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Cia. de Dança Palácio das Artes continua comemorações dos 50 anos com remontagem de lalangue: carta à mãe

Com direção de Morena Nascimento, o trabalho leva questões do feminino para o centro do palco e busca na psicanálise a fruição dos conceitos que permeiam a coreografia

Dando continuidade às celebrações dos 50 anos da Cia. de Dança Palácio das Artes (CDPA), o corpo artístico leva de volta ao palco do Grande Teatro o espetáculo lalangue: carta à mãe, com direção de Morena Nascimento. A coreografia se estrutura a partir de um processo de pesquisa que traz as inquietações femininas acerca do mundo contemporâneo como ponto de partida para a criação dos bailarinos, coautores da montagem.

lalangue: carta à mãe propõe um olhar para o feminino como tema central da criação. Por meio de um processo de investigação, os bailarinos criaram uma coreografia que tem como base os diferentes manifestos artísticos que podem surgir a partir de uma visão universal do feminino.

A expressão que dá nome à montagem indica as referências que permeiam o trabalho. Na psicanálise, lalangue é um termo em francês que determina as primeiras tentativas de comunicação não organizada e não estruturada entre um bebê e sua mãe ou, em sentido mais amplo, trata-se do saber inconsciente, aquele que, segundo Lacan, escapa do ser falante e, portanto, sabe-se sem saber; aquele que marca o corpo com significantes, sem a mediação da significação.

Para Morena Nascimento, o espetáculo parte de um desejo de reinventar uma linguagem para o corpo e suas relações com o espaço, com os outros, com a própria mãe, entre outros detalhes. “Eu propus aos bailarinos que fizessem o exercício de imaginar o mundo regido por outras leis, leis do feminino”, explica Morena.

A diretora levantou algumas questões que ajudaram na criação coreográfica de lalangue: carta à mãe. No processo criativo, o coletivo se deparou com algumas provocações da diretora, entre elas: Quais as urgências do corpo hoje? O que podemos produzir a partir da dor? Intuição é uma forma de raciocínio? Quem é minha mãe e qual relação estabeleço com ela? O que é minha primeira referência de feminino? Onde e quando ainda usamos instinto como forma de sobrevivência, seja física, emocional, espiritual? O que seria um manifesto do feminino?

Do rosa ao vermelho – O espetáculo lalangue: carta à mãe tem, em um momento ou outro, um certo tom sarcástico direcionado aos modelos pré-estabelecidos e impostos ao universo feminino. O figurino, por exemplo, é uma criação do bailarino Pablo Ramon e remete às variações da cor rosa, passando por vários tons até chegar ao vermelho. Já a iluminação, a cargo de Marina Antuzzi, também usa a mesma paleta de cores, criando uma unidade entre as vestimentas, os bailarinos e o palco. A trilha sonora é uma costura feita pela própria diretora, em que as vozes femininas assumem papel de destaque, tanto em bases eletrônicas quanto em sonoridades poéticas. Além disso, Morena Nascimento optou por utilizar ora sons sintéticos e eletrônicos, ora mais líricos e melódicos.

MORENA NASCIMENTO

Nascida em Belo Horizonte, vive em São Paulo desenvolvendo seus projetos como coreógrafa e intérprete. A artista dançou "Uma Baleia Encalhada na Praia", de Andreia Yonashiro, em São Paulo, e criou o espetáculo ANTONIA. Em 2015, foi convidada a criar uma coreografia para oito integrantes do Balé do Teatro Castro Alves – BTCA, em Salvador-Bahia. De 2007 a 2010, integrou o Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, companhia com a qual continua contribuindo como bailarina convidada, no espetáculo "Como el musguito en la piedra, ay si si si...". Atuou no filme "PINA", de Wim Wenders. A convite da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), atuou como professora colaboradora no Departamento de Artes Corporais. Recebeu o prêmio Klauss Vianna de Dança 2010, pela Funarte, pela montagem do espetáculo ʻLili y Put – a observadora de Líriosʼ, e depois uma segunda vez em 2012, para a circulação do trabalho ‘Clarabóia’. Cursou a Folkwang Hochschule, em Essen, Alemanha, de 2006 a 2008, graduando-se em dança pela segunda vez. Criou em 2006 o solo de dança "Lady Marmalade", estreado na Alemanha. Dentre os coreógrafos brasileiros com quem trabalhou estão: Lara Pinheiro, Jorge Garcia, Ana Vitória, Holly Cavrell, Tuca Pinheiro, Andreia Yonashiro e Dududde Hermann. Dentre seus principais trabalhos autorais estão: ANTONIA, "Reverie"- 2013 (parceria com a dramaturga e diretora teatral Carolina Bianchi / co-produção com o festival Jubiläumsspielzeit - 40 Jahre Tanztheater Wuppertal Pina Bausch) "Clarabóia" e "Estudos para Clarabóia" 2010/2013 (Parceria com Andréia Yonashiro), "Um Diálogo entre Dança e Música" - 2010 (Parceria com o pianista Benjamim Taubkin), "Sexo, Amor e Outros Acidentes" - 2004 (prêmio APCA 2005 de Melhor Criação e Interpretação).

CIA DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES

Reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil, é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.

Ficha técnica do espetáculo

Concepção e Direção coreográfica: Morena Nascimento

Pesquisa coreográfica: Bailarinos da CDPA

Assistência de criação e ensaios: Patrícia Werneck e Sônia Pedroso

Criação de iluminação: Marina Arthuzzi, Rodrigo Marçal e Jésus Lataliza

Figurinos: Pablo Ramon

Execução de figurinos: Ednara Botrel

Concepção e pesquisa de trilha sonora: Morena Nascimento

Gerente de produção: Marcio Alves

Produtora: Marieta Santos

Fotos: Anahí Poti, Gustavo Silvestre, Márcio Canedo e Paulo Lacerda

Palestrantes: Sânzio Cânfora e José Márcio Barros

Direção geral do projeto: Cristiano Reis

Bailarinos criadores 2018

Anahí Poty

Andréa Faria*

Amanda Sant’ana

Ariane de Freitas

Beatriz Kuguimiya*

Christiano Castro

Cláudia Lobo

Danny Maia

Fernando Cordeiro

Ivan Sodré

Lina Lapertosa

Lívia Espirito Santo*

Léo Garcia

Lucas Medeiros

Lucas Resende

Mariângela Caramati

Naline Ferraz

Paulo Chamone*

Silvia Maia

*Bailarinos licenciados ou Férias

FICHA TÉCNICA CIA DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES

Bailarinos Criadores

Anahí Poty

Ariane De Freitas

Cláudia Lobo

Cristhyan Pimentel

Christiano Castro

Eliatrice Gischewski

Ivan Sodré

Isadora Brandão

Maíra Campos

Mariângela Caramati

Maxmiler Junio

Pablo Garcia

Paulo Weslley

Renato Augustto

Direção Artística

Cristiano Reis

Assistente de direção e diretora de ensaios

Sônia Pedroso

Ensaiadores

Beatriz Kuguimiya e Rodrigo Giése

Bailarinos remontadores de repertório e assistentes de criação:

Ariane de Freitas e Ivan Sodré

Bailarinos assistentes de remontagem de repertório

Cláudia Lobo e Christiano castro

Bailarinos técnicos de produção

Lair Assis e Marcos Elias

Bailarino preparador técnico artístico

Eder Braz

Gerente

Ana Alvarenga

Produção

Marieta Santos

Bailarino assistente de logística de produção

Fernando Cordeiro

Foto: Paulo Lacerda

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