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Priscila Fonseca – Uma caminhada poética desenhada com os pés!

Priscila Fonseca nasceu em Brasília no dia 18 de março de 1985. Somente aos seis meses foi descoberto que Priscila tinha paralisia cerebral, pois não se desenvolveu como um bebê de seis meses. Não se sabe o que a provocou, mas o resultado é que ela não pode andar, tem poucos movimentos com as mãos, fala com dificuldades, possui uma leitura mais devagar, entre outras coisas.

Seus pais sempre buscaram formas que melhorassem sua condição de vida. Sua mãe lia cartilhas educativas para desenvolver o seu intelecto e seu pai inventava coisas boas para a menina ter a maior liberdade possível. Fazia de tudo para ela ter ao menos uma vez as aventuras que qualquer criança tem, como andar de bicicleta, fazer uma trilha no meio do mato, nadar num belo rio cheio de peixes, etc.

Priscila nos contou orgulhosa: “Assim, com o amor dos meus pais, virei uma criança feliz e saudável. Aos cinco anos mudamos de Brasília. Fomos morar na cidade de minha mãe em Belo Horizonte. Meu pai ia visitar minha irmã e eu, e, nas férias, levava a gente para Brasília. Minha mãe me colocou numa escola para especiais, chamada Brincar. Essa escola separava os que tinham condições de serem alfabetizados dos que não tinham. Lá fui alfabetizada pelo primeiro método de alfabetização em computadores do Brasil. Depois que aprendi a usar o computador, ele virou tudo na minha vida. Minha fonte de comunicação, meu caderno e minha prancheta de desenhos”.

Em sua volta para Brasília Priscila foi estudar na Escola Monteiro Lobato, onde teve um tratamento diferenciado com a sua professora lhe auxiliando em suas dificuldades. Na mudança de série Priscila ganhou uma auxiliadora, estudante de psicologia Adriana, que se tornou uma boa amiga e companheira até mesmo fora da escola. Na escola pública Priscila teve que contar com a ajuda de sua mãe para realizar tarefas e provas e Priscila seguiu firme e superou todos os obstáculos.

Aos 17 anos Priscila voltou a morar em Belo Horizonte, após a morte de seu pai. Na capital mineira terminou o segundo grau aos 19 anos. Na fala de Priscila pode-se notar a sua perseverança e espírito de luta: “Estudar foi uma luta. Sempre tinha pessoas que me tratavam como incapaz e que tinham preconceito, mas eu sempre tentei mostrar minha capacidade com atitudes fortes que pudessem me destacar. Aprendi que sempre terei muitas pedras no meu caminho, mas luto para tirar o máximo dessas pedras por onde ando para mim e para que outros, como eu, possam passar. Luto por um único sonho: ser alguém na vida”.

Esta energia contagiante de Priscila facilitou pra que conquistasse, além de respeito e admiração muitos amigos nas escolas e lugares por onde conviveu.

Com toda esta vivacidade e vontade de crescer e se superar, o caminho não podia ser outro, nossa poeta passou vestibular e entrou para a UEMG no curo de Design Gráfico, em 2008.

“Desenhar e pintar me acalma, me faz pensar apenas no que estou fazendo e em mais nada. Às vezes preciso disso para enfrentar e ter paciência para continuar a minha luta. Então sempre quis fazer uma faculdade relacionada com desenho”.

A Poeta Priscila Fonseca, é formada em Design Gráfico pela UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais). Priscila é autora de  dois livros,  escritos e ilustrados pela própria artista. Fonseca ainda cria desenhos e as suas obras, os seus desenhos, são transformados em produtos como cartões, quadros, irmãs, marcadores de livros, canecas. Com todo esse talento, perseverança e garra, a paralisia cerebral, nunca foi um obstáculo. Ela desenvolveu uma técnica e utiliza os pés para desenhar e escrever.

Em 2013 foi lançado o segundo livro de nossa poeta “Pensamentos para o vento”. Este livro foi na realidade o trabalho de conclusão do Curso de Design Gráfico pela UEMG.

“Meu segundo livro, ‘Pensamentos para o vento’, fez parte do meu trabalho de conclusão de curso em design gráfico. O trabalho editorial e as ilustrações são de minha autoria. Amei trabalhar nesse livro, em pensar em cada detalhe. Um sonho! Que o vento leve esses poemas para que outros possam viajar nesse mundo que criei”.

Sinopse

O livro Pensamentos para o vento é um diário de sentimentos, escrito em forma de poemas de uma menina que cresce e vê o mundo de outro modo com o passar de cada vivência. Os poemas relatam os desejos, as ilusões, momentos que me mostraram  que o amor se transforma, o perceber que a vida é uma eterna metamorfose, o quão efêmero é cada vivência e que cada momento é único. A obra é uma visão isolada de mundo, um querer voar, viver…

Como designer gráfico e ilustradora, a autora fez o projeto editorial e foram selecionadas em seu acervo as ilustrações adequadas ao conteúdo. Elas foram feitas a lápis, o que torna a obra mais pessoal e expressiva.

Criei a marca Feito com os pés que hoje tem o principal objetivo mostra que é possível estudar, trabalhar, ter uma vida feliz e bem perto do “normal” tendo somente um pouco de coordenação motora nos pés e muitas ideias na cabeça. Hoje minha arte é meu trabalho e minha inspiração para continuar nesse caminho, falando: “Sim, tudo é possível.”

Qual a relação do design com a poesia?

Nada… (hehe) Mas tanto o design como a poesia são subjetivos, o sentido está nas entrelinhas.

Como foi participar do FLI( Festival Literário Internacional) 2017?

Participei de inúmeros eventos… Em 2018 e 2019 participei de feiras pela cidade com meus produtos. Poesias e desenhos que viram mimos! As feiras foi o caminho que descobri para minha arte ficar sempre viva.

O FLI, em 2017, foi o primeiro, o pioneiro. Ele é um evento muito interessante de se ir,  pois dá oportunidades para escritores independentes mostrarem suas obras. Vi vários livros que me chamaram a atenção e realizei boas trocas com o meu livro, “Pensamentos para o vento”. Além disso tive a supressa de reencontrar ali o meu professor de faculdade, Mario Santiago, que demonstrou tamanha emoção ao me rever e eu fiquei muito alegre! Me correspondi com várias pessoas especiais no FLI, entre elas a minha amiga Thaissa.

Para você o que é a poesia e qual o seu papel na sociedade?

Para mim seu papel social é nos lembrar que somos sensíveis.

A poesia te ajudou a superar os obstáculos e suas limitações?

A poesia me ajuda a falar de sentimentos que muitas vezes ficariam guardados e angustiados.

Confira a história de outros poetas. Acesse o link abaixo:

https://libertasnews.com.br/category/sarau/

Por Elmo Gomes

Foto: Divulgação

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