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Nem Secos apresenta Tropicália 50 Anos, no Teatro Bradesco

A Tropicália chega aos 50 anos em 2017 mais viva do que nunca. A revolução musical, estética e comportamental desencadeada por um grupo de artistas ousados no final dos anos 60 ainda influencia com sua liberdade criadora toda produção cultural brasileira.

Sexta, dia 21 de julho, às 21 horas no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244 – Lourdes) o grupo NEM SECOS, com o Show TROPICÁLIA 50 ANOS, celebra o movimento em grande estilo, tendo como convidados especiais vários artistas da atual cena mineira. Dividindo o palco com o Nem Secos, vão se apresentar Deh Mussulini, Dolly Piercing, Guilherme Ventura, Maíra Baldaia, Mayra Morais, Michelle Oliveira, Nobat, Robert Frank, Roger Deff e Sérgio Pererê.

O evento recebe ainda a exposição “Tropicália 50 Anos”, de alunos do Colégio Loyola com a curadoria de Amanda Lopes.

O ponto de partida é a Tropicália, mas fiel ao espírito tropicalista de unir linguagens e enveredar por novos caminhos, os artistas exploram todas as trilhas em que a explosão de criatividade dos anos de rebeldia deixou seus estilhaços. “É Permitido Permitir”, esse é o mote do Show.

NEM SECOS

“Qualidade musical aliada a um discurso potente e libertário.” Assim definiu o trabalho do Nem Secos o editor de cultura do Portal R7, Miguel Arcanjo Prado, destacando ser “uma das melhores coisas que a atual cena musical mineira produziu.”

Diversidade de sons e ritmos, união de linguagens artísticas, engajamento social, muita cor e animação no palco. Esses são alguns dos elementos que levaram o Grupo NEM SECOS, com seu espetáculo autoral, a ser escolhido entre milhares de concorrentes de todo o Brasil para integrar a programação oficial do Ministério da Cultura para a Copa 2014, além de outras apresentações de destaque, como no Conexão BH e em duas Viradas Culturais de Belo Horizonte.

Ainda em 2017 está previsto o lançamento pelo Nem Secos do CD autoral Anti-heróis Dançando a Vida, produzido por Augusto Nogueira e já prensado pela Lei de incentivo à Cultura.

A marchinha “Homem de saia”, finalista do Concurso Mestre Jonas em 2017, é mais uma iniciativa do Nem Secos no questionamento dos padrões de gênero, dando continuidade ao movimento iniciado com o clipe Nem Rosa Nem Azul, produzido pelo grupo e que reuniu 28 artistas da cena musical de BH.

O engajamento do Grupo em causas sociais e culturais não se reflete apenas nas letras das canções, que sintetizam a filosofia do Grupo: a autodeterminação das pessoas para conduzirem suas vidas com imaginação, contra todas as formas de opressão e preconceito. O Nem Secos ocupa ainda uma posição de destaque no fomento da vida cultural de Belo Horizonte com a atuação do Centro Cultural

Nem Secos, que por cinco anos produziu e apresentou mais de 300 shows de artistas da cidade com entrada franca para a população, além de oferecer à comunidade estúdio de gravação e ensaio, biblioteca e lan house gratuita.

TROPICÁLIA

No contexto da ditadura militar, a música brasileira se dividia entre a ultranacionalista canção de protesto, o iê-iê-iê adolescente da jovem guarda e as harmonizações elitistas pós bossa nova. A revolução estética e cultural tropicalista que revirou do avesso esse cenário foi fruto da ousadia e genialidade de artistas que desafiavam esses cânones estabelecidos: o grupo dos baianos que, além de Caetano Veloso e Gilberto Gil, incluía Gal Costa e Tom Zé, os jovens roqueiros paulistas dos Mutantes (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), o maestro Rogério Duprat e os poetas Torquato Neto e Capinam.

No disco manifesto do movimento, “Tropicália” ou “Panis et Circencis” aparecem todos os elementos que marcaram essa quebra de paradigmas: o resgate da tradição popular brasileira tida como brega, a fusão da MPB com as experimentações sonoras do rock psicodélico e arranjos orquestrais de vanguarda e letras multifacetadas que traziam imagens da cultura de massas na recriação alegórica de um País com valores e ideologias em choque.

O ano de 1968, marcado por conflitos e protestos libertários em todo o mundo, terminou no Brasil com a promulgação do AI-5, cassando os direitos individuais. Entre os presos e exilados no período estavam Gil e Caetano. O silêncio forçado que se seguiu desarticulou a Tropicália como movimento, mas a efervescência criativa e a revolução dos costumes que caracterizou a explosão tropicalista deixou marcas perenes, influenciando de forma decisiva a cultura brasileira.

Foto: Fernando Prates

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