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Mineiro Wilson Rabelo em dose dupla na TV: ator fala sobre experiência em ‘DOM’ e ‘Jogo da Corrupção’, ambas do Amazon Prime Video
Com 44 anos de carreira e experiência grandiosa na TV, teatro e cinema – com destaque recente para o filme ‘Bacurau’ – artista fala da carreira, preconceitos enfrentados e experiência
Mineiro de Belo Horizonte, Wilson Rabelo começou como sonoplasta e iluminador nos palcos de Minas Gerais, foi quando se apaixonou pelo teatro, se envolveu intensamente no mundo da interpretação e decidiu partir para São Paulo, onde iniciou sua vida como ator. Com 44 anos de carreira, muitos musicais, novelas, filmes e documentários, Wilson está nas telas da Amazon Prime como o agente Arcanjo da série “Dom” e se preparando para a estreia de “Jogo da Corrupção”, a próxima temporada da série Original Amazon, “El Presidente”, na qual ele interpreta o padre Pascual.
Sem data de estreia definida e assinatura do premiado diretor Armando Bó, “Jogo da Corrupção” mostra as origens da transformação da Fifa na grande potência política e comercial. Ao lado de nomes como Maria Fernanda Cândido e Eduardo Moscovis, Wilson Rabelo dá vida ao personagem padre Pascual que “mostra de maneira lúdica e, às vezes, bem-humorada o conflito entre o indivíduo e as instituições que representa, inclusive a Igreja”, conta.
Corrupção e Futebol
Com grande conhecimento político e com opiniões fortes, Wilson Rabelo acredita que a segunda temporada de “El Presidente” vai despertar o interesse exatamente porque trata de assuntos atuais como a corrupção no futebol. “O brasileiro está cada vez mais se apropriando da sua cultura e começando a tirar a poeira debaixo do tapete, para recontar a nossa história”, diz o ator que acredita que mesmo diante do cenário político do país, o fato da série levantar tais questões é algo positivo: “O futebol está muito associado ao mundo do dinheiro e deixando de ser um esporte apenas movido pela paixão e amor pela camisa, sem senso crítico, já temos séries sobre Castor de Andrade, por exemplo, que ajuda a entender o espírito do nosso país, acompanhado de uma nova visão crítica sobre nossa história”.
Gravações na Pandemia
Exaltando o cuidado em tempos de pandemia, Wilson Rabelo lembra das gravações que ocorreram no Uruguai. “Além da qualidade da produção, houve também o encontro com colegas, grandes atores brasileiros e de vários países, além de uma equipe técnica uruguaia, o que nos permitiu ter mais know how numa produção internacional. Tivemos uma convivência segura e impensável no Brasil, porque fazemos exames de PCR diariamente”, relembra.
“Dom”
No início de junho, mais uma produção com Wilson Rabelo no elenco estreou. A série “Dom”, do Amazon Prime, traz o ator na pele do agente Arcanjo, em que ele realiza o desejo de trabalhar com a produtora Conspiração, uma série da Amazon e direção de Breno Silveira. O personagem tem grande importância na trama e o permitiu viver e trabalhar oportunidades ímpares, como texturas de voz, tempo dramático e diversos detalhes sutis do personagem.
Carreira e preconceito
Apesar de mais de 44 anos de experiência, Wilson Rabelo está sempre estudando e aprendendo. Mesmo trazendo mais segurança, memória corporal e muito aprendizado, ele busca evitar reproduzir os mesmos caminhos e sempre se coloca à disposição da nova empreitada.
Aos 64 anos, Wilson Rabelo coleciona trabalhos em todos os tipos de produção, desde teatro a filmes consagrados. São mais de 45 novelas, filmes, peças e séries no currículo, como “Por Toda Minha Vida”, onde interpretou o Mestre Cartola, “JK”, “A Cura’, “Sete Pecados”, “Sinhá Moça”, “Bacurau”, entre outros trabalhos incríveis.
Mas as dificuldades também estiveram e estão em sua vida. O ator enfrentou preconceitos de diferentes níveis durante sua carreira. “Não apenas o racial, experimentei vários... Por ser autodidata, de alguns acadêmicos, por não ter o padrão de corpo esperado, por ser muito magro, pelo comportamento, por razões raciais, etárias, sociais”, conta Wilson que afirma que usou as dificuldades para crescer e se superar: “Lidei com eles construindo constantemente uma autoimagem de superação e conhecimento, adquirido do maior número de fontes possíveis: leitura, cursos livres, troca de ideias, conscientização, participação de eventos, e principalmente, trabalhando muito”.
Acreditando e apostando que para tudo existe um tempo, Wilson Rabelo se sente feliz por estar sempre em grandes produções culturais.
“Venho de uma geração onde o simples telefone era inacessível, de muita injustiça e instabilidade política e social, onde ser ator de teatro era quase impensável e a televisão nem fazia parte do nosso sonho”, lembra o ator que credita nas futuras gerações mudanças importantes: “Vivemos um tempo de muitas mudanças e conscientização de direitos, a arte através das novas gerações vem ampliando seu espaço e seu poder de fala, representando segmentos e temáticas que eram antes segregados nos setores de comunicação ou com quase nenhuma visibilidade de cores e gêneros, e ainda poder acompanhar estas mudanças trabalhando, é um privilégio, que espero ter muita saúde para viver”.
“Bacurau”
Presente em “Bacurau”, um dos longas nacionais mais premiados de todos os tempos, Wilson Rabelo esteve no Festival de Cannes para defender a produção que levou o prêmio do júri. O orgulho por ter representado o país em uma produção nacional é latente. “Representando o país com muitos sotaques e contando uma história quilombola em Cannes, através de um professor, um facilitador e transmissor de conhecimento e saber em uma comunidade em que se relacionavam em um modelo de sociedade horizontal, exemplo de vida e luta”.
Novos Projetos e o futuro do streaming
Além de “Dom” e “Jogo da Corrupção”, Wilson Rabelo está em mais dois projetos. O filme “Fim de Semana no Paraíso Selvagem”, de Pedro Severien e a série “Arcanjo Renegado”, de José Júnior.
O ator enxerga o crescimento das plataformas de streaming como uma grande oportunidade e não se sente preterido diante das novas tecnologias. “Sou um ator de teatro, vivi o crescimento da televisão como mercado de trabalho, cinema... O streaming se intensificou mais na pandemia e pode ser uma maneira de democratizar o acesso a inúmeras produções, que além de diversificar o olhar do público em tantas histórias, linguagens e temáticas, leva a nossa arte a variados países”.
Mais informações:
https://www.instagram.com/wilson_rabelo_/
Foto: Divulgação
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