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"Berra" | 21 a 24 de junho - Espaço Candongas (BH) | Marco Paulo Rolla dirige espetáculo sobre feminismo no sertão roseano e na contemporaneidade

Com direção de Marco Paulo Rolla, o espetáculo evoca imagens do feminino que povoam a obra de Guimarães Rosa, com uma encenação que traz elementos da performance e das artes plásticas, e um discurso feminista que rompe com os padrões de comportamento impostos à mulher, trazendo como inspiração a liberdade, a força e a impetuosidade das jagunças do sertão brasileiro.

 

Inicia-se nesta terça (21) a segunda temporada do espetáculo "Berra", com direção do artista plástico e performer Marco Paulo Rolla. A montagem, que traz no elenco as atrizes Elisa Santana, Antônia Claret e Ludmilla Ramalho, faz duas temporadas em Belo Horizonte.

 

A primeira aconteceu de 15 a 18 de junho na Zap 18 (bairro Serrano), agora seguindo com quatro apresentações no Espaço Candongas (Av. Cachoeirinha, 2.221 - Cachoeirinha. Tel.: 31 3444-1964) de 21 a 24 de junho, terça a quinta, às 20h. Os ingressos custam R$20 e 10 (meia), disponíveis nas bilheterias dos espaços. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Teatro Performativo.

 

Esse espetáculo tem o patrocínio do Una (Minas Gerais Educação S.), por meio dos benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

 

PROCESSO DE CRIAÇÃO

O projeto surgiu dentro da Zap 18, espaço onde as três atrizes, que integravam o elenco do espetáculo "Esta Noite Mãe Coragem" - direção da Cida Falabella -, se conheceram. Desse encontro artístico surgiu o desejo de investigar o universo feminino, partindo da figura masculina dos jagunços que viveram no sertão mineiro, no final do sec. XIX e princípio de XX, e da importância da presença feminina no contexto do Cangaço, que aconteceu nas décadas de 40 e 50, no nordeste brasileiro.

 

Na primeira fase de ensaios, as atrizes foram orientadas pelo diretor Carlos Rocha para a criação das personagens femininas, inspiradas nos jagunços do sertão de Minas. Num segundo momento do trabalho, veio o convite ao artista e performer Marco Paulo Rolla para assumir a direção do espetáculo.

 

Com o diretor Marco Paulo Rolla, a equipe também tomou como inspiração as condições e o papel da mulher dentro dos grupos de cangaço, prioritariamente masculinos, nômades e fora da lei. Esses bandos caracterizavam-se como uma das primeiras revoltas sociais populares. "A mulher que decidia por esse destino tinha em conta um certo ganho de liberdade. Mesmo que subjugada ao papel de esposa e propriedade dos homens do bando, era mais livre que as mulheres casadas de arranjos familiares", explica o diretor.

 

Esse foi o ponto de partida para direção e atrizes resgatarem sentimentos femininos básicos, em situação limite. "Apesar de sermos atrizes de gerações diferentes, o discurso que fomos construindo tinha em comum a emancipação feminina que, de alguma forma, já aparece historicamente no comportamento dessas mulheres  jagunças, que, naquela época, saiam de casa e iam contra a sociedade, muitas vezes fugidas, raptadas, ou por vontade própria, para viver com 'bandidos' sanguinários", explica a atriz Elisa Santana.

 

As mulheres tinham que ser levadas para longe do grupo para se proteger de ataques e viver à sua maneira, genuína e independente das  obrigações conjugais. "Talvez nestes momentos elas experimentassem a sensação de serem donas de sua própria vida e deterem que extrair força e determinação de situações extremas", constata Elisa.

 

Além das pesquisas históricas e da inspiração na literatura roseana, as atrizes foram provocadas pela direção para um mergulho pessoal, nos seus desejos e questionamentos como mulher hoje. "Voltamos às mulheres que somos nós e todas que existem por aí, e em tempos distintos. No meu trabalho, entra meu presente, meu futuro e a minha ancestralidade. Tenho comigo minha mãe, minha avó, minha filha. Sou a memória feminina do mundo", conta Elisa.

