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Sempre Um Papo celebra os 50 anos do Giramundo

No Sempre Um Papo, com Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares

O Sempre Um Papo recebe os diretores do Grupo Giramundo, Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares para falarem sobre a trajetória de 50 anos da companhia, que já montou 36 espetáculos, construindo um acervo de aproximadamente 1.500 bonecos. O evento acontece de forma on-line – com transmissão pelo YouTube e Facebook do projeto, no dia 30 de junho, quinta-feira, às 19h, com mediação de Afonso Borges. 

O Sempre Um Papo é viabilizado através do patrocínio do Instituto Cultural Vale, Cemig e Usiminas, com o apoio da Rede Mater Dei de Saúde, com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo. 

Giramundo 50 anos

O Giramundo completou 50 anos em meio à pandemia COVID 19, em 2021. Todo o planejamento de atividades comemorativas do cinquentenário do grupo foi afetado pela calamidade e, por pouco, o grupo não teria nada a comemorar, ao contrário, poderia ter deixado de existir. O contexto político de ataque à estrutura de apoio cultural vigente no país há praticamente três décadas também provocou um risco considerável à existência do patrimônio material e imaterial do Giramundo, numa somatória de pandemia e pandemônio não enfrentada pelo setor cultural em tempo algum, nem mesmo durante os anos de chumbo da ditadura.|

Neste período, entretanto, o Giramundo se manteve vivo e ativo. A CEMIG foi o principal apoiador do grupo no triênio 19-22, apoiando a produção do espetáculo Pirotécnico Zacarias, a tradução dessa montagem para o formato audiovisual com o filme homônimo, inaugurando a produção de longa metragem pelo próprio Giramundo e patrocinando a mais abrangente exposição do grupo até então, a mostra "Giramundo 50 anos".

Essa atividade durante a pandemia cresceu imersa na dificuldade prática, operacional, assim como todos os campos sociais, sofrendo com as restrições com que toda a sociedade também padeceu, mas, paradoxalmente, vivenciou um período extremamente rico do ponto de vista criativo, e, não seria exagero afirmarmos que essa ação e energia se converteram em mudanças das mais profundas vividas em toda a história do grupo. A migração para o mundo virtual e digital levaram o Giramundo para outros territórios, especialmente ligados ao vídeo e à pesquisa das “novas formas da marionete”, para usarmos um termo cunhado e perseguido por Álvaro Apocalypse em toda a sua trajetória como criador. A digitalização do acervo promovida pelo projeto da mostra 50 anos também se consolidou como a maior iniciativa de proteção e preservação do acervo do Giramundo, lançando o grupo nas correntes da internet, ampliando em muito sua visibilidade e sua função social. A ênfase na criação de animações digitais com bonecos entrou de vez no corpo e mente do grupo, alterando até mesmo sua configuração física ao constituir o estúdio Giramundo definitivamente ativo, ao lado da ancestral oficina de construção de bonecos do grupo. Assim, podemos dizer que da pandemia e de seus frutos surge um Giramundo novo, como um verdadeiro marco histórico que inaugura uma nova fase essencial da companhia, o período "Giramundo digital".

A introspecção promovida tanto pelo isolamento forçado, quanto pela revisão de todo o acervo para o extenso trabalho de digitalização, criou um momento de auto análise, de balanço, de revisão da obra e trajetória do grupo, sem dúvida um estado de espírito que deixará marcas decisivas na compreensão do Giramundo do século XXI. Neste sentido, várias questões fundamentais foram colocadas à luz da reflexão, tais como: o Giramundo possui um método próprio? Quais as características desse processo de trabalho? Qual o legado de Álvaro Apocalypse? Quais as características do teatro de bonecos hoje? Por que os bonecos permanecem como instrumento e forma artísticos tão relevantes, mesmo em tempos onde a materialidade entra em declínio tão evidente? O que significa o Giramundo transbordar do palco para adentrar as telas luminosas? Quais as diferenças e semelhanças entre o trabalho com a madeira e o labor com os pixels? Quais os pontos comuns e divergentes entre a animação em tempo real e o cinema de animação? O Giramundo, após todas essas mudanças, continua sendo um grupo de teatro de bonecos? Qual o futuro do grupo?

Essas questões ainda estão em trânsito, em formulação, num contexto onde o passado e o futuro entram em curto circuito no presente. Por isso, ainda longe de serem plenamente ou inequivocamente respondidas. Porém, alguns traços ou tendências já se configuram com suficiente clareza, se afirmando como realidades inquestionáveis. A transição do Giramundo teatro de bonecos para o "estúdio de animação Giramundo" é uma delas, pois não nos parece que haja retorno nessa situação; o Giramundo continuará atuando nos palcos, em performances presenciais com bonecos analógicos em punho, no contato direto com o público, mas, também exercerá sua atividade remotamente, em produções audiovisuais, nas telas. Outra mudança essencial está a acontecer no próprio boneco, não mais exclusivamente um ser material, de madeira, porta voz do fôlego e da palavra do marionetista, mas um ente de outra natureza, diáfano, desmaterializado, consubstanciado em imagem digital, seja nas diversas formas do universo da animação convencional, mas também em novas formas digitais híbridas, como "mecanismo digital", animado em tempo tempo real, mas portador das mágicas propriedades da imagem digital. 

Outra mudança muito importante, mesmo que não restrita ao campo cênico, dramático, mas mais definida num outro campo, o institucional, é a construção do Giramundo como uma entidade permanente, um centro cultural, um sítio de referência artística, ligado intrinsecamente à cultura e à educação. Esse caminho nos parece natural, resultado da própria existência do grupo por tantos anos. Sabemos que os grupos permanentes são "seres culturais" diferenciados, raros e díspares, pois a regularidade e longevidade permitem a formação de acervos culturais mais profundos e densos, passíveis de reelaboração para os formatos educativo e museológico, principalmente. Neste sentido, o giramundo não pode escapar do destino de se tornar um museu escola.

Sempre um Papo – 36 anos

Criado em 1986, pelo jornalista Afonso Borges, o “Sempre Um Papo” é reconhecido como um dos programas culturais de maior credibilidade do país. O projeto realiza encontros entre grandes nomes da literatura e personalidades nacionais e internacionais com o público, ao vivo, em auditórios e teatros. 

Em sua história, já ultrapassou os limites de Belo Horizonte e chegou a 30 cidades, em oito estados do país, tendo sido realizado também em Madri, na Espanha. Em 35 anos de trabalho, aconteceram mais de 7 mil eventos, que reuniram um público superior a 2 milhões de pessoas. 

Serviço: Sempre Um Papo nos 50 anos do Giramundo - com Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares
Dia 30 de junho, quinta-feira, 19h
Local: Facebook e YouTube do Sempre Um Papo
Informações: www.sempreumpapo.com.br

Foto: Divulgação

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