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UM DESVIO PARA OS RITMOS BRASILEIROS
Entre a força e a delicadeza da combinação dos ritmos nacionais com a música erudita, os percussionistas Leonardo Gorosito e Rafael Alberto lançam o DVD Cancioneiro. O show de lançamento, que tem entrada gratuita, será no dia 15 de junho
Em Cancioneiro, o universo popular brasileiro é desconstruído para ser então reimaginado pelos percussionistas e compositores Leonardo Gorosito e Rafael Alberto, que juntos formam o duo DESVIO. O espetáculo, que desde 2013 vem percorrendo diversos palcos e, em 2016, foi gravado em CD, agora ganha um DVD com oito peças autorais - Sementes, Imã, Folhagens, Magma, Cascas, Limalhas, Fandangueiro e Ao Léu. As obras trazem uma combinação de ritmos nacionais com o pensamento formal erudito e encantam pela intensidade e lirismo, força e delicadeza. O show de lançamento será no dia 15 de junho, quinta-feira, às 19h30, no MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal, do Circuito Liberdade.
Como parte do projeto, os percussionistas darão oficinas nos centros culturais São Bernardo e Alto Vera Cruz e farão um ensaio aberto na Escola Municipal José Madureira Horta, no bairro Santa Amélia. Leonardo e Rafael farão também um workshop na Associação de Cegos Louis Braille, especialmente criado para os deficientes visuais atendidos pela instituição, com o intuito de promover a acessibilidade e inclusão por meio da música. Todas as atividades serão gratuitas.
O DVD Cancioneiro é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte - Fundação Municipal de Cultura. Seus patrocinadores são as empresas Supermix, Hospital de Olhos Rui Marinho e Axis Shopping. O lançamento do DVD conta ainda com o apoio do MMGerdau - Museu das Minas e do Metal, local da apresentação.
SOBRE DESVIO
Formado pelos percussionistas e compositores Leonardo Gorosito e Rafael Alberto, o duo DESVIO começou sua história em 2005, ano em que os músicos se conheceram e iniciaram um trabalho de experimentação. Entretanto, a oficialização do duo ocorreu apenas em 2010, quando os músicos firmaram a parceria. DESVIO é um conceito. Uma palavra também formada pelas sílabas contidas em Desconstrução do óbvio.
A identidade de Desvio é formatada por meio da combinação dos ritmos brasileiros com o pensamento formal erudito. A fusão desses dois elementos, somados às diferentes formações dos músicos, compõe uma sonoridade única e peculiar ao duo.
DESVIO já realizou três espetáculos autorais – C’Alma, Miniaturas e Cancioneiro - e suas peças têm sido executadas por músicos de outros países como Inglaterra, França, Bélgica, Japão, Cingapura, Dinamarca e, principalmente, Estados Unidos.
Em 2015, Leonardo e Rafael ganharam o Circuito de Música Acústica e, como prêmio, levaram o espetáculo Cancioneiro ao palco em show com participação especial de Hamilton de Holanda. No ano passado, os percussionistas compuseram e estrearam o “Concerto para dois pandeiros e orquestra de cordas” para a Orquestra Ouro Preto, em um concerto no qual o espetáculo C’Alma ganhou uma versão orquestral.
O grupo também tem recebido encomendas de novas obras para percussão e espetáculos de dança. Duas de suas mais recentes produções são as trilhas sonoras do espetáculo “Pai”, para a Cia Antonio Nóbrega de Dança, e “Da quadrinha ao galope beira-mar” em conjunto com o próprio Antonio Nóbrega.
Leonardo Gorosito
Leonardo Gorosito é músico e compositor. Foi integrante da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, da Philharmonia Orchestra (Yale) e do Yale Percussion Group (EUA), com o qual se apresentou no prestigiado palco do Carnegie Hall. Fez turnê pela África e ministrou cursos de percussão brasileira na França. Voltou ao Brasil convidado a dirigir musicalmente os espetáculos “Amado” e “Húmus”, ambos produzidos pelo Teatro Brincante, de Antônio Nóbrega.
Possui Bacharelado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), como aluno de John Boudler, Carlos Stasi e Eduardo Gianesella, e Mestrado em Percussão pela Yale University, sob a orientação do professor Robert Van Sice. Recentemente, concluiu seu Diploma de Artista na mesma instituição.
Rafael Alberto
Rafael Alberto é músico, compositor e percussionista principal da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Foi integrante da Stony Brook Symphony Orchestra e do Contemporary Chamber Players, grupo especializado em música da segunda metade do século XX e XXI. Participou também do Grupo Piap – grupo de percussão da Unesp, e fundou o PercuTRIZ – Trio Percussivo, grupo com o qual foi finalista do programa Furnas Geração Musical III. Já foi solista junto à Filarmônica de Minas Gerais, Orquestra Ouro Preto e, ainda este ano, estaráà frente da Orquestra de Câmara do SESIMINAS.
Formou-se no Conservatório de Tatuí, sob orientação de Luis Marcos Caldana e Javier Calvino, e concluiu seu Bacharelado em Percussão pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), tendo como professores John Boudler, Carlos Stasi e Eduardo Gianesella. Em 2011, concluiu seu Mestrado pela Stony Brook University, em Nova York, como aluno de Eduardo Leandro e bolsista integral da instituição.
AS OBRAS DO DVD CANCIONEIRO
Sementes [2010], para chocalhos 10’
A vontade de escrever uma peça apenas para chocalhos veio dos caxixis. E da certeza de que viabilizariam frases bem elaboradas. A eles - os protagonistas de sementes - foram adicionados muitos outros chocalhos, alguns manufaturados e outros construídos pelo duo. E junto vieram os inusitados, como os chocalhos afináveis e os auto-suficientes. O resultado final corrobora a teoria do “menos é mais”, com sua imensa paleta de sons oriundos de um único princípio sonoro, o chacoalhar.
