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Camila Menezes fecha trilogia de singles com lançamento da faixa “Para-ti”

Canção com lançamento nesta terça resgata memórias afetivas entre a compositora e seu pai, que a "gestou na música";

“Para-ti” é a canção que fecha a trilogia de singles “Bença”, primeiro trabalho solo da premiada compositora mineira Camila Menezes. Após reconhecer e agradecer sua progenitora em “Louvação à (minha) mãe”, na nova faixa a multiartista reverencia seu pai, outro importante pilar para a construção de sua identidade humana e artística. Em “Para-ti”, Camila canta a saudade e resgata memórias afetivas entre ela e Sr. Walter, um dos responsáveis por “gestá-la” no universo musical. Lançada nas plataformas digitais de streaming nesta terça-feira, 29 de junho, a canção apresenta a sonoridade ímpar do encontro entre viola e elementos eletrônicos que marca “Bença”, EP inteiramente construído pela multiartista – que assina sozinha, além das composições, arranjo, gravação (vozes e instrumentos), mixagem e masterização.

De acordo com Camila Menezes, a composição começou a se desenhar algum tempo após a partida de seu pai. “Comecei a compor ‘Para-ti’ depois que papai desencarnou. Foi uma elaboração da vontade de reencontrá-lo. De abraçar ele, de fazer com que alguma coisa chegasse até ele”, relembra Camila, ressaltando que o pai, autodidata, tocava acordeon, gaita e violão, além de cantar e assobiar em duas vozes ao mesmo tempo. “Tivemos uma história muito intensa, lá em casa. Papai e mamãe se tornaram nossos melhores amigos. E, dos filhos, sou a que mais se parece com meu pai, que era uma pessoa muito musical. No domingo, não tinha essa coisa de acordar tarde. Ele se levantava e já começava a tocar o acordeon. Daí a pouco, eu pegava o violão e a gente começava a cantar e a tocar juntos”.

As memórias da convivência cotidiana misturam-se com lembranças das viagens em família, outro importante lugar afetivo para Camila. “Além de tocar e cantar, uma das coisas que a gente mais gostava de fazer era viajar. Tínhamos uma Parati, e nela fazíamos viagens longas, sempre cantando”, conta a artista, conhecida também por seu trabalho como baixista e compositora das bandas Tutu com Tacacá e Dolores 602 – grupo de indie pop formado por musicistas em Belo Horizonte, que ganhou oito prêmios em festivais com composições assinadas por ela. Entre as músicas premiadas, inclusive, está “AzulAmarelo”, que ganhou novo arranjo para integrar “Bença”, tendo sido a primeira música do EP a ser lançada.

Camila ressalta que a letra de “Para-ti” traduz, ainda, um possível momento de despertar do pai no novo Plano que habita, sob a sonoridade interiorana da viola caipira e por beats eletrônicos etéreos. “Vou puxando nossa história, as viagens, os pássaros, as casas, as gaitas e foles. Como se ele fosse resgatando memórias para ganhar mais confiança nesta fase que está vivendo agora”, diz a artista, que também é maestrina do Coral Casa de Auxílio e Fraternidade Olhos da Luz (Sabará/MG). “Para mim, meu pai vive. Já tive notícias dele, sei que ele está bem e que agora toca viola, além de acordeon. A gente, de vez em quando, se comunica pelo pensamento. Essa conexão nunca vai acabar”.

A trilogia musical “Bença”

Primeiro trabalho solo de Camila Menezes, a trilogia de singles “Bença” evidencia ainda mais a fluidez musical da artista, que apresenta o resultado harmônico da fusão entre a tecnologia do eletrônico e a organicidade da viola, instrumento acústico considerado patrimônio cultural do Estado de Minas Gerais. “A viola representa um símbolo do interior do Brasil, que tem muito a ver com as minhas raízes. Ao mesmo tempo, as músicas vêm do meu interior, da minha forma íntima de ver o mundo, da minha relação com os meus pais e com quem me cerca”, conta Camila, que viveu sua infância e adolescência em Abaeté/MG. “É interessante trazer essa mistura e mostrar que não existe campo fixo de trabalho para a viola ou para o eletrônico. São possibilidades que podem dialogar e chegar a resultados de expressão bem poéticos”.

