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Artistas de si mesmos: exposição destaca trabalhos feitos em sessões de arteterapia
Obras estão em cartaz no estande da Csul Lagoa dos Ingleses até 9 de julho. Visitação é gratuita
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), publicados no último dia 9, através do relatório Uma Nova Agenda para a Saúde Mental na Região das Américas, apontam que os casos de ansiedade e depressão tiveram um aumento de 30% durante a pandemia de Covid-19. Ainda segundo a entidade, as Américas investem uma média de apenas 3% em saúde mental, do total do orçamento nacional para saúde dos países.
De acordo com a psicóloga Bianca Solléro, uma saída para minimizar esses números está na força das artes e nas respostas que elas podem trazer a todos nós. “Imagine só o que seria de nós se, no auge do isolamento social, não tivéssemos as lives com artistas, os livros, filmes e programas de TV como companhia? As manifestações artísticas, sejam elas quais forem, têm poder curativo”, diz.
Bianca acredita tanto no potencial transformador das artes que atua como especialista em arteterapia, prática terapêutica que pode ser aplicada de forma individual, ou até mesmo para um grupo de pessoas, através da qual é possível amenizar os impactos provocados por traumas e tensões do dia a dia. Ela está à frente da exposição "Artistas de Si Mesmos”, que reúne 30 trabalhos resultados de sessões grupais de arteterapia, em cartaz até o próximo dia 09 no estande da CSul Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima. A visitação é gratuita.
Nas obras, feitas por crianças, adolescentes e adultos, os participantes utilizam da criatividade para explorar o autoconhecimento e elaborar conflitos e questões por meio da experiência com materiais diversos: linhas, papéis, cerâmica e gravetos. “Os espectadores vão encontrar cores e texturas variadas, textos sensíveis e poéticos que contam sobre as reflexões que cada trabalho propiciou aos seus criadores ao longo dos processos”, conta a arteterapeuta. Ela enfatiza ainda que o método funciona mesmo quando a pessoa não consegue dizer o que sente ou nomear o que a incomoda. “O diferencial da arteterapia está na vivência, na experimentação prática e concreta, principalmente porque a arte é capaz de nos tocar, sensibilizar e revelar nossas emoções mais escondidas e subjetivas. Traz à tona aspectos de nossa personalidade ainda que não os verbalizamos. É, e sempre será, um oásis no meio dos desertos que atravessamos ao longo da vida”.
Ainda segundo Solléro, diante de um cotidiano atribulado, repleto de traumas da pandemia, a arteterapia consegue fazer as pessoas voltarem os seus olhares para a arte, obtendo com isso vários benefícios, que vão desde aliviar o nervosismo a estimular a criatividade. “Neste tipo de terapia, distintas modalidades são usadas, como a pintura, escultura, desenho, narrativa literária, dança, o audiovisual, a fotografia e a música. Ela ajuda a desacelerar a mente. Desse modo, o indivíduo consegue entrar em estado meditativo, seja enquanto está desenhando, pintando ou experenciando a relação com os diferentes materiais artísticos”, conta. A partir do momento que o paciente silencia as suas cobranças, os pensamentos prolixos e obsessivos, consegue ter uma escuta interior própria. Logo, começa a encontrar perguntas internas sobre si: o que está fazendo, como tem vivido. “Esses questionamentos e reflexões são o ponto de partida para elaborar um modo de viver que faça mais sentido”, completa Bianca.
A especialista pontua que na arteterapia não há uma preocupação com a técnica estética do realizador da obra, tampouco formar artistas profissionais. O principal intuito é que os trabalhos sejam uma forma de o indivíduo externalizar as angústias, medos, alegrias, desejos e percepções sobre a vida. “Na arteterapia existe um tripé formado pelo terapeuta, o paciente e a arte que ele cria, mas é justamente a própria arte que tem a função de terapeuta. Neurologicamente isso é comprovado, pois quando me concentro a desatar um nó de uma costura que deu errado, desenvolvo a mesma habilidade para desatar um nó real em minha vida. Sendo assim, esse relacionamento com a arte é um catalisador de sinapses nervosas que, posteriormente, usaremos em nossa vida real para sanar os nossos conflitos”.
Solléro também acrescenta que o processo terapêutico tem, geralmente, três motivações: a primeira está atrelada a uma demanda específica, como ansiedade, depressão, pensamento obsessivo, desenvolvimento de criatividade, etc. “O segundo é o que eu chamo de ‘sustentar para não quebrar’, necessário nos casos em que o indivíduo tem uma depressão profunda, mas não consegue lidar ou enxergar a causa do problema. Ele passará pela arteterapia para conseguir se manter minimamente saudável até chegar em um estágio onde consiga tratar a gênese do que o trouxe até ali”. Já o terceiro fator pelo qual as pessoas buscam a intervenção, é criar sentido para o cotidiano. “Nessas situações o cliente não tem um grande conflito na vida, mas está no processo arteterapêutico para conhecer mais sobre si mesmo”, cita. Quem busca a terapia para esse terceiro foco, consegue perceber, com mais clareza, o momento de ter alta, ao contrário dos outros dois cenários, em que o término das terapias é majoritariamente determinado pelo especialista.
Serviço:
O que: exposição "Artistas de Si Mesmos"
Quando: Até 09 de julho, das 9h às 17h
Onde: estande da CSul Lagoa dos Ingleses, Nova Lima (Av. Princesa Diana, 350 – Lagoa dos Ingleses)
Entrada gratuita
Foto: Bianca Solléro
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