Notícias
Quartatela, novo coletivo teatral de BH, estreia Eclipse Solar na Funarte MG em 18 de julho
Peça tem direção do cineasta Ricardo Alves Jr e investe no diálogo entre teatro, cinema e música para refletir sobre os atravessamentos políticos e afetivos do nosso país
Uma reunião de atrizes e atores que atuam em música, dança, cinema, literatura e educação, investigando o teatro em diferentes linguagens. Assim se define a Quartatela, novo coletivo de teatro de Belo Horizonte, que estreia, no próximo dia 18 de julho, o espetáculo Eclipse Solar, na Funarte MG. A peça, que segue em cartaz até o dia 21 deste mês, conta com a direção de Ricardo Alves Jr, cineasta mineiro premiado em Cannes, que trabalhou com as jovens artistas da Quartatela na montagem do novo trabalho, reunindo teatro, cinema e música para discutir questões políticas e afetivas do nosso tempo.
A Quartatela surge do encontro de artistas que se formaram no Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart) do Palácio das Artes/Fundação Clóvis Salgado, num período delicado para o ofício da arte em nosso país. Carência de patrocinadores na área da cultura, cortes de investimentos públicos no setor, além de uma forte desvalorização do teatro enquanto profissão, são desafios que levaram o coletivo a se oficializar em 2019, entendendo a necessidade desse encontro como força para a manutenção do teatro de grupo na cidade, uma das tradições da cena mineira desde a consolidação do Grupo Galpão e de outros mais recentes, como Luna Lunera e Grupo Espanca, todos com artistas oriundos do Cefart.
Além disso, a motivação para a formação da Quartatela se dá pela forma como a pesquisa em teatro do grupo quer se conectar com os novos públicos, tomados pelas redes sociais e pelas novas tecnologias. Em “Eclipse Solar”, o elemento vídeo tem gravação e transmissão ao vivo, utilizando a linguagem da projeção para trabalhar um teatro de cinema, com uso do primeiro plano, de forma que o público veja o máximo de expressão das atrizes e dos atores no palco. A linguagem cinematográfica está também nas luzes, na espacialização e na utilização sonora, além da projeção de vídeos, apresentados como uma espécie de cartas para o futuro que se conectam, também, com o presente.
Com dramaturgia de Germano Melo, a montagem retrata, por meio de uma narrativa fragmentada, o cotidiano de uma cidade imaginária, a Cidade dos Exilados, para onde acorrem expatriados ávidos por preservar a liberdade do pensamento, dos corpos e da imaginação. São pessoas que esperam um acontecimento extraordinário, o eclipse total do sol, enquanto divagam sobre a existência e o desejo de ser. A palavra se constitui como parte do tecido dramatúrgico, juntamente com canções e imagens, para criar o retrato de uma juventude que perde a inocência ao constatar a fatalidade trágica.
O espetáculo faz ainda uma referência visual e sonora à década de 1980, com canções como “Total Eclipse of the Heart” (Bonnie Tyler), “I Love to Love” (Tina Charles) e “I Feel Love” (Donna Summer). Esse período foi escolhido pela sua possibilidade de vislumbre de um mundo democrático, com a queda do muro de Berlim e regimes autoritários em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. Trata-se de uma era da liberdade de expressão, da liberdade sexual, dos corpos bailando ao som da disco, da consolidação do rock como gênero musical e modo de vida. Mesclada à trilha sonora mecânica, as atrizes e atores também interpretam grande parte das composições ao vivo. A ideia é mostrar que, apesar de todos os desafios enfrentados pela arte e nossa cultura, ainda há espaço para celebrar. Mesmo diante da maior adversidade, ainda é possível transformar dor e angústia em potência de vida.
O espetáculo Eclipse Solar segue em cartaz de 18 a 21 de julho, na Funarte MG. Quinta e sexta às 20h, sábado e domingo com sessões duplas às 18h è as 20h. Os ingressos custam R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada). Em função da temporada especial de lançamento da Quartatela, todo o público têm direito ao valor de meia-entrada para o evento. Para isso, basta comprar o ingresso diretamente no site do Sympla (https://bit.ly/2Xt0ANp) ou através de uma lista amiga nas redes sociais do coletivo, para retirada na bilheteria da Funarte MG. Eclipse Solar já tem nova temporada prevista em BH para o segundo semestre de 2019, no Teatro Francisco Nunes, e no Rio de Janeiro, na programação oficial do Festu 2019.
