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Violência contra mestiços é exposição inédita no Palácio das Artes até 13 de agosto
Éder Oliveira é representado pela galeria mineira Periscópio e apresenta 30 pinturas de nove séries, denunciando como descendentes de negros e índios são retratados nas páginas de violência nos jornais do Pará
A inédita exposição “Pintura – ou a Fotografia como Violência” em Minas Gerais, revelando como a população paraense, amplamente negra e mestiça é retratada nas páginas policiais dos jornais, está na Galeria Genesco Murta, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, de 12 de maio a 13 de agosto. O artista paraense Éder Oliveira, 35 anos, foi selecionado pelo edital de ocupação de artes visuais da Fundação Clóvis Salgado (FCS) sobre trabalhos que investigam tensões sociais da contemporaneidade. A exposição conta com 30 pinturas, divididas em nove séries, denunciando como o povo mestiço - grande parte da população, conclusão de pesquisa para investigar pessoas anônimas representadas pela mídia, iniciada em 2004.
Éder Oliveira é representado pela galeria mineira Periscópio e expõe pela primeira vez no Palácio das Artes, acreditando que suas obras provocarão uma reflexão junto aos mineiros. “Espero que as pessoas consigam avaliar as imagens e o momento que vivemos, quando tudo parece tão virtual e pronto. Às vezes, colocamos um olhar perverso sobre a sociedade. Acredito que a arte tem o poder de nos estimular a olhar mais para o lado e perceber problemas e situações entorno”, afirma.
As pinturas representam pessoas que ganharam destaque nas páginas policiais de jornais no Pará. A obra vai além de retratar rostos sem nome, instigando o visitante a enxergar as figuras fora do contexto em que vivem. O trabalho apresenta as figuras deixando uma situação de vulnerabilidade ou crime para assumirem um protagonismo artístico.
O diretor da galeria Rodrigo Mitre conta que o fascínio pelos retratos e a curiosidade por rostos desconhecidos inspiraram Éder Oliveira. A exposição apresenta as séries Arquivamento, Pintura mural, Fotografias Intervenções, Cenas singulares, Monocromos, Autorretrato vermelho, Galeria de Gatunos e Páginas vermelhas. “Éder mora em Belém e é daltônico. O processo de criação dele envolve, primeiramente, o estudo de uma imagem específica impressa no jornal, sendo o retrato de um indivíduo ou um grupo de pessoas. Ele representa e resignifica a imagem com técnicas de pintura, como óleos sobre tela, aquarelas e pintura mural. Usa blocos de cores que mais chamaram atenção no processo de pesquisa. Tons em vermelho e marrom, principalmente, estão em evidência em quase todas as séries”, conta.
Éder Oliveira diz que não enxerga algumas cores, mas é possível perceber o padrão de certas imagens no jornal, sendo mais fácil trabalhar com claro e escuro que com cores reais. Ele faz vários tons de vermelho, como se fizesse de claro para escuro ou escuro para claro. Ele acredita que o uso de cores convencionais é um pouco mais complicado, mas acaba lidando com essa perspectiva de fazer algo naturalista, realista.
O artista explica que a pesquisa evidenciou como a estrutura das editorias de polícia dos jornais torna a imagem das pessoas mera ilustração. O retrato também é um símbolo de status social e preferiu fazer uma coisa avessa para contradizer. Ele pesquisou imagens de pessoas aleatórias e se deparou com as fotografias, observando que, nos jornais, havia somente um tipo de etnia em destaque - o mestiço resultante, principalmente, de negros e indígenas - e nas páginas policiais são os únicos lugares que essas pessoas foram retratadas.
Os projetos selecionados pela Fundação Clóvis Salgado consideraram as obras que valorizaram a arte contemporânea, refletindo o momento de tensões sociais vividos atualmente no mundo. O edital já é uma iniciativa consolidada como um evento de destaque no cenário artístico nacional para fomentar a produção artística contemporânea no Brasil. Os artistas recebem R$4.000 como prêmio para a montagem das exposições. Artistas como Adriana Maciel, André Griffo, Bete Esteves, Marcelo Armani, Nydia Negromonte e Ricardo Homen já tiveram seus trabalhos contemplados em edições anteriores do Edital. A comissão de seleção dos inscritos foi formada por Daniel Toledo, pesquisador e crítico em artes visuais; Manoel Macedo, galerista; e Marcos Hill, artista plástico, pesquisador e professor da UFMG.
Foto: Divulgação
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