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TAU 2019: execução das obras começa no dia 12 de julho, em BH

Na segunda edição do projeto, 19 artistas vão intervir em 12 espaços dos bairros Santa Tereza e Horto, ampliando o conceito de arte na rua; plural e democrática, programação apresenta grande variedade de linguagens, suportes e materiais

Começa no dia 12 de julho a execução das obras do TAU – Território Arte Urbana, mostra de intervenções de artes visuais que acontece nos bairros Santa Tereza e Horto, na Região Leste de Belo Horizonte. Na segunda edição do projeto, que vai até dia 21 de julho, foram selecionados 17 artistas individuais e uma dupla, somando 19 artistas de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, que realizarão trabalhos de diferentes suportes e linguagens – tais como pintura, graffiti, instalação, escultura, lambe-lambe e fotografia.

Ao todo, serão produzidas 18 obras em doze espaços distintos, formando um circuito artístico a céu aberto que culminará na Praça Joaquim Ferreira da Luz (Rua Conselheiro Rocha, 2.845), onde acontecerão outras sete obras no muro do metrô que circunda a parte baixa de Santa Tereza. Os trabalhos ficarão expostos para visitação do público de 21 de julho a 1o de setembro.

Assinada por Binho Barreto e Karina Felipe, que participaram da primeira edição do TAU como artistas, a curadoria deste ano teve como norte a diversidade de técnicas e a adequação aos espaços escolhidos para o desenvolvimento dos trabalhos. Quem passar pelos locais durante o festival poderá acompanhar os artistas realizando ao vivo suas obras.

Sobre os artistas e espaços

O mineiro Skap leva para o Hostel Trem Azul a obra “Voo de Peixe”, uma pintura em grande escala que utiliza técnica de estêncil para retratar conceitos de um universo fantástico e livre. Já Laura Loli traz para o Bar du Pedro elementos gráficos e pictóricos através de seres híbridos em movimento entre serra e mar, celebrando a natureza e brincando com tabus sobre o feminino, o masculino e a sexualidade. Bruna Lubambo, por sua vez, presenteia o Bar Temático com um grande caça-palavras que remete ao imaginário belo-horizontino, criando um “mural-passatempo” em que cada letra será pintada à mão em ladrilhos lambe-lambe.

Veja a mini-bio dos artistas selecionados no arquivo anexo

Catapreta prepara, para o Bar Bocaiúva, um painel em homenagem aos malandros, entidades cultuadas na Umbanda e no Catimbó e ligadas à vida noturna e à boemia. A dupla paulistana Clarissa Caldeira e Marina Avarani vai intervir na Zona Last, criando um painel que utiliza cores e luz, simetria, tridimensionalidade e profundidade, gerando efeito óptico e alterando a percepção dos transeuntes. Já o artista paulistano Urso realiza, no Bar Santa Boemia, uma pintura em estêncil que retrata o gato como ser permanente de todas as bitacas, seja ele humano, animal, amor ou canção. Também de São Paulo, Jan Nehring, com sua "colagem tridimensional", utiliza materiais de descarte encontrados em Santa Tereza para criar uma obra site-especific que mostra as belezas que podem ser encontras até mesmo no lixo.


Na fachada no Roupas Online Shop, a mineira Rizza Furtelli realiza uma instalação que vai utilizar filetes de espelhos, acompanhando a arquitetura do local e refletindo seu entorno ao causar diferentes possibilidades de iluminação entre dia e noite. Natural da Bahia, Sol Kuaray vai criar, no Ohana Petshop, uma instalação com diferentes plantas que dialogam com o meio em que estão inseridas, juntamente à pintura em azulejos e à reprodução de suas imagens em lambes, criando uma arte viva e sensível. O conterrâneo Alex Oliveira, de Jequié (BA), vai criar um estúdio improvisado em frente à Bitaca da Leste, convidando moradores e passantes de Santa Tereza a produzir foto-performances. No Bar Casa da Esquina, o mineiro Thiago Trópia mescla pintura digital e tradicional, estêncil, muralismo e aquarela para homenagear nomes da música que são inspiração para ele e para o espaço.

