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ME VI - exposição inédita de Renato Morcatti na Galeria de Arte BDMG Cultural

Esculturas, litografias e instalação de desenhos contam as lembranças dos lugares percorridos ao longo da vida

O desenhista e escultor Renato Morcatti, selecionado pelo programa de artes visuais Mostras BDMG, apresenta na Galeria de Arte BDMG Cultural a inédita “ME VI”. A abertura será realizada no dia 20 de julho, às 19h. A exposição estará aberta à visitação de 21 de julho a 30 de agosto, diariamente, de 10h às 18h, inclusive sábados, domingos e feriados. Às quintas, horário estendido, de 10h às 21h. O acesso é gratuito.

O conceito da exposição é apresentar a realidade, guiada pela emoção das lembranças dos lugares que encontramos ou estivemos ao longo da vida. “Este encontrar-estar significa se ver entre a arquitetura e a natureza, das regiões habitadas por matérias sólidas as construídas pela cultura do homem. Ambas neste tempo-espaço, causam ruídos na linha do horizonte da humanidade”, explica Renato.

Os visitantes vão conferir uma interessante diversidade de linguagens artísticas para observar essa realidade. Começando pelas esculturas da série Incólume, criadas a partir de entulhos recolhidos das ruinas de antigas construções da Serra da Piedade, e que se apoiam sobre esculturas de aço que remetem à arquitetura de três museus mais notórios do mundo: o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu de Arte de São Paulo e o Museu Nacional da Brasília. “Esses museus são marcos da arquitetura que configuraram as conformações do pós-modernismo, antes impensável, desmaterializando o binômio forma-função na arquitetura”, explica. O artista ainda deixa uma reflexão com as obras: “será que esses museus se tornarão ruinas de uma arqueologia futura”?

As litografias de Morcatti, da edição Pináculo, por sua vez, apresentam desenhos iconográficos das montanhas de Minas Gerais, como um elo de transposição entre as paisagens mineiras e do Rio de Janeiro. Uma escultura de barro, que representa a forma orgânica e tentacular do cacto xique-xique, característico das restingas fluminenses, faz a função de uma bússola, que permite cruzar os vales, grotões, planícies e abismos do tempo.

Para completar, Anda! Volta lá, volta já, uma instalação de desenhos com as formas da serras mineiras em dimensões variadas, produzidos pela multiplicação de gestos gráficos a grafite e carvão sobre papel. “Este trabalho tem como impulso a perda do alento do poeta Carlos Drummond de Andrade em ‘Triste Horizonte’, de 1976, onde o autor expõe a escolha de jamais retornar à Belo Horizonte”, afirma Morcatti. E assim o poeta o fez até a sua morte, em 1987. “Ele sentiu a descaracterização urbanística, social e política. Foi o fator que alterou drasticamente a visão das serras que circundam a capital e que resguardam a cidade”, completa.

Os desenhos são o resultado de anotações e rascunhos das caminhadas que Renato Morcatti fez nas serras do Curral, do Espinhaço, da Moeda, do Caraça e da Piedade, buscando no mar de montanhas que contornam BH, a noção de limite versus infinito. “A serra desenhada pode ser apenas uma face de uma montanha fatiada”, finaliza.

Saiba mais sobre o artista:

Natural de Belo Horizonte, Renato Morcatti vem da prática da argila, da gravura e dos materiais diversos. Graduado pela Escola Guignard, da UEMG, foi residente no ateliê dos artistas Marco Tulio Resende e Thaïs Helt, onde experimentou técnicas da litografia a escultura. Participou de projetos de exposições, entre eles, do artista Nuno Ramos, e da coletiva de Amílcar de Castro, Marco Tulio Resende e Thaïs Helt. Morcatti foi premiado na XVI e XV Mostra Interna da Escola Guignard e realizou exposições na capital mineira e em outros estados, como Rio de Janeiro e Brasília.

Foto: Vicente de Mello

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