 

"Berra trata do feminino tentando se libertar dessa ideia do ideal de beleza e delicadeza, atribuído a nós, mulheres", explica Antonia Claret. "Seja no sertão ou numa grande metrópole, o  Berro é um basta, o que quero é ser vista como ser humano e tratada com dignidade!", acrescenta a atriz.

 

O feminino no agreste tem de se revirar e explorar o masculino e o feminino, ultrapassando o desenho social de gênero, além da compreensão desta força dentro de nós. "Menina, nasci já com sela nas costas. Identidade fabricada. Tudo para manter a ordem. Essa ordem não me interessa. Porque sou égua, sou cavalo, sou bode, que berra", explica a atriz Ludmilla Ramalho.

 

Como resultado da pesquisa, "Berra" traz para a cena três mulheres, três corpos vivendo em uma realidade sem poses e, por isso mesmo, com dignidade e liberdade de ser humano". "'Berra', portanto, é mais um grito que vem de dentro de corpos femininos que até hoje são subjugados a uma sociedade machista, onde a mulher vem a cada dia ganhando mais espaço, mas está longe de ser tratada como igual ou equivalente", conclui Marco PauloRolla.

 

LINGUAGEM

Neste trabalho, texto é imagem, portanto, os figurinos-escultura, concebidos também pelo artista plástico Marco Paulo Rolla, sintetizam no corpo a dureza e a aridez do sertão. O corpo das mulheres carrega a paisagem e a força do cerrado. As mulheres transitam entre o vegetal, o animal, o geográfico e o humano, evocando entidades do poder feminino. Carregando e deslocando sua bagagem de vida, as três personagens não são caracterizadas com vestimentas de uma época, mas com roupas e objetos que nos transferem para um ser amplificado em tudo, um ser que não se divide e está naquele estado e condição de existir.

 

FICHA TÉCNICA

Concepção: Antônia Claret, Elisa Santana e Ludmilla Ramalho

Direção: Marco Paulo Rolla

Atuação e dramaturgia: Antônia Claret, Elisa Santana e Ludmilla Ramalho

Preparação de personagens (FASE 1): Carlos Rocha

Cenografia e Figurino: Marco Paulo Rolla

Assistente de cenografia e figurino: Miriam Menezes

Cenotécnia: Waldir Bezerra, Agnaldo Pires e Lorrayne Antonielle

Costureira: Mércia Louzeiro

Trilha Sonora (original): Rodrigo Salvador

Iluminação: Jésus Lataliza e Rodrigo Maçal

Fotos: Luiza Palhares

Filmagem: Coelha Produtora

Designer gráfico: Nando Motta

Coordenação e gestão do projeto: Ludmilla Ramalho

Direção de Produção: Márcia Bueno

Produção executiva: Márcia Bueno e Luiza Palhares

Contadora: Silvia Batista

Assessoria de imprensa e conteúdo de redes sociais: Beatriz França e João Marcos Veiga

Agradecimentos especiais: Carlos Rocha, Cida Falabella, Carol Corrêa, Cristina Tolentino,Grupo Trama, Escola de Teatro da PUC, Fernanda Polse, Lúcia Alves, Luiz Arthur e Nênez Santana

Patrocínio: Una (Minas Gerais Educação S.), por meio da Lei Municipal de Incentivo à cultura.

 

DIREÇÃO

Natural de São Domingos do Prata, Minas Gerais, 1967. Vive e trabalha em Belo Horizonte. Mestre em Artes pela Escola de Belas Artes da UFMG em 2006, fez residência na Rijksakademie van BeeldendeKunsten – Amsterdam, Holanda, 1998 e 1999. Desde 2001 é criador, coordenador e editor do CEIA - Centro de Experimentação e Informação de Arte – Belo Horizonte. Realizou exposições individuais no Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda. Participou de exposições coletivas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo; RohrbachZement, Dotternhausen, Alemanha; MuuGallery, Helsink, Finlândia; e na FoundazionePistoletto, Italy. Participou da programação de Performance da 29 Bienal de São Paulo, 2010. E em 2015 participou da exposição Terra Comunal com curadoria de  MarinaAbramovic. Ganhador do Premio de Aquisição do Salão Nacional da FUNARTE, Rio de Janeiro e do Premio Edgard Gunther de Pintura do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Seus trabalhos encontram-se em coleções como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Instituto ITAU Cultural de São Paulo, Museu de Arte da Pampulha de Belo Horizonte, Centro Cultural Inhotim, Brumadinho e FUNARTE do Rio de Janeiro. Como performer vem se destacando participando de festivais no Brasil e no exterior. Como coordenador  do CEIA – realizou entre outros eventos  no  posto de  curador da MIP – Manifestação Internacional de Performance, 2003 e 2009. Desde 2013 é o curador de performance do Memorial Minas Vale. É professor da escola Guignard UEMG,  desde 2009, onde criou a disciplina de Performance e é orientador e curador da Mostra Perplexa de performance. Também atua como orientado nas turmas de atelier de especialização de Pintura na mesma instituição.

