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CCBB-BH RECEBE BATE-PAPO SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DE ATHOS BULCÃO PARA AS ARTES E ARQUITETURA

Promovida em parceria com a CASACOR Minas, o encontro marcado para esta quinta-feira (14/06), será uma oportunidade para refletir sobre a contribuição de Athos Bulcão para as artes e também para a arquitetura.

Belo Horizonte recebe até o próximo dia 25 de junho uma exposição com mais de 300 trabalhos, alguns dos quais inéditos, assinados por Athos Bulcão. A mostra “100 anos de Athos Bulcão”, que chega a BH depois de passar por Brasília, onde fica instalada a sede da Fundação Athos, contará com atividade especial na próxima quinta-feira (14/06), ás 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB-BH).

Com o objetivo de aprofundar ainda mais o legado do artista brasileiro para a arquitetura e azulejaria do país, o evento recebe bate-papo inédito com a presença de profissionais renomados. Participarão da conversa o azulejista Alexandre Mancini, considerado discípulo de Athos Bulcão e João Grillo, designer e empresário do setor arquitetônico. O encontro será mediado pelo jornalista Carlos Andrei, repórter do jornal O Tempo, especializado na cobertura de artes visuais. A entrada é franca.

“A mostra ‘100 anos de Athos Bulcão’ é uma exposição muito rica e importante para a cidade. Esse bate-papo, portanto, surge como oportunidade única, tendo em vista a forte ligação do belo-horizontino e do mineiro com o modernismo, as obras de arte em azulejo e com o próprio artista. Fica o nosso convite para esse encontro que celebrará o centenário de Athos Bulcão e que contará com a presença de grandes nomes da área”, destaca Eduardo Faleiro, Diretor de Conteúdo e Relacionamento da CASACOR Minas.

Com a intenção de propor um profundo mapeamento e imersão na diversidade dos trabalhos e técnicas de Athos Bulcão, a mostra oferece ao espectador a possibilidade de conhecer o processo de produção do artista de diversos trabalhos realizados entre os anos 1940 e 2005. Obras de artistas mais jovens que direta ou indiretamente foram influenciados por Athos também estão sendo apresentadas na seção “Nos Rastros de Athos”.

:: Sobre os convidados ::

Alexandre Mancini (Belo Horizonte, 1974), artista autodidata, iniciou sua carreira em 2006 dedicando-se a azulejaria brasileira e ganhou reconhecimento como discípulo formal de Athos Bulcão. Pioneiro na renovação da azulejaria brasileira a partir dos anos 2000, Mancini é considerado um dos principais artistas do segmento produzindo obras em todo o país. Concomitantemente ao trabalho de criação e execução de suas obras, Mancini se mostra dedicado a divulgar e valorizar a tradição azulejar brasileira ao apresentar a riqueza de seu patrimônio através de palestras e oficinas, no Brasil e no exterior.

João Grillo é arquiteto e urbanista. Foi diretor do Instituto dos Arquitetos do Brasil (1986-1993), proprietário de um escritório de arquitetura (1983 a 1988), sócio fundador da Belíssimo! (200 a 2017) e atual sócio fundador da TerraTile desde 1985. É também diretor da Cult Promoções, tendo atuado na organização de diversos eventos de arte, arquitetura e design. Foi coordenador da Premiação Design Brasil, coordenador da CASACOR Minas (1994 a 2015) e consultor da CASACOR Minas (2016 e 2017). Foi premiado diversas vezes no Museu da Casa Brasileira desde 1988, recebeu o prêmio Selo da Excelência da Bienal Brasileira de Design em 1999, participou da Bienal Ibero Americana de Design em Madri (2014) e participou de várias exposições como designer, inclusive, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Carlos Andrei é jornalista também graduado em Letras pela UFMG. Tem especialização em Processos Criativos em Palavra e Imagem pela PUC Minas. Repórter do caderno de cultura Magazine do jornal O Tempo, com maior atuação nas áreas de literatura e artes visuais.