Imã [2012], para marimba e vibrafone 6’
Existe entre a marimba e o vibrafone uma força centrípeta. Um casamento perfeito de sons, capaz de elevá-los a uma nova dimensão. Escrita em moto-perpetuo, a peça é também dotada de uma força motriz própria, como se cada nota fosse responsável pela manutenção de um contínuo fascinante. Seu nome faz alusão a essas duas forças, a centrípeta e a motriz, que, imantadas por um uníssono constante, constroem a peça sem esforço.
Folhagens [2012], para dois pandeiros preparados 6’
Um pandeiro sempre tem seu som associado às platinelas. Uma fatalidade que foi desafiada por DESVIO com sua “engenhoca” capaz de controlá-las. Assim, a peça caminha através do encanto pela impossibilidade de prever quando elas serão ouvidas. Folhagens é a peça mais literal ao empregar os ritmos brasileiros em sua estrutura. São eles: o maculelê, o afoxé, o barra-vento e, como não podia deixar de ser, o samba.
Magma [2013], para marimba e vibrafone 9’
O livro de Guimarães Rosa homônimo contém a essência do autor. Escrito no início de sua carreira, a coletânea de poesias traz à tona as entranhas literárias, analogamente a erupção de um vulcão. Assim é a construção dessa peça: cada nota é apresentada paulatinamente, até que a junção das mesmas, por acúmulo de energia, culmine em uma explosão. Para tal, a peça apresenta apenas duas coletâneas de notas, que trabalhadas individualmente no início, fundem-se no fim. Magma, ao contrário de Guimarães Rosa, foi a última peça escrita para o “Cancioneiro” e constitui a fase de maior maturidade composicional do duo.
Cascas [2012], para duas alfaias e sinos de noé 10’
A peça com maior potencial para um produto final bruto, devido às propriedades físicas do instrumento, excedeu as expectativas. Escrita para duas alfaias e seis sinos de Noé, a peça desenvolve-se através de diversos ciclos de diferentes durações em sobreposição, originando frases que encontram-se periodicamente mas que em seu processo de defasagem, geram lindas melodias. A beleza dos sinos em contraste ao grave visceral das alfaias garantem movimento, convidando o público a uma experiência eletrizante, porém introspectiva.
Limalhas [2013], para marimba e vibrafone 6’
Existem duas características marcantes em Limalhas: a influência minimalista e sua sonoridade cinematográfica. Composta em camadas, a sua rítmica repetitiva é a base sobre a qual as melodias desenvolvem-se. Em contraponto à constância rítmica, seu movimento harmônico lento e de trocas óbvias conduz o espectador por um caminho de constante renovações. Ao fim, uma homenagem ao ícone máximo do minimalismo americano, Steve Reich.
Fandangueiro [2009], para marimba solo e alfaia 5’
Existem duas características marcantes da música folclórica brasileira presentes em Fandangueiro. A primeira, a melodia acompanhada por um bordão fixo, é uma representação dos cantos de fandango da região sul do país. Já a segunda, a presença constante de tambores, érepresentada pela alfaia, que contrapõe o fandango com baques de maracatu nação. Uma combinação que derruba fronteiras e celebra a multiplicidade cultural brasileira.
Ao Léu (2005)
Foi a primeira peça composta por Desvio. Em 2005, Leonardo Gorosito e Rafael Alberto ingressavam juntos no bacharelado em música e, através desta peça, começaram a trajetória rumo à concretização do duo.
OFICINAS, WORKSHOPS E ENSAIO ABERTO
Oficina:
- 5 de junho, segunda-feira, das 19h30 às 22h00, no Centro Cultural São Bernardo (Rua Edna Quintel, 320 – bairro São Bernardo).
Número de vagas: 20.
Informações: ccsb.fmc@pbh.gov.br
Telefone: (31) 3277-7416
Workshop:
- 7 de junho, quarta-feira, das 16h às 18h, na Associação de Cegos Louis Braille (R. Geraldo Teixeira da Costa, 202 – bairro Floresta)
Número de vagas: 20 - exclusivo para as pessoas atendidas pela entidade.
Sobre: O workshop será destinado a deficientes visuais atendidos pela Associação de Cegos Louis Braille. Nessa atividade, devido ao grande potencial de comunicação visual dos instrumentos de percussão, pretende-se desenvolver um trabalho em que através do tato, olfato e descrições verbais, os deficientes visuais possam estreitar a relação multissensorial com pandeiros, chocalhos e afins.
Oficina:
- 8 de junho, quinta-feira, das 13h30 às 16h00, no Centro Cultural Alto Vera Cruz (Rua Padre Júlio Maria, 1577 – bairro Alto Vera Cruz).
Número de vagas: 20.
Informações: ccavc.fmc@pbh.gov.br
Telefone: 31 3277-5612
Sobre: de forma leve e lúdica, a oficina irá trabalhar ritmo, leitura musical e criatividade – aspectos fundamentais da educação musical –utilizando as células dos ritmos brasileiros como ferramenta base. São exercícios fundamentados em um primeiro momento na constância rítmica do andar e que, aos poucos, se tornarão mais complexos. Ao final, todos os participantes criação coletivamente uma pequena peça para percussão.
Ensaio aberto:
-9 de junho, sexta-feira, às 10h20, na Escola Municipal José Madureira Horta (Rua Joaquim Raymundo Braga, 40 – bairro Santa Amélia). Aberto ao públicoSobre: O ensaio aberto trata-se de um concerto didático, no qual os músicos tocam e abordam sobre os instrumentos, contando sobre sua origem e representatividade no universo musical.
Foto: Fernando Lara
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