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O verdadeiro arraiá Pé de Serra

Na quinta edição de 2017, o mais tradicional projeto de forró de Belo Horizonte celebra vinte anos com a retomada de duas tradições que remontam à sua fundação.

Levantamento recente de uma publicação especializada demonstra que existem mais de trinta eventos de forró semanais na região metropolitana de Belo Horizonte. Porém, nenhum tem a longevidade e tradição do Sala de Reboco. Também poucos são os que investem em tamanha estrutura e qualidade de som, luz e variedade artística. Para alcançar o padrão dos eventos que ficaram famosos ao longo de centenas de apresentações com os melhores artistas do ritmo nordestino, nos reconhecidos encontros de forró do Lapa Multshow, é preciso ter muito mais do que investimento financeiro. É necessário ter uma história.

O Sala de Reboco manteve viva a cena forrozeira de Belo Horizonte, mesmo após o declínio do ritmo nas paradas de sucesso ao final dos anos 1990. Esse projeto é o sobrevivente de um período áureo na década anterior, em que se multiplicaram as casas dedicadas ao forró na cidade. Mas qual o segredo para se manter fiel ao gênero musical e com reconhecimento nacional por tantos anos?

Além do pioneirismo, muito respeito aos músicos e ao público, mas fundamentalmente a capacidade de se reinventar. Foi dessa maneira que o produtor Guilardo Veloso conseguiu levar o projeto adiante, enfrentando inúmeras crises econômicas na contramão da indústria musical de massa. É dessa maneira, sempre com novidades, que o Sala de Reboco chega à quinta edição de 2017, ano em que celebra duas décadas de existência.

Para o show do dia 17 de junho, o Sala de Reboco será novamente o foco de resistência e o porto seguro dos amantes do forró pé de serra. Mais uma vez promoverá sua Festa Junina somente com forró, do início ao fim. Nenhum outro ritmo, apenas os grupos de forró preservando a raiz musical da festa que conquistou o Brasil. Não vão faltar a sanfona, as comidas típicas e a decoração temática. E, para estimular o público a entrar na brincadeira, haverá uma promoção: quem vier fantasiado para participar da quadrilha, paga meia-entrada nos ingressos adquiridos na bilheteria do Music Hall na noite do evento.

Alguns podem questionar o ineditismo dessa próxima edição, pois é notável que este não será o único evento a investir na tradição junina na capital. Porém, as novidades não param por aí. O respeito e o carinho adquiridos dos artistas nacionais permitem ao projeto trazer mais uma novidade: o grupo Triângulo Caraíva retorna aos palcos de Belo Horizonte com a presença de Fred Eça, um de seus fundadores, que volta depois de dez anos afastado dos microfones – especialmente para celebrar o aniversário do Sala de Reboco. Participam ainda os integrantes da formação atual, Julinho Billy Joe (triângulo e voz), Leto (zabumba) e Júnior Ferreira (sanfona e voz).

Também há espaço para os talentos mineiros. Na mesma noite, sobe ao palco o Alcalyno. Comandado por Paulinho Motta (voz e violão), o grupo conta ainda com Théo Lustosa (sanfona e voz), Tulio Lustosa (triângulo e voz), Rafael Lima (zabumba e voz), Jonny Man (baixo e voz) e Tunico Villani (percussão). Eles fazem o “pão de queijo e forró”, com sucessos autorais e grandes hits do gênero. O evento tem ainda o DJ Flávio Bruno, que comanda as pick-ups que animarão a pista antes e depois dos dois shows, que prometem reavivar a memória e celebrar a vocação de Beagá para o forró pé de serra.

Foto: Luiza Campanelli

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