A multiartista “toma bença” a seus pais para trilhar os novos caminhos que começam a partir de agora, com o lançamento do EP. “‘Bença’ ocupa, em mim, um lugar específico, em que eu vou buscando essa coisa da raiz, com o que posso produzir em casa, com o meu computador. E é uma reverência ao que me permite estar aqui, hoje, fisicamente, neste lugar. A quem me emprestou os elementos da tabela periódica para formar este corpo. À minha mãe, que me gestou e me pariu; e ao meu pai, que além de emprestar o material genético, me gestou na música”, afirma Camila, que apresenta reflexões profundas nas faixas do trabalho.

Em “AzulAmarelo” – que chegou às plataformas digitais no dia 17 de junho, dando início ao lançamento do EP –, a multiartista traz um convite para “acordar pra ver” e pensar sobre o que nos cerca. “É uma música que fala da casa-Terra, da nossa relação com o planeta e entre nós, neste planeta. Que diz sobre a igualdade, que questiona as polarizações”, afirma a artista. A música foi gravada originalmente em 2014, pela Dolores 602, e reconhecida, no mesmo ano, com o 2º Lugar do “Prêmio de Música das Minas Gerais.

Já em “Louvação à (minha) mãe”, lançada no dia 24 de junho, a artista propõe uma reflexão poética sobre “as tecnologias corpóreas do gerar e do nascer”, cantando a gratidão e reverenciando a coragem de quem se transforma em “portal”. Musicalmente, para o arranjo da faixa, Camila atingiu outras proporções em termos de produção ao executar e mixar todos os instrumentos de um bloco de maracatu. A multiartista foi além e resgata o Mellotron, um dos primeiros instrumentos usados como sampleador, para fazer o som das flautas.

De acordo com a multiartista, a relação com sua mãe, com quem tem compartilhado morada nestes tempos de pandemia, foi a mola propulsora para as primeiras linhas da música. “Quando estava fazendo o arranjo de ‘AzulAmarelo’, aconteceu uma coisa engraçada. Eu ia tomar banho, entrava no box e vinha na minha cabeça: ‘a mãe é um portal’. Fiquei pensando: ‘e se isso virasse uma música? Ou um refrão?’. Então, comecei a pensar sobre o fio-condutor do trabalho. Essa coisa de quem sou, onde estou, para onde vou”, relembra Camila.

Surgiu, então, a vontade de expandir a análise para além de sua própria mãe. Poeticamente, mas sem romantizações ou demagogias. “Por enquanto, não penso em ter filhos. Mas respeito quem tem, porque é uma decisão muito corajosa. Não romantizo a maternidade, mas acho uma coisa incrível. Algo muito tecnológico, já que a única forma de acessar esta realidade física é através de uma outra pessoa”, afirma. “A partir daí, fiz outra estrofe, que generaliza a questão. ‘Se você tá neste mundo / Se você tá neste chão / Reconheça a coragem / De quem se tornou passagem / Pra nascer um coração’. É isso, uma louvação. Reconhecer e agradecer”.

Sobre Camila Menezes

Camila Menezes é multi-instrumentista, compositora, arranjadora, maestrina e produtora musical. Artista atuante da efervescente cena musical de Belo Horizonte/MG, integra a banda de indie pop Dolores 602, com a qual conquistou, por suas composições, oito premiações em festivais. Versátil, também participa da banda Tutu com Tacacá, que funde ritmos mineiros e do Norte, como o carimbó. A mineira também toca baixo na banda da cantora Marina Machado e é, desde 2012, maestrina do Coral Casa de Auxílio e Fraternidade Olhos da Luz (Sabará/MG), que vai do tango ao folk, passando pelo fado e pelas músicas regionais brasileiras. Psicóloga de formação, mestra em Psicologia Social, também leciona Canto Coral na Associação Querubins e dá aulas particulares de violão, baixo e ukulele.

A gravação de ”Bença”, de Camila Menezes, é realizada com o apoio do Ministério do Turismo e do Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Lei Emergencial Aldir Blanc – conquistada com a luta e a articulação de quem acredita que a cultura é fundamental.

Camila Menezes lança “Para-ti” | EP “Bença”

Link para a faixa as plataformas digitais | tratore.ffm.to/para-ti

Escute “Louvação à (minha) mãe” | tratore.ffm.to/louvacaoaminhamae
Escute “AzulAmarelo” | tratore.ffm.to/azulamarelo

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Foto: Divulgação

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