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Abertura do festival/exposição Especulando o Futuro, no Viaduto das Artes

A entrada é gratuita com classificação livre

Entre os dias 26 de junho e 7 de julho, de segunda a sexta-feira, das 10 às 17h, o Viaduto das Artes (Av. Olinto Meireles, 45 - Barreiro) vai receber ESPECULANDO FUTURO, festival/exposição que reúne obras das artes visuais, das artes do palco, da literatura e da música. A abertura das atividades será realizada no sábado, dia 24 de junho, a partir das 10 horas. A entrada é gratuita. Mais informações em napele.com.br/futuro.

Parte das obras que compõem a programação foi selecionada a partir de convocatória que recebeu mais de 80 inscrições. A curadoria, formada por Ildney Cavalcanti, Elias Gibran e Pedro Kalil, buscou compor um panorama diverso de reflexões sobre o futuro. “Obras que apresentam uma proposta instigante, abrindo espaço para outras especulações e caminhos artísticos”, afirmam.

As obras selecionadas foram produzidas por Amanda Jacobus; Ava Cruz e Giovanna Almeida Cunha; Dayane Tropicaos; Flávia Péret; Juliana Gontijo; Letícia Marotta; Maria Fernanda Ambuá e Izabella Coelho; Patrick Arley e The Innernettes.

Também fazem parte da programação obras convidadas. É o caso de Por trinta dias, molhe com leite de vaca no qual três morcegos tenham se afogado, da artista multidisciplinar Darks Miranda; da instalação Anti-retrato, de Alexandre Tavera; e do texto Memória-cidade-futuro, do NED - Núcleo Experimental de Dramaturgia, da UFMG.

ESPECULANDO FUTURO

O festival Especulando Futuro é um convite à imaginação do mundo em que gostaríamos de viver. “Se a ideia de futuro parece cada vez mais sabotada e se nosso imaginário está cada vez mais sequestrado e interditado, gostaríamos de projetar no agora algum princípio de esperança vetorizado para o futuro”, afirmam os idealizadores do festival, Elias Gibran e Pedro Kalil.

“Partimos do princípio de que esse mundo ideal não deveria ser concebido e composto por uma só pessoa, mas, sim, por um conjunto de visões e possibilidades que podem ser enunciadas das mais diversas formas: imagens, palavras, corpo, seja especulação pura ou princípios concretos. Obras que apresentam uma proposta instigante, abrindo espaço para outras especulações e caminhos artísticos”, afirma o trio de curadoria.

ESPECULANDO FUTURO é viabilizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. A produção é da Napele Produções Artísticas.

PROGRAMAÇÃO

24/06 . sábado . ABERTURA . a partir das 10h

:: 10H30

PERFORMANCE

ÚRSULA
fotografia por Patrick Arley

Performance da dançarina Úrsula, musa das fotografias de Patrick Arley que estão expostas. Úrsula é uma mulher trans, negra e moradora do "buraco quente" (como é conhecida popularmente a Vila Senhor dos Passos, na Pedreira Prado Lopes, uma das maiores e mais antigas favelas da capital mineira). Úrsula brilha. No carnaval e além. Ela é uma das musas do bloco afroperiférico Orisamba, criado na Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente. De coração e do coração da Lagoinha, para vibrar e mostrar para todes que esta é uma cidade preta.

:: 11H

PALESTRA DE ABERTURA

Futuros em fricção: apontamentos a partir de um presente, com a Profª. Drª. Ildney Cavalcanti (UFAL)

Partindo desse nosso tempo presente, esta conversa observa certas futuridades concebidas em nosso redor, focando em diferentes discursividades (literatura, arte, pensamento filosófico, estudo acadêmico) e tocando em pontos de fricção. Nesses atritos, busco vislumbrar possibilidades de diálogos e de especulações sobre futuros vetorizados para mundos melhores.

:: 14:30H

INSTALAÇÃO IMERSIVA E INTERATIVA (ativação)

CONVÍVIO, por Maria Fernanda Ambuá e Izabella Coelho

Instalação imersiva e interativa (inédita) feita a partir de plantas comestíveis coletadas no bioma urbano (folhas, flores, sementes, frutos) e materiais reaproveitados, como tecidos garimpados e madeiras. O espaço será ativado na abertura da exposição a partir de pequenas ações, como passar um chá das ervas coletadas sobre os tecidos, deixando rastros de cheiro e cor. Trata-se, portanto, de um espaço vivo, que passará por transformações pela passagem de seres humanos e não humanos, bem como pela agência do tempo, a ser experienciado não apenas pelo olhar, como também pelo olfato, tato e paladar.

:: 15H

APRESENTAÇÃO

Memória – Cidade – Futuro, com NED – Núcleo Experimental de Dramaturgia

textos de Amora Tito, Arthur Barbosa e Matheus Cunha.

