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Juntas e mais fortes na pandemia

Coletivo Colcha de Retalhos estimula a iniciativa empreendedora de mulheres da periferia de Belo Horizonte e RMBH

O Coletivo Colcha de Retalhos nasceu no final de 2019, em Belo Horizonte, a partir do sonho de Dalila Pires e Mônica Veiga de fazer do mundo um lugar melhor. A vontade de construir uma sociedade mais justa e igualitária motivou as duas amigas a desenvolverem um projeto de transformação social por meio do empreendedorismo. “Ser autora e protagonista da nossa vida: esse é o nosso lema. E, a partir dele, lutamos para abrir ainda mais o caminho para as mulheres, que, por séculos, foram ultrajadas das mais diversas formas. Buscamos a valorização e o reconhecimento de suas identidades”, conta Dalila.

Ela explica que tudo começou em abril de 2019, quando produziram o documentário Colcha de Retalhos. O material reuniu histórias de superação de 11mulheres de Belo Horizonte, que representam as aflições vividas por mulheres de todo o país. “A pré-estreia ocorreu no MIS Cine Santa Tereza e, agora, o filme está publicado em nosso canal no Youtube. Com essa experiência, pudemos perceber que há muito trabalho a ser feito.”

Por serem empreendedoras e morarem na periferia de Belo Horizonte, Dalila e Mônica conhecem bem os desafios do empreendedorismo feminino. Em abril de 2020, no início da pandemia, sentiram a necessidade de iniciar um movimento para auxiliar empreendedoras, divulgando seus produtos e serviços nas mídias sociais, de forma gratuita. O objetivo era aumentar o reconhecimento e o alcance dos negócios e, assim, atrair mais clientes.

Então, uma rede de apoio foi criada a partir de um grupo de WhatsApp. “Lá ofertamos e trocamos conhecimento, além de prestar auxílio em situações relacionadas à vida profissional e pessoal de cada uma de nossas assistidas. Temos muito zelo por todas as empreendedoras que fazem parte da rede do Coletivo Colcha de Retalhos”, destaca Dalila.

A partir de um edital de fomento e apoio  a iniciativas das periferias urbanas de todo o Brasill, Dalila e Mônica captaram recursos para capacitar gratuitamente outras empreendedoras da periferia de Belo Horizonte e região metropolitana que tiveram seus negócios prejudicados pela pandemia. Em setembro de 2020, as empreendedoras sociais lançaram o programa de capacitação Faz e Acontece: vencendo a Covid-19. “Oferecemos três cursos (Negócio com Propósito, Fotografia de Qualidade com Celular e Gestão de Mídias Sociais), além de mentoria on-line para 50 empreendedoras da periferia. Também gravamos a websérie Ela faz Acontecer, apresentando quatro negócios geridos por mulheres que fizeram parte da primeira turma capacitada por nós. A experiência do Faz e Acontece está contada neste documentário. A websérie está publicada em nosso canal no Youtube.”

A força de um propósito

O Coletivo Colcha de Retalhos segue ofertando mentoria gratuita às empreendedoras.  E para custear as ações foi criado, em janeiro deste ano, um bazar que funciona como alternativa de financiamento. “Recebemos doações de roupas, objetos etc. e, a partir da venda desses itens, conseguimos um auxílio para desenvolver nossos trabalhos. Em cada ação realizada, miramos sempre na luta pelo empoderamento, capacitação e emancipação da mulher periférica. Cada retorno positivo é um incentivo para continuar a caminhada”, orgulha-se Dalila.

A busca por capacitação é algo presente na vida de Dalila. Aos 16 anos ela participou do programa do Sebrae Minas "Jovem empreendedor" e, nos últimos quatro anos, participou das edições da MAX, feira realizada pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, em parceria com o Sebrae Minas. A MAX busca promover negócios e oferece atividades de capacitação para o incremento da cadeia produtiva do audiovisual.

Quase metade dos microempreendedores de Minas Gerais foram solidários durante a pandemia

Segundo a percepção da maior parte dos microempreendedores de Minas Gerais (60%), em períodos de crise econômica os empresários procuram se ajudar mutuamente mais do que de costume. Esse é um dos resultados de um levantamento feito pelo Sebrae Minas, que também mostrou que 4 em cada 10 empresários de pequenos negócios do estado realizaram algum tipo de ação solidária ou receberam alguma ajuda de outro empreendedor para enfrentar os impactos causados pelas medidas de distanciamento social e fechamento dos estabelecimentos. O estudo foi feito com 1.955 microempreendedores individuais (MEI), entre 17 de abril e 3 de maio deste ano.

Dentre os empreendedores que se envolveram em alguma ação solidária, mais da metade (54%) receberam ou ofereceram ajuda financeira, enquanto 41% disseram ter recebido ou colaborado com orientações sobre questões diversas. Os outros 5% disseram que foram auxiliados ou cooperaram com outros empreendedores tanto com ajuda financeira como compartilhando algum conhecimento técnico ou gerencial.

Foto: Divulgação

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