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Subterrânea: uma fábula grotesca estreia nesta sexta-feira (16/6), no Teatro de Bolso do Sesc Palladium
Solo de Juliana Birchal reflete angústias sobre a sociedade brasileira ao usar ciclo de vida da cigarra para representar uma mulher que, ao mesmo tempo, é vítima e algoz do sistema patriarcal
Uma fábula grotesca. Assim é descrito o espetáculo “Subterrânea”, que chega ao palco do Teatro de Bolso do Sesc Palladium nesta sexta-feira, 16 de junho, com apresentações, também, nos dias 17 e 18. O solo aborda a trajetória de uma mulher-cigarra que, uma vez nascida cigarra, deve se conformar a cumprir o seu papel: acasalar, reproduzir e morrer. Os ingressos custam R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada – mediante doação de 1 quilo de alimento não perecível) e podem ser adquiridos neste link ou na bilheteria do teatro.
Pelo bem da espécie, a mulher-cigarra reproduz o próprio sistema que a reprime, mantendo assim, a ordem natural das coisas.Assim, o ciclo de vida desse inseto tão curioso, traz consigo a representação da figura feminina na sociedade patriarcal que, muitas vezes, acredita que a sobrevivência depende do cumprimento das obrigações que o próprio sistema impõe.
As inquietações provocadas pelo recente contexto político e social brasileiro, somadas às inspirações originadas pela obra "As aventuras de Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, despertaram na artista Juliana Birchal a vontade de se expressar por meio da fábula.
O planejamento inicial, que consistia na montagem de um espetáculo a partir do livro que conta as aventuras de Alice, surgiu em 2019. Com a pandemia, o projeto acabou sendo engavetado, mas a imagem do “subterrâneo”, contida no título original do livro infantil e em toda a temática da narrativa, passou a traduzir o sentimento da atriz naquele momento.
Aliada a isso, a preocupação com a radicalização política despertou o interesse sobre a propagação de ideias conservadoras que são usadas para justificar as estruturas opressivas e desiguais da sociedade.
“Um momento no qual a gente via os discursos de ódio e intolerância ganharem espaço, a extrema direita ganhar força e as pessoas reivindicarem o direito de falar sobre os seus preconceitos sob o nome de ‘liberdade de expressão’. Meu trabalho individual na sala de ensaio, sem o compromisso de realizar um espetáculo, sempre se relacionava com isso de alguma forma”, conta a artista.
A associação do “subterrâneo” a esse lugar interno onde o pior de nós está escondido foi instantânea. Pouco a pouco, juntou-se a essa imagem à de insetos que vivem debaixo da terra e que atuam como pragas. Dentre os insetos investigados, a cigarra se destacou.
“Toda essa pesquisa foi bastante intuitiva, não sabia exatamente no que iria dar, mas finalmente cheguei ao inseto cigarra e fez sentido para mim criar uma narrativa a partir disso. Para mim, o ciclo de vida da cigarra dialogava perfeitamente com essa mulher de bem, que é ao mesmo tempo vítima e algoz desse sistema de poder”, conclui.
O trabalho em sala de ensaio contemplou a investigação sobre diferentes corpos-máscaras, do nariz de palhaço ao objeto como máscara. A experiência da atriz foi somada àquela do ator e diretor Lenine Martins, conhecido pelo seu trabalho sobre a narrativa épico-dramática e mascaramento contemporâneo.
Juliana Birchal
Mineira radicada em São Paulo, a atriz e palhaça tem sua pesquisa concentrada no teatro físico e no teatro de máscaras. Mestranda em Artes Cênicas pela ECA-USP, investiga os mascaramentos do Théâtre du Soleil, companhia internacional com quem realizou residência artística entre 2014 e 2016.
Em 2017, formou-se no curso de Formação Básica de Palhaço dos Doutores da Alegria (2017). No teatro, trabalhou com a Cia. Picnic (2019-2022), O Trem Cia. De Teatro (2020), Fernando Neves (2017), grupo Espanca! (2010) e Juliana Pautilla (2010). É licenciada em Teatro pela UFMG e formada pelo curso profissionalizante em teatro do CEFART/Palácio das Artes (2008-2010).
Ficha Técnica
Concepção e atuação: Juliana Birchal
Direção: Lenine Martins
Dramaturgia: Juliana Birchal e Lenine Martins
Consultoria dramatúrgica: Si Toji
Provocação Cênica: Jossane Ferraz
Trilha sonora: Javier Galindo
Consultoria musical (violino): VanilleGoovaerts
Iluminação: Lucas Pradino
Cenografia, figurino e adereços: Laura Françozo
Cenotecnia: Wanderley Wagner da Silva
Maquiagem: Thaís Coimbra
Produção: Juliana Birchal e Thaís Coimbra
Arte gráfica e identidade visual: Adriana Januário
Fotografia: Vitor Vieira
Serviço: Espetáculo Subterrânea: uma fábula grotesca
Data: 16, 17 e 18 de junho - sexta e sábado, às 20h; e domingo, às 19h
Local: Teatro de Bolso do Sesc Palladium
Endereço: R. Rio de Janeiro, 1046 - Centro, Belo Horizonte
Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia-entrada) (se levar 1 kg de alimento não perecível tem direito à meia)
Link para compra de ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/82408/d/192164/s/1295346
Classificação indicativa: 14 anos
Foto: Vitor Vieira
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