Entre os sete artistas que farão intervenções de muralismo e graffitti no muro do metrô estão Helder Cavalcante, que traz a influência do ambiente urbano e de sua arquitetura na criação de imagens feitas com suportes coletados em ferro velho. Com uma pintura repleta de texturas, Zé D Nilson apresenta leitura singular do cotidiano das ruas de BH, enquanto Caio Ronin pinta fragmentos que representam as situações cotidianas como a causa e o efeito, a inércia e a magia. Em seu trabalho crítico e poético, Bel Morada vai transitar por lugares imaginários, entre criaturas e mundos cheios de mistério, do desenho à colagem.

O mineiro Spunk contesta, por meio da tinta escorrida, a insuficiência dos percentuais numéricos do mundo cibernético e a distinção entre usuário e viciado digital. Baiana residente em BH, Ártemis Garrido homenageia Maria, mulher negra que já esteve em situação de rua e teve o muro do metrô como improviso de casa, ajudando-a a criar um espaço de proteção e privacidade. Fechando a equipe, Jão Gabriel busca na negritude e na ancestralidade combustíveis para a realização de um trabalho inspirado em narrar vivências, mistérios e sensibilidades negras.

Sobre o TAU 2019

Com uma programação diversa e democrática, o TAU 2019 visa contemplar um público de diferentes gerações, trazendo a ocupação do espaço público como exercício de cidadania, encontro e pertencimento. Outro ponto forte do projeto é o apreço pela criação de redes e convivências. Assim, este ano alguns dos artistas que participaram da primeira edição foram convidados para atuar novamente no festival, agora cooperando como oficineiros, curadores e até mesmo refazendo obras que foram depredadas prematuramente.

A programação desta edição será realizada na rua e contará com atividades como a “Oficina de Pandeiro para Mulheres”, “Cinema na Rua” (com exibição de filmes e documentários), “Oficina de Bordado Urbano” (para pessoas acima de 60 anos), “Oficina de Grafitti para Adolescentes”, chorinho com o Regional da Serra, além de visita guiada com tradutora de libras, acompanhando todo o percurso, e material descritivo das obras, que será disponibilizado em braile em todos os espaços que participarão do festival.

“Em 2019, a proposta foi trazer ainda mais para perto o conceito de arte na rua, tendo-o como linha condutora de toda a programação e a conceituação curatorial. Esse recorte nos permite ver a arte urbana não só no lugar de algo que embeleza, mas que altera e perpassa o cotidiano. A relação da humanização da arte, no que se refere ao que temos como poético em nosso entorno, e os processos e técnicas para a criação das obras, também traçaram a linha de trabalhos para 2019. Temos uma variedade ainda maior de texturas e técnicas para atravessar o cotidiano das pessoas”, explica Gisele Milagres, idealizadora do projeto.

A iniciativa é da Mercê Soluções Culturais, formada por Gisele Milagres, Gustavo Ruas e Maria Carolina Campos. O projeto promove um espaço de experimentação para artistas em busca de novos desafios, fortalecendo o movimento da arte na rua em Belo Horizonte e sua relação com a cidadania e a ocupação do espaço público.

O TAU – Território Arte Urbana é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e tem o patrocínio do Instituto Unimed BH. O projeto conta ainda com o apoio da Diretoria de Patrimônio Cultural de Belo Horizonte e da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

Sobre os curadores

Binho Barreto é artista visual, participa de projetos interdisciplinares e desenvolve pesquisas com desenho e processos digitais. É ilustrador, cartunista, muralista, pintor e professor. Publicou os livros Perímetro urbano (sobre sua trajetória com o graffiti) e Comboio (literatura infantil). É formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard/UEMG e é doutorando em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG. Participou das residências artísticas RAM5 (Altamira, MG) e Agora International Art Action (na Sérvia). Já expôs em mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Vive e trabalha em Belo Horizonte.

Karina Felipe é artista visual, idealizadora e curadora do Cinebicudo e também coordenadora e educadora do Instituto de pesquisas Tapioca. Integra a comissão de produção e curadoria da Residência Artística da Mutuca (RAM), Altamira (MG).

Instituto Unimed-BH

Associação sem fins lucrativos, o Instituto Unimed-BH, desde 2003, desenvolve projetos visando ampliar o acesso à cultura, estimular o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, valorizar espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou R$94 milhões ao setor cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo patrocínio de mais de 5.000 médicos cooperados e colaboradores. No último ano mais de 1,4 milhão de pessoas foram alcançadas por meio de projetos de cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura. Saiba mais em www.institutounimedbh.com.br.

Foto: Larissa Conti

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