SOBRE A QUARTATELA
A Quartatela é uma reunião de atrizes e atores que atuam em música, dança, cinema, literatura e educação, investigando o teatro em diferentes linguagens. O grupo surge em Belo Horizonte, no Curso de Teatro do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes. Formado pelas artistas Bremmer Guimarães, Caroline Cavalcanti, Eduarda Fernandes, Gabriela Veloso, Lorena Fernandes, Lucas Nicoli, Marianna Callais, Paula Amorim, Pedro Lanna e Rafael Batista, o grupo é composto por atrizes e atores com formações em múltiplas áreas, buscando as conexões entre teatro, cinema e música em sua pesquisa de linguagem.
Ainda no Cefart, o grupo apresentou o espetáculo de formatura ”Há Algo de Podre no Reino da Dinamarca”. Com direção de Rogério Araújo (Grupo Armatrux) e dramaturgia de Vinícius Souza (Janela de Dramaturgia), a peça estreou no Teatro João Ceschiatti, em cartaz do dia 28 a 15 de julho de 2018. O grupo foi também responsável pela inauguração, em dezembro de 2018, do Teatro João das Neves, da Fundação Clóvis Salgado, apontado como um novo espaço de resistência da classe artística da cidade. Eclipse Solar, com direção do cineasta Ricardo Alves Jr, lança o grupo profissionalmente e já tem apresentações previstas no 2º semestre de 2019, no Teatro Francisco Nunes, e no Rio de Janeiro, na programação do Festu.
SOBRE RICARDO ALVES JR
Formado pela Universidad del Cine em Buenos Aires. “Elon não Acredita na Morte” (2016), seu primeiro longa metragem, foi selecionado para a competição do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde recebeu o prêmio de melhor ator para Rômulo Braga, e exibido nos seguintes festivais internacionais: Festival de Cinema de Macau (prêmio de contribuição artística), Rotterdam, Cartagena, IndieLisboa, Bafici, entre outros. É produtor do “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos” prêmio do Júri da Un Certain Regards no festival de Cannes de 2018. “Vaga Carne” é seu último filme co- dirigido com Grace Passô, teve estreia como filme de abertura na mostra de cinema de Tiradentes 2019. Diretor dos curtas metragens “Material Bruto” (2006), “Convite para Jantar com o camarada Stalin” (2007), “Permanências” (2010), “Tremor” (2013) e “Russa” (2018), seus trabalhos participaram e foram premiados em diversos festivais nacionais e internacionais como: Competição Oficial do Festival de Berlim, Semana da Crítica do Festival de Cannes, Festival de Locarno, Oberhausen, Havana, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Festival do Rio, entre outros.
No teatro, dirigiu “Discurso do Coração Infartado”, projeto contemplado pelo prêmio Myriam Muniz da Funarte, que realizou temporadas nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Em 2014, dirigiu “Sarabanda”, livre adaptação do último filme de Ingmar Bergman, realizado pela Mostra Bergman-Instante de Eternidade da Fundação Clóvis Salgado. Em 2016 realizou a montagem da peça “Num Ano com Treze Luas” de Rainer Werner Fassbinder. Sua mais recente direção é a co-produção entre Brasil/Paraguai “Cine Splendid” em 2017, projeto contemplado pelo Iberescena, sendo apresentado no Festival MIRADA e no Sesc Ipiranga/SP.
SINOPSE
Na Cidade dos Exilados, um grupo de expatriados divaga sobre política, humanismo, pessimismo, tragédias pessoais, anseios, rancores e desejo de liberdade, enquanto aguarda um acontecimento extraordinário: o eclipse total do sol. Com uma narrativa fragmentada, entremeada por canções, imagens e performances, a peça evoca um tempo/espaço imaginário para abordar dúvidas e perplexidades sobre o futuro dos nossos dias.
Foto: Divulgação
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
