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Peça no Teatro Marília reflete sobre a ditadura militar no Brasil

O Teatro Marília recebe nos dias 15 e 16 de junho, sexta e sábado, às 20h, o espetáculo “O Deszerto”. Produzida pelo Coletivo Mulheres Míticas, a peça reflete sobre justiça e os ecos dos regimes ditatoriais que ainda permanecem na sociedade brasileira.

Inspirado no romance “El desierto”, do premiado autor chileno Carlos Franz, a montagem tem como tema a relação entre vítima e algoz. Na obra do Mulheres Míticas, Laura, uma ex-juíza latino-americana, regressa a uma cidade-oásis a fim de olhar para seu passado, recordando uma relação com um militar que a torturou e a amou durante o período ditatorial. Após perder o posto de juíza ainda na época do regime, Laura se exilou na Europa e só retornou ao deserto após ser questionada por sua filha, através de uma carta, sobre sua participação em todos os acontecimentos daquele período no qual sua mãe era a representante máxima da lei.

Em um presente em que tornaram-se corriqueiros, no Brasil, apelos pela volta da ditadura militar, o Mulheres Míticas reflete sobre os rastros desse período que ainda permanecem na sociedade. A abordagem que o coletivo realiza a partir da obra de Carlos Franz cria um diálogo com a realidade brasileira contemporânea e como esses vestígios do passado se revelam na atualidade. “De que forma essas imagens da ditadura portam em si o passado, e que futuro elas projetam? Quais são as possibilidades de reflexão que a arte pode promover perante tais imagens?”, questiona Felipe Cordeiro, que assina a dramaturgia da peça em parceria com Gabriela Figueiredo.

“É possível fazer justiça? Como defender a lei, quando ela deixa de ser justa? Contar essa história é, ao mesmo tempo, contar-nos a nós mesmos. O que Laura fazia enquanto aquelas coisas horríveis aconteciam? O que nós fazemos enquanto elas seguem acontecendo? Fazer este espetáculo foi uma das formas que encontramos para questionar nossas omissões, responsabilidades e limitações. Para assumirmos uma posição.”, coloca Figueiredo.

Mulheres Míticas

O grupo surgiu em 2014 a partir de pesquisas dos atores Felipe Cordeiro e Luísa Lagoeiro, no âmbito do Curso de Graduação em Teatro da UFMG. Esta investigação deu origem às peças “Clamour” e “E se Eva não tivesse dentes?”, dirigidas por Sara Rojo. A temporada de estreia aconteceu no evento Mulheres Míticas, realizado no Esquyna Espaço Coletivo Teatral, em Belo Horizonte, em dezembro de 2014. No ano de 2015, o já assumido grupo Mulheres Míticas reformulou suas obras cênicas para que juntas formassem um único espetáculo, composto por dois atos, denominado “Clamour + E se Eva não tivesse dentes?”. O coletivo tem como proposta a criação de espaços micro políticos de resistência, a partir dos quais vislumbra a pesquisa, o debate e a difusão de textos dramáticos e espetaculares de caráter político.

Foto: Raquel Carneiro

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