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Em novo formato digital, Quarta Queer chega à 5ª edição a partir de 15 de julho
Mostra permanente de artes idealizada pela Plataforma Beijo em parceria com Companhia de Teatro Luna Lunera, traz conversas online com artistas LGBTQIA+ e bingo-performance
A arte como uma ferramenta de expressão poderosa e essencial para a construção de narrativas que podem tanto reforçar quanto quebrar paradigmas. A possibilidade de troca pelo meio digital como fortalecimento diante um cenário de desesperança com a pandemia que assola o planeta. Partindo dessas inquietações, a mostra Quarta Queer está de volta, apresentando de 15 de julho a 26 de agosto de 2020, artistas LGBTQIA+ de Minas Gerais em uma programação que celebra a diversidade das manifestações artísticas queer em suas múltiplas possibilidades discursivas. A programação é gratuita e acontece em 4 quarta-feiras, através do Instagram da @quartaqueer e da @plataformabeijo.
Com curadoria de Cláudio Dias, da Companhia Luna Lunera, e de Igor Leal, da Plataforma Beijo, os encontros têm o objetivo de ampliar a visibilidade da arte produzida por pessoas LGBTQIA+ para além dos seus públicos habituais, promovendo discussões acerca da arte que foge dos padrões heteronormativos e cisgêneros, e fazendo um recorte do panorama artístico-cultural LGBTQIA+ do estado. Nessa edição, Igor vai realizar conversas com as artistas convidadas Vina Jaguá, Aisha Brunno e Eli Nunes e, no encerramento, a BINGONA, bingo-performance com as artistas Will Soares e Cláudio Dias (DJ Papito), promete instaurar um ritual festivo e de celebração, mesmo num tempo de distância e isolamento.
No dia 15 de julho, na conversa com a artista e performer Vina Jaguá, serão compartilhadas as dúvidas e desafios artísticos no mundo de pandemias e a tentativa de encontrar outros potenciais para invenção de uma nova vida. A partir de suas vivências artísticas e também do coletivo Queerlombos de Ouro Preto, serão compartilhados verbos para desmontar, desfazer, não chegar a ser, não saber, na aposta de encontrar formas mais criativas e cooperativas de estar no mundo. Um movimento da derrocada a produções e experimentos audiovisuais entre corpos e tecnologias.
Com a atriz Aisha Brunno, no dia 29, a proposta busca gerar um espaço de magia como intervenção política e criativa. A conversa é ampla sobre os possíveis teatros e rituais cotidianos e afirma uma ideia de ação que visa provocar deslocamentos naquilo que já está pronto como realidade. Com os saberes que nossas avós nos ensinaram, dos chás às simpatias, e com nossas vozes, propõe-se a invenção de uma realidade no espaço virtual para tocar nos corpos, nas aparências, na guerra, na pobreza, nos preconceitos e na arte.
Já em 12 de agosto, com o dançarine e drag-king Eli Nunes, a conversa e troca navega nos cruzamentos entre movimento, corpo, mente, espiritualidade e tela, na produção de sentido das criações em tempos de pandemia. Dessa forma, conversaremos sobre os procedimentos de cuidado e fertilização da vontade criativa como modo de permanência e sobre as infiltrações na ordem hegemônica das produções da indústria cultural e de mercado, tudo isso com muita irreverência e afetação.
SOBRE QUARTA QUEER
Com primeira temporada realizada de junho a setembro de 2018 no Teatro Francisco Nunes, em 4 edições, a Quarta Queer surge com o objetivo de superar práticas recorrentes de esquecimento e silenciamento de saberes culturais de pessoas LGBTQIA+. Isto é, sujeitos que não comportam e compartilham da heterossexualidade dominante são impedidos historicamente de produzirem produzirem memória coletiva e social. As lésbicas, gays, bissexuais, as travestis, trans, intersexos, não binários e uma multidão queer produzem significados coletivos de forma a exercerem o direito de construir publicamente uma memória coletiva de sua existência, para romper o silêncio e o local clandestino de suas vidas. Nesta perspectiva, a Quarta Queer busca ativar as memórias LGBTQIA+ em tempos de pandemia. O evento é uma parceria da Plataforma Beijo com a Cia Luna Lunera.
SOBRE PLATAFORMA BEIJO
A Plataforma BEIJO é uma frente artística-política de resistência à norma heterossexual e cisgênero formada por diferentes artistas LGBTQIA+ de Belo Horizonte e Grande BH (MG). Temos como objetivo promover trabalhos artísticos que friccionam as dimensões estéticas, éticas e políticas em sua linguagem. Em atividade desde 2014, quando promoveu uma performance contra a violência sexual no Carnaval de Belo Horizonte, a Plataforma tem em sua trajetória a cenas curtas “Não Conte Comigo Para Proliferar Mentiras” (2015), “Minha História Que Nunca Vi” (2017), e os espetáculos “Espécie” (2017) e “Projeto Maravilhas” (2018), além das estreias previstas para 2021 de “Escapulário” e “Em Cura: Poéticas de Afeto nos Tempos de Destruição”. A Plataforma BEIJO também é a realizadora de outros projetos no carnaval mineiro como a Marcha da Diversidade (2016) e a Fecha a Santa (2017, 2018 e 2019), além de eventos que reúnem a comunidade LGBTIQ como a Afazeres Queers - Arte Viada no Centro (no Teatro Espanca!) e a Quarta Queer (no Teatro Francisco Nunes).
SOBRE CIA LUNA LUNERA
A Cia Luna Lunera é considerada uma das companhias de destaque na cena teatral brasileira. Seus trabalhos são fruto da pesquisa continuada e do diálogo com outros criadores contemporâneos do teatro, da dança, da música e das artes visuais. Ao longo de vinte anos de trajetória, a Cia já produziu sete espetáculos, com ampla repercussão nacional, que propõem ao espectador reflexões sobre temas e conflitos pertinentes à vida contemporânea. Com eles, vem circulando por todo o território nacional e em países como Argentina, Chile, Colômbia, México e Portugal
Foto: Divulgação
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