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Programação do 3ª Inverno das Artes leva ao Cine Humberto Mauro mostra dedicada ao cineasta haitiano RAOUL PECK

EU NÃO SOU SEU NEGRO, indicado ao Oscar de 2016, está na programação

A obra do cineasta haitiano com maior projeção mundial, Raoul Peck, é tema de mostra realizada pela Fundação Clóvis Salgado, por meio do Cine Humberto Mauro. O recorte feito pelos curadores Bruno Hilário e Vítor Miranda exibe sete dos 20 filmes do cineasta que traçam um panorama do estilo único de Raoul Peck, que evidencia as condições políticas e sociais nas quais vivem minorias e povos marginalizados. A mostra integra a programação do 3º Inverno das Artes que, neste ano, destaca a multifacetada produção da arte negra no Brasil.

Um dos destaques da programação é Eu não sou seu negro, filme indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2016. O público poderá assistir ainda às obras: Canto do Haiti (1987), sobre o desejo de vingança de um haitiano que foi torturado; O Homem das Docas (1992), que evoca a ditadura pelos olhos de uma menina; Moloch Tropical (1992), centrado no governante Jean de Dieu; e O Lucro e Nada Mais (2000), que documenta a miséria haitiana. Constam ainda na programação dois filmes sobre Patrice Lamumba, líder político congolês muito admirado por Peck: o documentário Lumumba - A Morte do Profeta (1992) e a ficção Lumumba (2000).

Os títulos selecionados abordam temas políticos e sociais delicados: história política do Haiti, movimentos pela independência de povos africanos, além de relações de dominação, desigualdade social e desigualdade racial. Essas questões são tratadas a partir da estética híbrida do cineasta, que transita entre o documentário e a ficção. “Peck utiliza muito desse limite entre o documentário e a ficção. É um recurso estético já bem estabelecido que ele utiliza bem”, acrescenta Bruno Hilário.

As obras de Raoul Peck refletem a forma como o diretor vê diferentes tensões sociais e políticas, muitas delas vivenciadas por ele, o que acaba trazendo novas significações aos filmes. Natural de Porto Príncipe, no Haiti, a família de Peck se registrou no Congo, fugindo da ditadura de Papa Duvalier, mas voltou ao país. Durante sua vida, Peck passou pela Europa, estudou cinema na Alemanha; pelos Estados Unidos, trabalhou como taxista em Nova York e é uma figura importante no Haiti, já tendo exercido o cargo de Ministro da Cultura. “Cada filme dele tem uma estrutura, um modo de fazer muito particular. Ele constantemente questiona a forma como nós seres humanos tratamos a nós mesmos”, completa o coordenador do Cine Humberto Mauro.

Atualmente filmando sua próxima obra, Raoul Peck é um cineasta muito observado pela indústria cinematográfica, afirma Bruno Hilário. “Ele sempre teve um reconhecimento muito grande, passou por grandes festivais, mas, de certa forma, ele aparece mais ao grande público após a indicação ao Oscar. Provavelmente, se não fosse do Haiti e se tratasse de outros temas, a carreira de Raoul Peck teria tomado rumos diferentes”, conclui.

Foto: Divulgação

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