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Anna Campos em cartaz com “Death Lay – na vida tem jeito pra tudo”
Espetáculo reflete sobre o direito de viver e de morrer, ao trazer a história real de duas mulheres: mãe e filha, unidas e separadas pelo estado vegetativo de uma delas e que nos sonhos e delírios voltam a se comunicar
Há 10 anos, Valéria Vieira, mãe da atriz Anna Campos, foi atropelada, aos 65 anos, quando ia para sua festa de aniversário e, desde então, se encontra em estado vegetativo permanente, sendo alimentada por uma sonda gastrointestinal. A partir de relato autobiográfico, a atriz reflete sobre o direito de viver e de morrer com dignidade no Brasil, no espetáculo “Death Lay – na vida tem jeito pra tudo”, novo trabalho do Grupo Oriundo de Teatro. A montagem, que fez estreia em abril deste ano, no CCBB BH, com sucesso de público, entra em cartaz no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, nos dias 22 e 23 de julho (sexta e sábado), às 20h. Os ingressos custam R$ 30,00 (inteira) e R$15,00 (meia). Vendas pelo site Eventim (https://www.eventim.com.br/artist/death-lay/) e na bilheteria do teatro.
Lay – na vida tem jeito pra tudo” é o primeiro solo de Anna Campos e marca o seu retorno aos palcos após 10 anos sem entrar em um processo criativo teatral, em virtude do acidente com sua mãe. “Estreamos no CCBBH com oito apresentações, em duas semanas seguidas, e casa cheia. Pessoas que não puderam ir à estreia me perguntam quando o espetáculo volta em cartaz, pois querem muito assistir. Esse retorno é muito gratificante, afinal, a história que me fez estar longe dos palcos, agora, me fez retornar para contá-la”, diz a atriz.
Anna Campos pondera que existe uma dificuldade grande de falar com ética sobre o direito de viver e de morrer, entretanto, no espetáculo, ela não expressa uma opinião conclusiva, mas o seu meu ponto de vista sobre a convivência com sua mãe, sobre questões legais, sentimentais e religiosas. “Em cena, pergunto: vocês enxergam essas pessoas? A religião enxerga? O Estado? Existe um tabu muito grande em se falar sobre o assunto e um abandono ainda maior do poder público. As pessoas não têm a real dimensão do que é estar ao lado de alguém em estado vegetativo permanente, que vai passar o resto da vida sob sua responsabilidade”, reflete.
No palco, enquanto Anna Campos busca um ‘death lay’ perfeito, sua mãe é uma presença ausente. Na trama, a atriz divide a cena com um mastro de pole dance e com uma boneca - criada pelo artista plástico Eduardo Félix do Pigmalião Escultura que Mexe, e que traz, em tamanho real, as feições da mãe da atriz. Duas mulheres em suspensão entre a consciência e a inconsciência, entre a realidade e a ficção. A vida e a morte. Mãe e filha unidas e separadas pelo estado vegetativo de uma delas. “Death Lay significa morte no leito e é um movimento do pole dance, de alta complexidade. Você se mantém presa no topo do mastro, somente pela força da coxa. É perigoso e arriscado, exige muita força para manter o tronco ereto e não cair”, explica a atriz que há 11 anos pratica o esporte.
O espetáculo lança mão, ainda, de “documentos-memórias” – áudios, fotos, vídeos e objetos pessoais – além de recursos do metateatro, que fundem tempos e espaços. “Tudo foi feito com muito cuidado. A situação envolve pontos que a sociedade brasileira parece não querer discutir”, explica o diretor Antonio Hildebrando. Ele conta que, para chegar à cena, foram muitas conversas, pesquisas sobre o tema, seleção de imagens, documentos e objetos pessoais de Anna e de sua mãe. “Muito choro e, também, algumas gargalhadas como quando ‘conhecemos’ a Dra. Aurora de Glasgow, personagem que certamente surpreenderá os espectadores”, garante o diretor que ainda assina a dramaturgia do espetáculo.
Anna Campos conclui que “o direito de morrer é um assunto que tem que entrar em pauta. Todos nós vamos morrer e a gente não sabe como vai ser esse processo. Aqui abrimos uma brecha para se discutir o direito de morrer com dignidade. Isso faz da peça algo universal, que pode tocar o público. Minha mãe não pode fazer essa escolha, mas mesmo consciente, em algum tipo de doença irreversível, ela não poderia, já que a legislação brasileira não permite”, afirma.
FICHA TÉCNICA
Atuação e Concepção: Anna Campos | Dramaturgia e Direção: Antonio Hildebrando | Assistência de Direção: Isabela Arvelos | Confecção de Boneca e Figurinos: Eduardo Felix | Trilha Sonora: Luís Rocha | Música Lágrimas de Rio: Isabela Arvelos | Músicas I'm gonna fly e Tema Artes Cênicas Mês a Mês: Tatá Santana | Desenho de Luz: Enedson Gomes | Cenotécnica: Ivanil Fernandes | Preparação Vocal: Isabela Arvelo | Vídeo-arte e Designer gráfico: Fabiano Lana | Manipulação: Isabela Arvelos | Consultoria de Manipulação: Liz Schrickte | Confecção Máscara: Rafael Bottaro |Mas ficamos de decidir .| Assessoria de Imprensa: Rizoma Comunicação e Arte | Comunicação: Uma Assessorias | Coordenação de Produção: Enedson Gomes | Produção Executiva: Enedson Gomes e Isabela Arvelos | Produção: OLÁ | Realização: Grupo Oriundo de Teatro.
SERVIÇO: “Death Lay – na vida tem jeito pra tudo”
22 e 23 de julho (sexta e sábado), às 20h
Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2244, Lourdes – BH/MG
Classificação indicativa 14 anos | Gênero: Drama
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$15,00 (meia)
Vendas pelo site Eventim (https://www.eventim.com.br/artist/death-lay/) e na bilheteria do teatro.
Mais informações: (31) 3516 1360
Foto: Guto Muniz
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