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3ª Festival Camelo de Arte Contemporânea começa dia 15 com quatro exposições individuais, palestras e oficinas
Trabalhos de Érica Storer (PR), Esther Az (MG), Marcus Deusdedit (MG) e Thiago Costa (PB) serão expostos no Usina de Cultura, no bairro Ipiranga
A partir do dia 15 de julho vai começar a 3ª edição do Festival Camelo de Arte Contemporânea, que desta vez será realizado no Usina de Cultura, centro cultural da prefeitura de Belo Horizonte, localizado no bairro Ipiranga. Os quatro artistas, Érica Storer, Esther Az, Marcus Deusdedit e Thiago Costa foram selecionados via edital e tiveram seus projetos analisados pela comissão formada por Luiz Lemos, coordenador do festival e um dos fundadores da Casa Camelo, Gabriela Carvalho, uma das fundadoras da Casa Camelo e pesquisadora da Universidade do Porto, Brígida Campbell, professora da UFMG, e Marcel Diogo, artista selecionado na segunda edição do festival que aconteceu em 2021.
As quatro exposições contam com instalações, vídeos, objetos, pinturas, poesia visual e esculturas que compõem a diversidade de linguagens das obras expostas.
Érica Storer vai apresentar a mostra “Sonhe alto, trabalho muito - vá longe”. A mostra abrange uma instalação e dois vídeos. De organização minuciosa e intrincada, a primeira consiste na suspensão de estações de trabalho. Elevadas por cordas nas paredes do espaço expositivo, a instalação que nomeia a exposição traz à tona questões relacionadas ao modo em que lidamos com o trabalho. Lemos observa que Storer elege questões relacionadas ao trabalho cotidiano na mostra por vir e aponta: “Érica afirma em suas obras a relação do trabalho e do trabalhador, de uma maneira poética, incisiva e ao mesmo tempo ácida e incisiva destaca o modo em que lidamos com o trabalho em nosso dia a dia”, comenta o idealizador.
Os dois vídeos produzidos pela artista fazem parte da série “Rõm-ófice” concebida durante a pandemia e destaca uma quase indiferenciação entre os espaços da casa e do trabalho. “Num ambiente pequeno de um apartamento, uma pessoa aparece lanchando, imprimindo papéis e digitando alguma coisa no computador ao mesmo tempo. Ao lado, está uma bicicleta e a cozinha, tudo meio misturado”, acrescenta Lemos.
Esther Az também vai reunir instalação, objetos, escultura e pintura na exposição “Tudo enquanto há…”. A artista transita entre a palavra e a imagem, em obras que se valem de uma poética da construção. “Esther traz para dentro do seu trabalho uma memória afetiva e uma relação que ela tem, principalmente, com o ofício do próprio pai e mãe”, pontua Lemos. “Ela ergue monumentos vazios e que por vezes não leva a lugar nenhum. Parecem estruturas que estão por vir, ainda em construção”, reforça.
Marcus Deusdedit, com formação em arquitetura, transita entre o espaço pessoal e o público, a partir de obras que colocam em primeiro plano reflexões sobre história, questões raciais, memória e urbanismo. “Na mostra ‘Laboratório de Arquitetura Remixada’, por exemplo, Marcus vai expor uma instalação interativa em que ele reflete sobre suas vivências enquanto arquiteto preto, as dificuldades e incoerências do sistema”, explica Lemos.
Deusdedit também apresenta a série de fotografia digital, “Eu, arquiteto #fffffff”, que se baseia em autorretratos, nos quais ele aparece com o rosto coberto por um tecido branco. Nesse trabalho, o artista versa sobre identidade, dualidades e hibridismos.
Já em “Os radim de Brasília”, ele propõe uma narrativa ficcional a partir da apropriação de imagens documentais retiradas do arquivo público do Distrito Federal. Já em “Projeto executivo”, Deusdedit desenha sobre imagens clássicas, que reproduzem cenas do Brasil colônia, códigos da linguagem arquitetônica. Nesta série, ele chama atenção para a violência institucionalizada contra os corpos negros, ressaltando também a relação deles com os corpos brancos.
“Ele tarja as identidades dos corpos negros anulados pela escravidão e acentua as crueldades que estão evidentes ali. Acentua também as materialidades que estão em cada um dos trabalhos, e é sem dúvida uma obra difícil de ser vista, impactante”, comenta Lemos.
Thiago Costa traz a mostra “Igbaki” em que dialoga com os poemas visuais publicados por ele no livro “Obé - Poesias y Orikis”, calcado nas tradições orais da cultura yorubá. Igbaki é um neologismo e surge a partir da junção dos termos Igba (assentamento) e Ki (anunciação). Em parte de suas obras, Costa propõe um diálogo intersemiótico entre os poemas e a linguagem da escultura. Para produzi-las ele usa o ferro e a pedra como matérias-primas.