Leitura de conjunto de cenas desenvolvidas pelo grupo de estudo NED, em que entrecruzam a cidade de Belo Horizonte, sua memória e vislumbres de futuro.

:: 16H

RODA DE CONVERSA

O futuro da ficção, com a professora e pesquisadora Lígia Gonçalvez Diniz (UFMG)

O que é a ficção hoje e o que esperar dela no futuro? Qual o seu papel imprescindível na nossa contemporaneidade? Por que ainda continuaremos a inventar histórias? Essas e outras questões em conversa com a professora e pesquisadora Lígia Gonçalvez Diniz (UFMG).

:: 17H

PALESTRA-PERFORMANCE + RODA DE CONVERSA

REFUSÃO, por Flávia Péret

A partir de textos e imagens a artista conta a história de seu pai e sua trajetória como trabalhador no chão de fábrica de uma indústria de alumínio. Durante, 27 anos, ele trabalhou na fábrica da ALCAN em Saramenha/Ouro Preto. Na performance, essa relação de trabalho, altamente insalubre e exploratória, vai sendo costurada a partir de imagens fotográficas produzidas pelo pai, durante mais de 50 anos. Fotógrafo amador, também ouropretano, nascido em 1942, sempre fotografou a própria vida, incluindo, sobretudo, os filhos e o ambiente de trabalho.

:: 18H

PALESTRA

Futuros não realizados: experiência e redenção no tempo presente, com o escritor, professor e pesquisador Davidson Diniz (UFMG)

O que acontece com os futuros não realizados? O que aconteceu com os sonhos de futuro na América Latina e no mundo? Como eles aparecem no presente e como eles podem ser redimidos?

:: 19H

RODA DE CONVERSA

Fantasmas do futuro, Com Darks Miranda e The Innernettes

Futuros não realizados, colagem, arquivo, ficções científicas do passado, fim do mundo e/ou fim do capitalismo, corpos estranhos, naturezas-viva, Carmem Miranda e Lulu Santos, plantas carnívoras e esculturas sonoras.

:: 19H30

SHOW

Comuna, por The Innernettes

Comuna é o quarto álbum do grupo The Innernettes que surgiu de um desejo de experimentar o uso do sampler até o limite de sua distorção. A escolha estética era a única possível para dizer o que queriam: O capitalismo esganiçou suas possibilidades até o limite. A poética do álbum busca dar cara a esse desgaste, criando uma poluição sonora e um uso de múltiplas camadas de discursos. A apresentação é audiovisual. O duo fará a execução do álbum durante a projeção de vídeos.

26/06 a 07/07 . de segunda a sexta-feira, das 10 às 17h

WWW - A INTERNET DAS ÁRVORES, por Amanda Jacobus

INSTALAÇÃO

A conexão formada através das raízes e dos fungos a elas associados permite que a plantas compartilhem água, alimento e até mesmo informações — como alertas de pragas — em um sistema que ficou conhecido como “wood wide web,” ou “a internet das árvores.”

A instalação, em formato de rede presa ao teto e paredes, feita com sisal, simboliza tanto as raízes como nossa comunicação contemporânea.

CRISÁLIDA MINERALIS, por Ava Cruz e Giovanna Almeida Cunha

FOTOPERFORMANCE E INSTALAÇÃO

O projeto busca investigar a maneira como as políticas de vida e morte se encontram entrelaçadas no âmbito dos atuais empreendimentos de mineração levados a cabo na região da Serra do Curral, através de uma prática fetichista de restrição radical de movimento, denominada mumificação. Acionamos o conceito de ruína capitalista como uma maneira de se pensar as formas paradoxais por meio da qual os projetos de proliferação da morte são tensionados por relações multiespecíficas, nas quais a natureza, de formas criativas, resiste aos projetos de extermínio.

TODA DOMÉSTICA TEM UM POUCO DE DANDARA, por Dayane Tropicaos

TÉCNICA MISTA (STENCIL, BORDADO)

"O trabalho “Toda Doméstica Tem um Pouco de Dandara” parte de um incômodo sobre a existência do “quarto de empregada”, espaço que carrega uma herança escravocrata do nosso país. As trabalhadoras domésticas ainda são desvalorizadas, e muitas vezes sofrem abusos de seus contratantes. Então essa obra vem com a proposta de ser um meio de cura e uma homenagem às mulheres que exercem o trabalho de empregada doméstica.

PAQUIDERME, por Juliana Gontijo

VÍDEO; ÓLEO SOBRE TELA

A obra relata dois passados distintos colocando como questão a possibilidade ou não de preservação e de extinção. Um mesmo nome é relacionado a três coisas diferentes: ao animal pré-histórico, ao ex-presidente e à mineração. Nesse jogo de poderes entre ciencia, política e economia dançamos entre os tempos. Assim o futuro pode se desenhar entre a preservação, o resgate e a extinção.

