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Cineasta homenageado Alfredo Sternheim participa de sessão comentada em BH
O diretor, roteirista e jornalista Alfredo Sternheim dará ainda uma masterclass gratuita no dia 20 de junho no Cine Humberto Mauro; inscrições podem ser feitas até 17 deste mês no site www.curtacircuito.com.br
Para fechar a programação do segundo bimestre, que homenageia Alfredo Sternheim, o Curta Circuito - Mostra de Cinema Permanente traz um dos maiores sucessos do diretor, o longa Anjo Loiro (1973), que levou a então atriz iniciante, Vera Fischer, ao estrelato. O filme foi censurado durante a ditadura militar e ficou anos sem ser exibido. A sessão especial, com direito a bate-papo com o cineasta, mediado pela curadora Andrea Ormond, acontece na próxima segunda-feira, dia 19 de junho, às 20h, no Cine Humberto Mauro. A entrada é franca e os ingressos devem ser retirados na bilheteria do cinema 30 minutos antes da exibição. No dia 20 de junho, Sternheim ministra ainda uma masterclass gratuita e aberta ao público sobre cinema nacional e bastidores de suas produções.
Baseado no livro “Professor Unrat”, de Heinrich Mann, o drama erótico Anjo Loiro segue o mote escolhido pela curadoria do Curta este ano, que sob o tema País Tropical reuniu produções apimentadas do cinema popular nacional. Segundo longa dirigido por Alfredo Sternheim, o filme foi sucesso de público na época de seu lançamento e levou muita gente aos cinemas durante as cinco semanas em que ficou em cartaz, antes da censura proibir sua exibição. A forte repressão e o severo controle da ditadura militar também proibiu que o cineasta desse o nome de 'Anjo Devasso' ao filme, que acabou levando o título de Anjo Loiro. O filme recebeu o prêmio de melhor roteiro, para Alfredo Sternheim e Juan Siringo, e melhor atriz coadjuvante, para Célia Helena, da Associação Paulista de Críticos de Arte, a APCA (1974).
Diretor de cerca de 40 produções, Sternheim foi um dos grandes nomes da Boca do Lixo, polo cinematográfico paulistano na década de 1970 e 1980, conhecido como reduto do cinema independente nacional da época. Mesmo sendo pouco conhecido pelo grande público nos dias de hoje, Sternheim deixou sua marca na história do cinema brasileiro. “Há, no cinema de Alfredo Sternheim, uma certa impureza que lança muitos de seus filmes para um outro tipo de registro. Essa “impureza” pode estar no argumento proposto, pode estar na atuação de um ator ou atriz, e pode estar ainda em algum diálogo. E é nesse encontro entre o rigor do diretor na cena com essas “impurezas” que alça o seu cinema a um patamar de tônus pulsante”, afirma o jornalista Adilson Marcelino.
Anjo Loiro l Alfredo Sternheim, SP, 1973, 103'
Ao convencer Laura, a namorada volúvel de seu melhor aluno, a abandoná-lo para não prejudicar seus estudos, o professor Armando torna-se amante da moça. As constantes infidelidades de Laura com homens mais jovens levam Armando ao desespero e fazem-no perder o emprego. Após uma reconciliação, volta a encontrá-la nos braços de outro. Espancado e humilhado, é abandonado definitivamente por Laura e a conselho do irmão vai para o interior tentar refazer sua vida. Dentro de um ano talvez pudesse voltar a São Paulo e à antiga respeitabilidade.
Elenco: Mario Benvenutti, Vera Fischer, Celia Helena, Ewerton de Castro, Nuno Leal Maia
Alfredo Sternheim
Diretor, roteirista, jornalista e escritor, Alfredo Sternheim conheceu a Boca do Lixo como poucos. Crítico de cinema do O Estado de São Paulo e diretor de vários títulos, Alfredo trafegou entre intelectuais, atrizes, atores, diretores, fotógrafos e o mundo de personagens que fizeram da Rua do Triumpho um marco na história do cinema brasileiro. Ainda garoto, participou como ator em Osso, Amor e Papagaios, na Vera Cruz. Encantando pelas câmeras, tornou-se assistente de Walter Hugo Khouri e colega do também crítico Rubem Biáfora.
O Especial Alfredo Sternheim trará até o final de junho, quatro longas-metragens que são um resumo da trajetória do artista, além da MasterClass, que será ministrada por ele no dia 20 de junho, oportunidade única de conhecer os bastidores de suas produções. As inscrições para a MasterClass poderão ser feitas até 17 de junho no site oficial da mostra (www.curtacircuito.com.br).
Até o fim do ano, outro importante nome do cinema brasileiro também será homenageado pelo Curta Circuito: o cineasta Afrânio Vital (julho/agosto). No primeiro bimestre o homenageado foi o ator e produtor, Carlo Mossy
Sobre o Curta Circuito
Durante sua trajetória, iniciada em 2001, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, conseguiu reunir um público de mais de 72 mil pessoas, que estiveram presentes em quase cinco mil sessões. A mostra, dirigida desde 2016 por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. Em 2017 a curadoria passou a ser feita pela crítica de cinema e autora do blog Estranho Encontro, Andrea Ormond. Tendo já atuado em 18 cidades dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará, a mostra atualmente está presente em Belo Horizonte, onde tem como “sede” de suas exibições o Cine Humberto Mauro, e comemora a volta para os município mineiros de Montes Claros e Araçuaí. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, Nelson Xavier, Darlene Glória entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando na restauração de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM-RJ. A iniciativa recebeu Mention do D'Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.
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