:: Sobre a exposição ::

Dividida em oito núcleos, a mostra destaca a trajetória de Athos Bulcão na azulejaria, mas vai muito além ao destacar também a pintura figurativa do artista realizada nos anos 1940 e 1950, antes de Brasília, a série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária. A mostra contém ainda os croquis que Athos Bulcão fez para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas Amahle Os Visitantes da Noite de Menotti, paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhouquando estava em Paris.

Outro aspecto da exposição é a interatividade, desenvolvida a partir do caráter urbano e democrático da obra pública de Athos Bulcão inserida nas cidades. Através de um aplicativo criado especialmente para a mostra, o público será convidado a interagir e apropriar-se de projetos do artista.

Com o patrocínio do Banco do Brasil, realizada pela Fundação Athos Bulcão e produzida pela 4 Art, a exposição, que já esteve em Brasília, “100 anos de Athos Bulcão” irá percorrer também as unidades do CCBB de São Paulo e Rio de Janeiro, ao longo desse ano.

Sobre Athos Bulcão

Nascido no Catete, Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1918, Athos passou sua infância em uma casa ampla em Teresópolis. Perdeu a mãe, Maria Antonieta da Fonseca Bulcão, de enfisema pulmonar antes dos cinco anos e foi criado com seu pai, Fortunato Bulcão, entusiasta da siderurgia, amigo e sócio de Monteiro Lobato, com o irmão Jayme, 11 anos mais velho, e com suas irmãs adolescentes Mariazinha e Dalila, que substituíram a mãe.

Enquanto crescia, passava muito tempo dentro de casa e, por ser muito tímido, misturava fantasia e realidade. Na família havia um interesse pela arte e suas irmãs o levavam freqüentemente ao teatro, ao Salão de Artes, aos espetáculos das companhias estrangeiras, à ópera e à Comédia Francesa. Athos aos quatro anos ouvia Caruso no gramofone, e ensaiava desenhos sem, no entanto, chamar a atenção da família. Chegou às artes graças a uma série de acidentais e providenciais lances do acaso.

Athos foi amigo de alguns dos mais importantes artistas brasileiros modernos, os maiores responsáveis por sua formação. Carlos Scliar, Jorge Amado, Pancetti, Enrico Bianco - que o apresentou a Burle Marx -, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Ceschiatti, Manuel Bandeira entre outros.

Aos 21 anos, os amigos o apresentaram a Portinari, com quem trabalhou como assistente no Mural de São Francisco de Assis na Pampulha e aprendeu muitas lições importantes sobre desenhos e cores. Antes de pintar, planejava as cores que usaria e acredita fervorosamente que o artista tem de saber o que quer fazer. Athos não acredita em inspiração. Para ele, o que existe é o talento e muito trabalho. "Arte é cosa mentale", diz, citando Leonardo da Vinci.

A trajetória artística de Athos Bulcão é especialmente consagrada ao público em geral. Não ao que freqüenta museus e galerias, mas ao que entra acidentalmente em contato com sua obra, quando passa para ir ao trabalho, à escola ou simplesmente passeia pela cidade, impregnada pela sua obra, que "realça" o concreto da arquitetura de Brasília.

Como diria o arquiteto e amigo pessoal, João Filgueiras Lima, o Lelé, "como pensar o Teatro Nacional sem os relevos admiráveis que revestem as duas empenas do edifício, ou o espaço magnífico do salão do Itamaraty sem suas treliças coloridas?", difícil imaginar. Athos é o artista de Brasília. As obras que aqui realizou foram feitas para o convívio com a população e carregam a consideração por esta cidade e seus habitantes.

Athos Bulcão estava em tratamento contra o Mal de Parkinson desde 1991 no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Faleceu em 2008 após uma parada cardiorrespiratória, aos 90 anos.

Foto: Leca Novo

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