TENTAREMOS NÃO NOS ESQUECER, por Letícia Marotta

IMPRESSÃO SOBRE AZULEJO

O trabalho propõe um resgate das memórias da ditadura civil-militar brasileira para que um outro futuro, principalmente coletivo, seja possível de ser pensado. Convocamos para esta perspectiva, as histórias de mulheres que participaram da luta de resistência à opressão desse período. São mulheres de vanguarda, que deixaram um legado sobre emancipação e autonomia. Foram militantes que romperam com o lugar esperado da sociedade da época para integrarem à luta, muitas vezes invisibilizadas muitas vezes até mesmo pela própria militância. As mulheres, muitas vezes vistas como ausentes dos movimentos de luta e resistência, são trazidas nessa obra como lugar central, como um gesto que evidencia o compromisso político feminino.

CONVÍVIO, por Maria Fernanda Ambuá e Izabella Coelho

INSTALAÇÃO IMERSIVA E INTERATIVA

Instalação imersiva e interativa (inédita) feita a partir de plantas comestíveis coletadas no bioma urbano (folhas, flores, sementes, frutos) e materiais reaproveitados, como tecidos garimpados e madeiras. Ativado na abertura da exposição, trata-se de um espaço vivo, que passará por transformações pela passagem de seres humanos e não humanos, bem como pela agência do tempo, a ser experienciado não apenas pelo olhar, como também pelo olfato, tato e paladar.

ÚRSULA, por Patrick Arley

FOTOGRAFIA

A série fotográfica sugere outras possibilidades de ser/estar na cidade a partir da confluência das lógicas disruptivas e insurreições do carnaval e dos corpos historicamente subalternizados e reprimidos, pelo racismo, machismo e pobreza. Úrsula, pessoa-corpo invisibilizada, torna-se musa, brilha e faz brilhar.

ANTI-RETRATO, por Alexandre Tavera

INSTALAÇÃO

A vontade de segurar o tempo, de fazer com que ele permaneça e não avance é uma luta sempre perdida. Mesmo inescapável, fazemos com que o tempo roa a vida da forma mais lenta possível. Inquieto por essa vontade de preservação e o inexorável envelhecimento, o artista cria uma instalação em que a imagem da criança se projeta em esculturas cosméticas, criando camadas sobrepostas e inventando peles empíricas e metafóricas.

POR TRINTA DIAS, MOLHE COM LEITE DE VACA NO QUAL TRÊS MORCEGOS TENHAM SE AFOGADO, por Darks Miranda

ESCULTURA

Imagine que sou briônia e em minhas raízes vive mandrágora. Imagine que tenho frutos amarelos, carnosos, aromáticos e tóxicos chamados de "maçãs do diabo" pelos árabes devido a supostos efeitos afrodisíacos, analgésicos, alucinógenos e mágicos.

CURADORIA

ILDNEY CAVALCANTI - É doutora em English Studies, pela University of Strathclyde. Professora associada da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas e é líder do Grupo de Pesquisa Literatura e Utopia. É uma das pioneiras dos estudos feministas e de gênero no Brasil e uma das principais especialistas em estudos sobre distopia e sobre Margaret Atwood. É organizadora de mais de uma dezena de livros, entre eles o Traduções da Cultura - Perspectivas Críticas Feministas 1970-2010.

ELIAS GIBRAN - Tem graduação em Gestão de Organização do Terceiro Setor (Processos Gerenciais), pela UEMG. É gestor e produtor cultural e, em 2005, criou a Napele Produções Artísticas. Trabalhou em projetos relacionados à culturas tradicionais e populares, em produções teatrais, em produção de livros e discos, festivais de teatro e de música. É um dos idealizadores da coleção Arte e Teoria. Foi um dos diretores do filme Viamão (2023) e também é escritor.

PEDRO KALIL - É doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela FALE/UFMG. É escritor, pesquisador e professor. Publicou os livros de ficção Balta e O menino que queria virar vento; o livro de poesia O ano do fogo e a dramaturgia Charlotte-peixe-borboleta. Publicou também o livro Autor/Autoria: Roland Barthes e Cahiers du Cinema. É um dos idealizadores da coleção Arte e Teoria. Atuou como professor em universidades federais.

SERVIÇO: ESPECULANDO FUTURO
artes visuais . artes do palco . literatura . música
abertura > 24 de junho . sábado . a partir das 10h
visitação > 26 de junho a 7 de julho . de segunda a sexta-feira, das 10 às 17h
Viaduto das Artes (Av. Olinto Meireles, 45 - Barreiro)
GRATUITO

Foto: Nuno Ayres

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