 

ATRIZES

Antônia Claret é atriz formada pelo Teatro Universitário da UFMG. Foi integrante do Grupo de Teatro Atrás do Pano e fundadora-integrante da extinta Companhia Acaso. Participou como convidada das Companhias Zap 18 e Caixa Clara. Atuou nos espetáculos: "Por Parte de Pai"; "Carolina de Lorca" (direção); "Esta Noite Mãe Coragem"; Cinema; "A Menina e o Vento";  "O Sonho de Uma Noite de Verão"; "A Hora da Estrela". No cinema participou do Longa Metragem "Uma Professora Muito Maluquinha", na publicidade atuou no comercial do Instituto Mario Penna. Ganhou prêmios de melhor atriz pelos espetáculos "A Hora da Estrela" e "A Menina e O Vento"; melhor espetáculo "Por Parte de Pai".

 

Elisa Santana é atriz e professora de teatro, graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e no Curso de formação de atores pela Escola de teatro do Palácio das Artes.  Professora e diretora de teatro na Pontifícia Universidade Católica desde de 1998. Aprofunda conhecimentos de Arte e Educação no curso de Antroposofia“ Pontes entre o conhecimento e Autoconhecimento através da Arte, em Juiz de Fora, desde de 2006. Foi fundadora, coordenadora e atriz do grupo de teatro Zap 18 (ex Sonho e Drama). Atuou nos espetáculos: "Esta noite, Mãe Coragem", "O Sonho de Uma Noite de Verão", "Caminho da Roça", "Antígona", "A Lira dos 20 anos". Ganhou prêmios de atriz Revelação e Coadjuvante pelos espetáculos "ALira dos 20 Anos" e "Antígona". Acaba de lançar o livro de poesia intitulado “ Os Peixes do Meu Pano de Prato” e o CD autoral  Soneto 88.

 

Ludmilla Ramalho é atriz, performer, diretora, gestora cultural, licenciada na graduação de Teatro pela UFMG e pós-graduada em Performance no curso "Ação e movimento: a arte da performance, da Faculdade Angel Vianna, do Rio de Janeiro. Desde 2002 desenvolve trabalhos de pesquisa na área da performance, teatro, dança e cinema.Já participou de14 espetáculos,  além de trabalhos no cinema, publicidade e no campo da performance. É também idealizadora e atriz/diretora da CIA AFETA (www.afeta.com.br). Trabalhou com diversos artistas da cena mineira, como: Rita Clemente, Fernando Mencarelli,Cida Falabella, Juarez Dias, Fábio Furtado, Marco Paulo Rolla, Dudude Herrmann e Paola Rettore, além de Fernando Montes (Colombiano - Teatro Vara Santa). Dirigiu o premiado solo "Talvez eu me despeça" de Beatriz França, dramaturgia de Daniel Toledo, que dialoga com o teatro documentário e o campo da performance. Dos trabalhos solo, como performer, realizou: "Eu me rendo", "Quando tudo se desfaz","Viuvez em capítulos"e  "In memóriam".  No cinema, atuou nos curta-metragens "As Ruas de Ognatoque" de Carlos Canela, "Paris-Taxi" de Gustavo Cavalieri e "Vai passar o amor" de Saulo Salomão e Henrique Lizandro, além do longa-metragem "Cada dia uma vida inteira" de Cris Azzi. 

Foto: Luiza Palhares

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