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Série “Resíduo”, dirigido por Marília Rocha, estreia no Canal Brasil em 4 de julho; projeto traz à cena trajetórias de pensadoras negras e escritoras inspiradoras
Os primeiros episódios recordam as trajetórias das intelectuais negras Beatriz Nascimento e Stella do Patrocínio, enquanto os últimos resgatam a memória de Patrícia Galvão e Henriqueta Lisboa
A minissérie inédita "Resíduo" chega para resgatar a história de quatro notáveis pensadoras brasileiras. Composta por quatro episódios, cada um com 26 minutos de duração, essa produção é um marco na televisão brasileira ao destacar as vidas e obras das pensadoras negras Beatriz Nascimento e Stella do Patrocínio, e também das escritoras Patrícia Galvão e Henriqueta Lisboa. A série estreia no Canal Brasil na terça, dia 4 de julho, às 19h45. O lançamento vai de encontro ao Julho das Pretas, uma iniciativa de natureza política, marcada pela união e colaboração entre organizações e movimentos de mulheres negras em todo o Brasil.
Dirigido por Marília Rocha, realizadora premiada em trabalhos como “A cidade onde envelheço” e “A falta que me faz”, "Resíduo" mergulha nas trajetórias de mulheres visionárias que desafiaram as convenções sociais de suas épocas. Apesar das barreiras impostas pela sociedade, elas se recusaram a permanecer caladas, abrindo caminhos e transformando a história do pensamento feminino no Brasil.
"A realização da série foi um processo de descoberta de inúmeras escritoras, poetas e pensadoras brasileiras que tiveram suas obras e por vezes sua própria existência negada. Nosso desejo foi de reencontrá-las, ouvir suas palavras, voltar aos lugares que elas percorreram e que moveram suas histórias", comenta Marília.
A equipe do projeto se aprofundou nas obras e nas vidas dessas escritoras contando com diversas colaborações, entre elas, dos pesquisadores Cecília Rocha, Laura Godoy, Marcelo Bortoloti e Mariana de Mello. A cineasta Safira Moreira também integrou a equipe, desenvolvendo os roteiros sobre a vida dessas mulheres, suas histórias e sua conexão com o tempo presente. A experiência da cineasta é amplamente reconhecida, tendo sido premiada pelo seu curta-metragem “Travessia” em diferentes festivais nacionais e internacionais. Safira é uma mulher negra que há anos trabalha com imagens de pessoas negras ao redor de uma política da memória.
O uso de imagens de arquivo provenientes de acervos importantes, como o Arquivo Nacional e a Cinemateca, aliado à colaboração das famílias das escritoras e detentores de obras do cinema nacional, contribuíram ainda mais para enriquecer a narrativa da série. Lançada no mês de julho, a obra faz conexão com o Julho das Pretas, mês em que movimentos sociais em todo Brasil celebram as vidas e obras de mulheres negras, devido ao dia 25/7 em que é celebrado o Dia da Mulher Negras Latino Americana e Caribenha.
"Resíduo" busca exaltar personalidades negras e femininas da história brasileira, por isso, o primeiro episódio retrata a historiadora Beatriz Nascimento, uma das maiores pensadoras negras do Brasil. O segundo capítulo acompanha a poeta Stella do Patrocínio, que foi aprisionada num hospício onde passou mais de 30 anos. Depois de anos vivendo na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, a voz de Stella foi registrada por duas mulheres, virou livro e ressoa até hoje em exposições pelo país. Os dois primeiros episódios são narrados pela Capitã Pedrina, da Guarda de Massambique de Nossa Senhora das Mercês de Oliveira, em Minas Gerais.
O terceiro episódio é guiado por uma carta que Patrícia Galvão, jornalista, poeta e escritora, escreveu para o seu marido e companheiro de vida Geraldo Ferraz. Conhecida como Pagu, a paulista revela em suas cartas - lidas pela escritora Leda Cartum - um feminismo particular, o ativismo e uma produção intelectual pouco conhecida. Para encerrar a série, o quarto episódio apresenta a poeta, tradutora e ensaísta Henriqueta Lisboa, primeira mulher a ser eleita para a Academia Mineira de Letras. Ela dedicou sua vida à literatura, com a publicação de dezenas de livros entre 1925 a 1982 e cultivou uma rede de amizade e correspondências entre mulheres escritoras que, como ela, abriam espaço em lugares ocupados apenas por homens. Os versos da mineira são lidos pela poeta Ana Martins Marques.
A série produzida pela Anavilhana foi criada dentro do Núcleo Criativo Transcrições, que desenvolveu seis projetos de longas e séries ficcionais e documentais em diálogo com a literatura. O núcleo foi produzido por Luana Melgaço e desenvolveu novos projetos de Aline Portugal, Cao Guimarães, Clarissa Campolina, Diego Hoefel, Fred Benevides, Julia De Simone, Leo Marona, Luiz Pretti, Marcelo Grabowski, Ricardo Alves Jr, Ricardo Pretti, Sergio Borges e Teo Rennó.
Homenageada da Flip 2023 - O Brasil vive um importante movimento de resgate às trajetórias de pessoas inspiradoras de grande contribuição para nossa cultura. Assim como na série “Resíduo”, Patrícia Galvão será homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty (RJ), em sua edição que acontecerá entre os dias 22 a 26 de novembro. A jornalista e escritora, que escreveu o que é considerado o primeiro livro de romance proletário brasileiro, foi escolhida para valorizar as marginalidades literárias importantes e corajosas que merecem um novo visual.
