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CCBB-BH recebe exposições de arte que apresentam mundos e culturas distintas

Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB-BH, que integra o Circuito Cultural da Praça da Liberdade, está recebendo duas exposições que apresentam manifestações artísticas e linguagens variadas, capazes de representar um olhar sobre a cultura de dois países muito distintos: EUA e China.

O atual contexto geopolítico internacional passa por um momento de imprevisibilidade, onde as posições de poder vêm sendo ocupadas por figuras mais conservadoras em diversos países ao redor do mundo, ocasionando a instituição de políticas de proteção alfandegárias que contradizem às tendências do mundo globalizado. Dessa forma, alguns países acabam fechando-se para outras culturas, não permitindo a entrada de visões diferentes. Neste contexto, os EUA e a China têm se firmado, cada vez mais, como as duas grandes nações que definem, de forma muito incisiva as alianças e relacionamentos em âmbito internacional, sejam elas políticas, econômicas, ou socioculturais, assim como os padrões de comportamento e consumo.

Neste sentido, o público de Belo Horizonte terá a oportunidade de entrar em contato com um pouco da cultura de cada um destes dois países tão distintos, um conhecido por seus valores culturais pautados pelo capitalismo e pela vida em megalópoles urbanas, e outro comumente lembrado por sua cultura milenar que carrega um histórico de diversos ensinamentos marcados em recordações escritas. Até o dia 30 de julho, o Centro Cultura Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB-BH) está recebendo a exposição “Dragão Floresta Abundante” do artista brasileiro Christus Nóbrega, que convida o público a mergulhar na rica e anciã cultura chinesa, e também a exposição “Jean-Michel Basquiat obras da Coleção Mugrabi”, que apresenta um recorte da cultura urbana dos EUA e de suas tensões sociopolíticas, presentes na coletânea de trabalhos do renomado artista nova iorquino.

As duas exposições apresentam recortes profundos e interessantes a respeito dos valores culturais e humanos existentes em ambas as sociedades. Enquanto a exposição de Nóbrega apresenta o olhar pessoal do artista, presente nas obras que são resultado de um intenso e profundo mergulho na cultura oriental por meio de uma residência artística em Pequim, no ano de 2015, a montagem com os trabalhos de Basquiat apresenta a realidade e as transformações vividas em Nova Iorque, uma das cidades símbolo da cultura estadounidense, durante as décadas de 70 e 80.

LINGUAGEM E TÉCNICAS

As variadas manifestações artísticas existentes em cada uma das montagens são resultado não só do olhar particular de ambos artistas perante as conjunturas e realidades em que estavam inseridos respectivamente, mas também dos próprios costumes de cada país. Desta forma, a exposição “Dragão Floresta Abundante” conta com obras de arte contemporânea de diferentes expressões como fotografia, registros de performances, desenhos feitos por meio de um equipamento GPS, propondo reflexões sobre diferentes tecnologias, desde as mais arcaicas e enraizadas nas origens anciãs chinesas até as mais modernas, causando o encontro entre tradição e contemporaneidade. Já a exposição “Jean-Michel Basquiat obras da Coleção Mugrabi” apresenta obras que refletem os sons, as cores, os flashes de luz e o frenesi da vida dinâmica urbana de Nova Iorque, em obras de colagens, cópias reprográficas, pinturas em telas e estilizações e marcações gráficas de materiais encontrados na rua pelo artista.

Ainda, ambas as montagens possuem obras que exploram da linguagem como uma manifestação de valores e costumes culturais inerentes ao mundo e a percepção dos artistas perante a vida. No acervo de Basquiat, por exemplo, é possível encontrar trabalhos que trabalham com a justaposição do inglês e do espanhol, devido à origem afro-caribenha de seus pais e do consequente contato com o espanhol, criando contrastes culturais dentro de sua obra que também são motivados por uma profunda conexão pessoal do artista.

Uma das obras de Christus Nóbrega que compõe a exposição, intitulada “Dicionário Feminino”, trabalha com a temática da linguagem em seu cerne ao apresentar em uma série de fotografias criadas com pigmento natural sobre uma folha de cartografia, os processos de construção de palavras em mandarim, uma língua gramaticalmente simples, mas complexa em sua fonética e caligrafia. Dessa forma, o artista procura mostrar como ficou profundamente tocado pela forma como diversas palavras na língua local utilizam do radical “mulher” para construírem as relações fonéticas, gramaticais e semânticas, mesmo que a China ainda seja um país que conviva com o machismo e a misoginia em suas relações sociais e em sua cultura.

CINCO ANOS DE ATUAÇÃO

Esse momento de encontro de culturas e efervescência artística no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, marcam os 5 anos de inauguração do centro cultural, que desde o dia 27 de agosto de 2013, tem promovido diversas ações que fomentam o cenário na capital mineira, se assegurando como uma referência de arte e cultura da cidade. Situado no Circuito Liberdade, que contempla 16 instituições, o CCBB BH se tornou também um ponto turístico da cidade, sendo o espaço mais visitado do chamado Corredor Cultural. Desde a sua inauguração, mais de 3,3 milhões de visitantes já desfrutaram de uma vasta e diversa programação de qualidade em 357 projetos nas áreas de artes visuais, teatro, música, dança, ideias e educativo.

Foto: Lucas Las-Casas

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