Além das esculturas, ele apresenta também vídeos e instalações. “A questão da ruína aparece também no trabalho de Thiago. Ele revisita diferentes histórias, desloca o olhar para outras memórias, o que permite uma abordagem crítica e política”, sublinha Lemos.
As quatro exposições ocupam o centro cultural Usina de Cultura de 15/07 a 10/09
Além das quatro exposições, a programação abarca palestras e oficinas voltadas a participantes de várias idades. “As oficinas serão presenciais e a ideia é oferecer atividades que possam atrair diferentes públicos, do infantil ao adulto”, afirma o artista e idealizador Luiz Lemos.
Durante a programação, ainda acontecerão 6 oficinas e 4 palestras com inscrições e informações no site www.festivalcamelo.com
Minibios:
Érica Storer (PR): Formada em Artes Visuais pela UFPR, é artista visual e educadora, formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná. Sua pesquisa poética transita entre a tradição da performance de longa duração, vídeo e instalação, como uma estratégia de criar ficções e constranger os acordos entre a ética neoliberal e o trabalho cognitivo contemporâneo. Entre suas principais realizações está a participação de exposições e festivais de performance nacionais e internacionais.
Na operação de suspensão dos escritórios, materializa-se as frases motivacionais que celebram a ascensão social pelo trabalho, como um lugar acima a ser conquistado. Todavia, ao pendurá-los no alto, outra condição é incorporada, a da queda.
Esther Az (MG): É uma jovem artista nascida em Contagem (MG) e que vive em Belo Horizonte (MG). Ela conta que seus pais a ensinaram a fazer coisas belas e poéticas com simplicidade e propriedade. A partir desse universo, a artista cria obras em diferentes técnicas, vasculhando suas histórias. Com objetos e lembranças pessoais e coletivas, sua produção é permeada por vivências, afetos e pela reconstrução do que nos foi apresentado como “o natural”, criando uma nova ordem de respeito pelo erro e de generosidade com a matéria
Esther Az é artista visual e ilustradora. Natural de Contagem, é formada em Artes Visuais pela EBA- UFMG, e, das mostras que participou, destaques para a exposição Má (Espaço Cultural Sesiminas) e a Residência Entre Nós (OÁ Galeria).
Marcus Deusdedit (MG): Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG, elabora questões em torno das possíveis atualizações da produção do campo da arquitetura e seus códigos informadas pelas estéticas pretas e periféricas. Fruto desta investigação é o RELAB (Laboratório de Arquitetura Remixada), trabalho de pesquisa continuada que abriga, digital e virtualmente as experimentações em torno deste processo que atravessam diferentes práticas e disciplinas, entre elas as artes visuais, o design, e as tecnologias digital-multimídia.
Thiago Costa (PB): É artista multidisciplinar que move e encruzilha linguagens, investigando as cosmopercepções das materialidades e suas manifestações entre imagem, palavra e som. Idealizador e curador da Mostra Moã de Cinemas Negros e indígenas em João Pessoa/PB (2021). Roteirista integrante do 4º Lab Negras Narrativas realizado pela Amazon Prime e APAN (2021). Integrou a exposição coletiva “Maria Carolina de Jesus – Um Brasil para brasileiros” com curadoria do Hélio Menezes e da Raquel Pacheco no Instituto Moreira Salles – IMS. Exposição individual BANZO no Museu Murillo La Greca em Recife/PE com curadoria de Ariana Nuala (2019). Co-curador da exposição coletiva “A deriva da memória” no Parque Cultural Casa da Pólvora em João Pessoa (2019). Participou do 16º Salão de Artes Plásticas da Paraíba – SAMAP no Casarão 34 em João Pessoa/PB (2019). Exposição coletiva “Magia Negra” com curadoria do Tiago Sant’ana no Goethe Institut em Salvador/BA, entre outras.
CASA CAMELO
A Casa Camelo é uma iniciativa independente que organiza e realiza projetos na área de Artes Visuais em Belo Horizonte desde 2011. Atuando como proponentes, gestores e produtores de projetos culturais autorais com foco no fomento e na difusão da produção artística emergente em Belo Horizonte e, também, em parcerias firmadas com projetos e instituições.
Serviço: 3ª edição do Festival Camelo de Arte Contemporânea
De 15/7 a 10/9, no Usina de Cultura (R. Dom Cabral, 765, Ipiranga)
Visitação: de 3ª a 6ª-feira, das 9h às 19h; sáb., das 9h às 17h.
Entrada gratuita
Foto: Esther
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