Sobre as personagens
Beatriz Nascimento
Foi num navio Ita que a menina Beatriz Nascimento e sua família navegaram de Salvador ao Rio de Janeiro, no início da década de 1950. Estudante de escola pública, aos 26 anos de idade, em 1975, foi aprovada no curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Beatriz fundou o primeiro coletivo de estudantes e pesquisadores negros do país, buscando reivindicar, de maneira inédita, uma história escrita por mãos negras. No entanto, ela foi rejeitada por seus colegas acadêmicos até o final da década de 1990. Apesar disso, Beatriz acabou se tornando uma das principais pensadoras negras do último século.
Stella do Patrocínio
Stella viveu quase 30 anos na Colônia Juliano Moreira, um hospício que aprisionava principalmente mulheres pobres e negras. Sua voz foi ouvida e registrada por outra mulher, tornando-se uma figura profética brasileira. O reconhecimento tardio de sua obra pode ser visto na inclusão de Stella na lista da 35ª Bienal de São Paulo em 2023.
Patrícia Galvão
Após cinco anos na prisão, a escritora e jornalista Patrícia Galvão (Pagu) escreve uma longa carta para seu companheiro, Geraldo Ferraz. Nessa carta autobiográfica, ela explora sua relação com a cidade de Santos, suas experiências maternas e sua militância política. A carta revela um retrato autêntico de Patrícia Galvão, afastando-se do estereótipo de musa do modernismo. Sua história mostra um feminismo único e sua contribuição significativa para a história das mulheres.
Henriqueta Lisboa
Henriqueta Lisboa, renomada poetisa e tradutora, enfrentou desafios como mulher no mundo literário dominado por homens. Apesar disso, ela deixou uma extensa obra e se tornou a primeira mulher a ser eleita para a Academia Mineira de Letras. Henriqueta também contribuiu para a divulgação das escritoras latino-americanas no Brasil, estabelecendo conexões e amizades com outras mulheres escritoras. Infelizmente, sua obra nem sempre recebeu o reconhecimento merecido, e sua estátua em Belo Horizonte foi alvo de vandalismo em 2022. Apesar das adversidades, Henriqueta Lisboa deixou um legado importante na literatura brasileira.
Sobre a produção
MARÍLIA ROCHA
Marília Rocha dirigiu A cidade onde envelheço (2017), melhor filme e melhor direção Festival de Brasília, A falta que me faz (2010), melhor filme Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, Acácio (2008) e Aboio (2005), melhor filme Festival É Tudo Verdade. Além da estreia em salas e da participação em festivais brasileiros e internacionais, seus filmes foram exibidos em museus como MoMA, New Museum, Mildred Lane Kemper Art Museum (USA) e Musée d’ethnographie de Neuchâtel (Suíça). O conjunto dos seus trabalhos foi homenageado no Festival Visions du Réel na Suíça, Festival de Cine Internacional de Ourense na Espanha e na Semana dos Realizadores no Rio de Janeiro. Em 2002, Marília foi co-fundadora do grupo TEIA de criação audiovisual. Em 2005 criou a produtora Anavilhana, juntamente com a realizadora Clarissa Campolina e a produtora Luana Melgaço.
Direção: Marília Rocha
Roteiro: Safira Moreira e Marília Rocha
Produção Executiva: Larissa Ribeiro, Laura Godoy e Luana Melgaço
Direção de Fotografia: Bernard Machado
Som direto e desenho de som: Gustavo Fioravante
Montagem: Eduardo Resing e Ricardo Pretti
Cor e Finalização: Sem Rumo Projetos Audiovisuais
Trilha Sonora Original: Marco Scarassatti
Produção Musical: Marco Scarassatti e João Viana
Pesquisa: Josi Santos, Patricia Iglecio e João Pedro Bim
Direção de Produção: Daniela Cambraia e Laís Diel
Assistência de Direção: Josi Santos e Mariana Melo
Assistência de Produção: Josi Santos e Carol Fonseca
Assistência de Câmera: Ceres Canedo e Daniela Cambraia
Som direto adicional: Giordano Lima
Assistência de Câmera Adicional: Sarah Cambraia
Financeiro: Carol Fonseca
Assessoria Jurídica: Drummond & Neumayr Advocacia
Equipe Anavilhana:
Carol Mariano
Clarissa Campolina
Larissa Bicalho
Larissa Barbosa
Luana Melgaço
Marília Rocha
Victória Morais
SERVIÇO : RESÍDUO (4X25’) INÉDITO
Estreia: Terça, 04/07, às 19h45
Horário: Terças, às 19h45
Transmissão: Canal Brasil
Rebatidas: Quartas, às 8h; e quintas, às 13h45
Classificação: Livre
Sinopse: Resíduo é uma minissérie que reencontra mulheres do passado que ousaram falar e escrever. Elas enfrentaram uma sociedade que as proibia de pensar, de estudar, de frequentar universidades e que fechou sua entrada para a história oficial. A série traz quatro pensadoras que emergem desta história escondida e que abriram portas para as mulheres do presente: Beatriz Nascimento, Stella do Patrocínio, Patrícia Galvão e Henriqueta Lisboa.
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