempo, criar um ambiente menos hostil para as vítimas”, comenta a médica.
De acordo com Janine Avelar, a interação com a plateia após o espetáculo, que reconta a relação abusiva da escritora brasileira Hilda Hilst com seu primo Wilson Hilst, durante a criação de seu livro, “A Obscena Senhora D”, no início dos anos 80, traz reflexões, questionamentos, conhecimentos e novos posicionamentos sobre o comportamento da mulher em situação de violência.
“É importante trazer essa discussão à tona, porque apesar do trecho do espetáculo ter sido escrito na década de 80, em um momento que não se discutia tanto as questões de violência contra a mulher, Hilda Hilst foi uma pessoa que teve muito apoio e suporte para que ela pudesse sair dessa relação violenta, desse relacionamento abusivo. As mulheres precisam entender e compreender que as violências não precisam ser sofridas. Elas possuem um sistema de proteção, grupos de apoios, grupos políticos, e grupos de outras mulheres que passaram pela mesma situação e estão dispostas a ajudar. Existe uma legislação que protege as mulheres. A gente precisa trazer isso para o momento atual”, destaca a produtora.
Montagem
Com dramaturgia e encenação de Juarez Guimarães Dias e solo de Luciana Veloso, a peça reconta a paixão da premiada escritora brasileira Hilda Hilst por seu primo Wilson Hilst, 20 anos mais novo, durante a criação de um de seus mais aclamados livros, “A Obscena Senhora D”, no início da década de 1980. O encontro marca uma relação mais profunda entre a vida e a obra da escritora, em que realidade e ficção se misturam num mesmo enredo. O texto compõe-se de fragmentos do romance “A Casa da Senhora H" (inédito), de Juarez Guimarães Dias, e da novela “A Obscena Senhora D", de Hilda Hilst, além de trechos de entrevistas e cartas. Duração 60 minutos. Classificação 16 anos.
Escritora
Hilda Hilst (1930-2004), escritora homenageada em 2018 pela Feira Literária de Paraty (Flip) foi uma poetisa, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX, ao mesmo tempo em que foi muito pouco distribuída e lida pelo público, sobretudo em vida, e agora vem ganhando cada vez mais espaço e projeção.
Hilda Hilst escreveu por quase cinquenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil, Prêmio PEN Clube de São Paulo, Prêmio Anchieta, Associação Paulista de Críticos de Arte (Prêmio APCA e Grande Prêmio da Crítica pelo Conjunto da Obra), Prêmio Jabuti e Prêmio Cassiano Ricardo (Clube de Poesia de São Paulo), Prêmio Moinho Santista, entre outros. Mudou-se para a Casa do Sol, construída na fazenda de sua mãe em 1966, onde passou a viver e produziu a maior parte de sua obra. Depois de sua morte, a casa tornou-se sede do Instituto Hilda Hilst e foi tombada pelo Patrimônio Histórico de Campinas.
Criadores
Luciana Veloso, atriz e produtora cultural, graduada em Teatro pela Escola de Belas Artes da UFMG e Técnica em Interpretação Teatral pela Casa das Artes de Laranjeiras (RJ). Atuou em espetáculos teatrais no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, entre eles "Os Melhores Anos de Nossas Vidas", direção de Inês Viana; "O Interrogatório", direção de Ole Erdmann; "Peer Gynt", direção de Adriano Garib; "O Santo e A Porca", direção de Kalluh Araújo; "Zucco: ensaio para um crime", direção de Amaury Borges; e "Pas de deux para 2 Mulheres", direção de Henrique Vertchenko. Trabalhou como atriz e assistente de produção nos projetos “Oficinão 2011” e “Pé na Rua 2012”, do Centro Cultural Galpão Cine Horto; e como assistente de produção da web serie "Gente Awa", sobre a vulnerabilidade das comunidades indígenas contemporâneas. Foi assistente de produção no Centro Cultural SESIMINAS, de 2015 a 2017. Foi produtora executiva do Círculo Hilda Hilst 2017, 2ª edição. Atualmente também realiza a produção do espaço Clementtina da diretora e dramaturga Rita Clemente, e é atriz do espetáculo "A Obscena Senhora H", com direção e dramaturgia de Juarez Guimarães Dias. Indicada ao prêmio Sinparc de Artes Cênicas 2019 como melhor atriz em “A Obscena Senhora H - Paixão e Obra de Hilda Hilst”.
Juarez Guimarães Dias, dramaturgo e diretor que em 2019 comemora 26 anos de Teatro. É publicitário e professor do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Doutor em Artes Cênicas (Unirio), Mestre em Literatura (PUC-Minas), Bacharel em Comunicação Social (Uni-BH) e Coordenador do “Núcleo de Estudos em Estética do Performático e Experiência Comunicacional” (FAFICH/ UFMG). Há 17 anos, é leitor e pesquisador da obra de Hilda Hilst. Publicou “O fluxo meta narrativo de Hilda Hilst em Fluxo-floema” (Ed. Annablume, 2010), oriundo de sua dissertação de mestrado; dirigiu “Do desespero de contar uma história ou da arte de ser um unicórnio” (adaptação sua da ficção “O Unicórnio”), em 2006. Dirigiu, em 2003, a montagem de “A Possessa (A Empresa)”, dramaturgia de Hilda Hilst produzida pela Cia. De Outros Atores, que também realizou o evento “Círculo de Atividades Integradas Hilda Hilst” (1ª edição, 2002) e “Círculo Hilda Hilst” (2ª edição, 2017). Atualmente está em fase de finalização e publicação o romance “A Casa da Senhora H” sobre a história da Casa do Sol de Hilda Hilst, projeto contemplado pelo Prêmio Funarte/ Biblioteca Nacional de Criação Literária 2012 e realizado no Programa de Residências de Criação do Instituto Hilda Hilst. No teatro, tem outros trabalhos reconhecidos por público e crítica: “Freddie Rock Star” (Fábio Schmidt), "EuCaio" (Matheus Soriedem), “Marilyn Monroe.doc” (Grupo Dois Palitos), “#tudodenós” (Pierrot Teen), “Atrás dos olhos das meninas sérias” e “Sexo” (Cia Pierrot Lunar). É autor também do livro “Narrativas em cena: Aderbal Freire-Filho (Brasil) e João Brites (Portugal)” (Móbile Editorial/ Faperj, 2015), sua tese de Doutorado.
Ficha técnica:
Criação: Juarez Guimarães Dias e Luciana Veloso
Atuação: Luciana Veloso
Dramaturgia e Encenação: Juarez Guimarães Dias
Direção de Movimento: Sitaram Custódio
Direção de Produção: Janine Avelar
Cenografia: Juarez Guimarães Dias
Design de luz: Bruno Cerezoli
Figurino: Andreia Gomes
Máscaras: Lívia Rabelo
Preparação Vocal: Ana Hadad
Trilha Sonora Original e Design de Som: Daniel Nunes
Design Gráfico: Solo CDC
Fotografias: Marília Fiuza e Matheus Soriedem
Redes Sociais: Djavan Henrique
Vídeo Teaser: André Gonçalves (UNA 360)
Assessoria de Imprensa: Glenda Souza
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