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Descoletivo Coletivo apresenta LITORAL no Teatro João Ceschiatti de 21 a 23 de junho
Montagem dirigida pelo Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum investiga a tragédia contemporânea e marca a estreia do Descoletivo Coletivo, novo grupo teatral de BH
A face mais dura da sociedade contemporânea estará em evidência em Litoral, montagem que marca a estreia do grupo Descoletivo Coletivo. Com direção do Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum, o texto, do escritor libanês Wajdi Mouawad, conhecido pela peça Incêndios, é inédito no Brasil e foi traduzido por Assis Benevenuto, integrante do Quatroloscinco. O trabalho será apresentado de 21 a 23 de junho, quarta a sexta, às 20h, no Teatro João Ceschiatti, do Palácio das Artes, com entrada gratuita.
Escrito em 1999, o texto da peça mescla tragédia grega clássica a questões contemporâneas urgentes como guerra civil, xenofobia, racismo, identidade cultura, conflitos de gerações, temas recorrentes que apontam semelhanças entre Oriente Médio e Ocidente. No palco, atrizes e atores se revezam na apresentação das 47 cenas, construídas a partir do desenrolar do tema central da montagem: um jovem ocidental que parte para um país distante a tentativa de enterrar o corpo do pai. Ao se deparar com um cenário totalmente desconhecido e hostil, ele precisará desconstruir seus medos, crenças, preconceitos e visão de mundo para descobrir a sua própria história.
Embora o texto de Wajdi Mouawad seja um relato da sociedade do Oriente Médio no fim dos anos 1990, a peça busca traçar um panorama do atual momento do Ocidente ao relatar as histórias das personagens em diferentes situações cotidianas. A proposta é que as diferentes narrativas provoquem sensações variadas no espectador, desde o espanto até o encantamento. A montagem tem figurinos, cenário e caracterização de Thálita Mota; Direção musical de Gil Amâncio; Iluminação de Marina Arthuzzi; Preparação vocal de Ana Hadad; e Preparação corporal de Fernando Barcellos.
Para identificar as diferenças culturais e ideológicas que separam as duas regiões, o elenco participou de um longo processo de pesquisa. Eles buscaram informações sobre conflitos e características culturais da região a partir de reportagens, exposições, filmes, livros e fotografias, entre outros. Após esse exercício, atrizes e atores passaram a relacionar situações, problemas e questões pessoais vividas em nossa sociedade com as situações presentes no texto de Mouawad, em um processo de cruzamento e aproximação de realidades.
Temas mais distantes da realidade brasileira, como a guerra civil, conflito que vem se tornando comum em diversas nações do Oriente Médio, também inspiraram a criação das cenas. A junção entre realidade e ficção transcorreu de maneira mais incisiva graças à característica da obra de Mouawad, que é capaz de se adaptar às várias mudanças sociais.
Esta é a primeira vez que os integrantes do Quatroloscinco assinam a direção de um outro coletivo. Os atores Assis Benevenuto, Italo Laureano, Marcos Coletta e Rejane Faria buscaram nessa montagem enfatizar o trabalho do ator com o texto teatral, o manejo e a habitação da palavra, a presença e a performatividade.
O convite ao Quatroloscinco foi uma iniciativa das próprias atrizes e atores, formandos do Cefart em 2016, que buscavam o encontro e a troca de experiências com um coletivo profissional e o desejo de trabalhar com um texto denso, que valorizasse o trabalho do ator. Agora o jovem grupo se consolida profissionalmente como Descoletivo Coletivo.
Sobre o Descoletivo Coletivo
O Descoletivo é um grupo de teatro criado pelos atores formados no curso profissionalizante de teatro CEFART em 2016. Atualmente, tem dois espetáculos em repertório. “Cortiço”, com direção de Lenine Martins; e “Litoral”, com direção do Grupo Quatroloscinco.
Sobre o Grupo Quatroloscinco
O Quatroloscinco - Teatro do Comum mantém trabalho continuado de pesquisa e prática teatral desde 2007, baseado principalmente na criação coletiva e autoral sob uma estética contemporânea. O Grupo busca uma cena centrada no jogo entre os atores e em seu encontro com o espectador. Formado por ex-alunos de Teatro da UFMG, o Quatroloscinco se profissionalizou e se tornou um dos mais destacados, produtivos e elogiados grupos do teatro mineiro contemporâneo, conquistando prêmios, críticas, e apresentações em mais de 50 cidades de 15 estados do país, além de Cuba, Uruguai e Argentina, em festivais de cunho nacional e internacional. O Grupo tem em seu repertório os espetáculos Fauna, Ignorância, É só uma formalidade, Outro Lado, Get Out! e Humor, além de quatro livros lançados com a dramaturgia de seus espetáculos.
Sobre Wajdi Mouawad
Nascido no Líbano em 16 de outubro de 1968, Wajdi Mouawad é forçado a abandonar a sua terra natal aos oito anos, devido à guerra civil. Começa um período de exílio ao lado da família, em Paris. Em 1983, o Estado francês recusou-lhe os documentos necessários para a manutenção de sua condição de imigrante no país. Da Europa, Mouawad se muda para Québec, no Canadá. Lá, estudou e obteve em 1991 o grau de interpretação Escola de Teatro Nacional do Canadá, em Montreal. Funda, ao lado da atriz Isabelle Leblanc, sua primeira empresa, Théâtre Ô Speaker. Em 2000, é convidado a assumir a direção artística do Quat'Sous Theatre, em Montreal. Cinco anos mais tarde, cria as empresas Abé Carré Cé Carré, em Québec. Desde setembro de 2007, é o diretor artístico do Ottawa National Arts. Em 2009, o artista apresentou Litoral durante o Festival de Avignon.
SINOPSE
"No cruzamento dos caminhos, aí pode estar o outro". Após a morte de seu pai desconhecido, Wilfrid decide voltar para sua terra natal a fim de enterrá-lo. O jovem segue então em direção a um país desconhecido, devastado por conflitos. Em sua jornada, Wilfrid encontra outros jovens, marcados pela guerra e em busca de um novo significado para suas vidas. Como manter-se vivo com o que está morto em nós? A memória é uma dádiva, e é através do nome de cada um, dos vivos e dos mortos, que eles contarão suas histórias.
Foto: Kleber Bassa
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