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Sismógrafo - Um mergulho nas águas da autoficção poética

Primeiro livro de Raquel Batista será lançado no dia 29 de junho

A mineira Raquel Batista é poetisa, compositora, cantora, publicitária e podcaster. Tantas vivências diferentes podem ter contribuído para a riqueza de experiência de Sismógrafo, seu primeiro livro de poemas. O livro começou a ser escrito praticamente em setembro de 2018, embora traga também textos de anos atrás que a autora considerou pertinentes para a construção da obra.

“São 31 poemas, divididos em três partes: memória, desejo e medo da morte”, explica a autora.

O livro é lançado de forma independente no que começa a se mostrar o - ainda sem nome - mais novo selo de escritoras de Belo Horizonte, do qual também fazem parte Daniele Gomez - que assina o prefácio da obra e prepara dois lançamentos para o próximo semestre - e Aline Cristine(Cristirinhas).

O lançamento acontecerá no Espaço Quebra (Rua Januária, 411 - Floresta – BH) no dia 29 de junho, de 18h às 22h, e contará com pocket show da artista Bruna Vilela (Mieta), sessão de autógrafos e leitura de alguns poemas. A entrada é gratuita e o livro estará disponível para venda (R$30) no local e também pela internet.

Construção

As vivências múltiplas como compositora, cantora, publicitária e podcaster resultam também na poesia de Raquel Batista, mas reduzir a construção do seu eu-lírico a essas múltiplas experiências ainda seria delimitá-lo. Isso porque a poesia de Raquel é extremamente sinestésica. Inspira todos os sentidos, te leva a lugares que já foram percorridos, em uma amostra encantadora de nostalgia e deja-vu.

Em uma cena, imaginamos amores recém-descobertos dançando ao som da música, sob luzes de boate e fumaças de cigarro. Cheiro, toques, música, corpos na pista, todas as sensações se misturam para trazer, enfim, um pouco de coragem para viver o amor todo de novo. É se lembrar de que "gente perde a coragem quando cresce" e logo recobrá-la.

A poesia de Raquel consegue, enfim, a faceta de "extrair o sublime do cotidiano", como já disse uma vez Cristina Mutarelli. O aspecto da memória percorre as entrelinhas de muitos dos versos de Sismógrafo, sendo título de uma de suas partes. De Casa na Água a Cultivo, por exemplo, notamos que, além de ser um texto encantadoramente visual, é um texto que apela para a sensação mais profunda da memória. Aquela que te faz sentir, sonhar.

Quando muitos defendem a destruição da memória, a poesia de Sismógrafo é capaz de nos trazer de volta, de resgatar a importância de se rememorar, de registrar, de se lembrar de onde veio e principalmente, de quem veio com você. A poesia-diário de Raquel é, sobretudo, uma poesia de raízes. E é por isso que precisamos tanto dela hoje em dia.

“A primeira exposição que visitei no Palácio das Artes, aquele lugar frio e branco, se chamava Sismógrafo. Em uma das instalações, entro numa sala escura - só - e fico a observar o barco se afastar da margem por longos, porém intangíveis, minutos. Aquilo abriu fendas em mim, abalou meu centro. Sismógrafo é o registro cru e delicado disso, dessa sucessão de fendas abertas por onde passam o bom e o ruim, pois sou os dois e nunca quis ser um só”, conclui Raquel.

Foto: Rodrigo Lana

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