Notícias

Curta Circuito inicia programação especial sobre o cineasta Afrânio Vital com sessão comentada, do longa Anjos e Demônios, pelo produtor Francisco Marques

Para fechar a programação comemorativa, Afrânio Vital irá ministrar uma masterclass gratuita no dia 15 de agosto no Cine Humberto Mauro; inscrições podem ser feitas até 10 de agosto no site www.curtacircuito.com.br

Os meses de julho e agosto encerram a programação de 2017 do Curta Circuito - Mostra de Cinema Permanente. Como tema deste último bimestre, a curadoria escolheu homenagear um importante representante do cinema nacional, o diretor Afrânio Vital, um dos poucos cineastas negros do país. Serão quatro sessões especiais sobre ele, começando com a exibição do longa que marcou o início de sua carreira, Anjos e Demônios (1970), dirigido por Carlos Hugo Christensen, com Vital e Francisco Marques na assistência de direção. Marques estará presente na sessão de abertura, que acontece na próxima segunda-feira, dia 17 de julho, às 20h, no Cine Humberto Mauro, e participará de um bate-papo com o público. Como sempre,  a entrada é franca com ingressos distribuídos na bilheteria do cinema 30 minutos antes da exibição.

 

Depois de homenagear os cineastas Carlo Mossi e Alfredo Sternhein, o Curta Circuito termina a programação do ano com uma mostra especial sobre Afrânio Vital. A curadora Andrea Ormond justifica a escolha. “A vida de Afrânio Vital por si só, já daria um filme: migrante do interior, criado na favela do Esqueleto, marcado pela tragédia, encontrou na arte e no estudo sua chance de sonhar um futuro melhor. Um dia bateu na porta da casa de Christensen e conversaram sobre cinema e literatura. Conseguiu uma chance para trabalhar na técnica do clássico “Anjos e Demônios”, e daí para diretor premiado, amigo de Khouri e Rubem Biáfora, foi questão de tempo.”  

Anjos e Demônios l Carlos Hugo Christensen, RJ, 1970, 90'
Uma jovem rica se junta a um malandro precoce em sexo e embalos na base de entorpecentes. Induzido pela garota, o advogado da família milionária arma um plano para se apoderar da fortuna do tutor dela.
 

*Bate-papo após a sessão com o produtor Francisco Marques.

 

Sobre Afrânio Vital
Nascido em 1948, na pequena Bom Jesus do Itabapoana, pode-se dizer que Afrânio Vital viveu muitas vidas até chegar à atual, de 2017. Fazem parte dessa trajetória os dramas pessoais e as conhecidas barreiras “invisíveis” – fruto do racismo que Afrânio compara ao Homem Invisível, de Ralph Ellison. O fato é que Afrânio Vital se deu o direito de ser khouriano, freudiano, filósofo, jazzista e todas as cartadas que o cinema brasileiro oficial jamais esperaria. Sem bandeiras sociológicas, Afrânio atendeu a um chamado particular, como a verdadeira esfinge negra de que fala Carlos Ormond, seu biógrafo. Dirigiu 15 curtas-metragens e três longas, misturou sexo, angústia e bom humor. Além de cineasta, Afrânio cursou duas universidades, tornando-se professor de filosofia e bacharel em Comunicação Social.

 

Sobre o Curta Circuito
Durante sua trajetória, iniciada em 2001, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, conseguiu reunir um público de mais de 72 mil pessoas, que estiveram presentes em quase cinco mil sessões. A mostra, dirigida desde 2016 por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. Em 2017 a curadoria passou a ser feita pela crítica de cinema e autora do blog Estranho Encontro, Andrea Ormond. Tendo já atuado em 18 cidades dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará, a mostra atualmente está presente em Belo Horizonte, onde tem como “sede” de suas exibições no Cine Humberto Mauro, e comemora a volta para os município mineiros de Montes Claros e Araçuaí. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, Nelson Xavier, Darlene Glória entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando na restauração de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM-RJ. A iniciativa recebeu Mention do D'Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.

Em 2017, o Curta Circuito voltou a ter sessões no interior do estado, nas cidades de Montes Claros e Araçuaí. Confira a programação completa no site oficial da mostra www.curtacircuito.com.br

 

Foto: Divulgação

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.