Notícias

CICLO MUTAÇÕES ENCERRA EDIÇÃO 2018, EM BELO HORIZONTE, COM JOSÉ MIGUEL WISNIK, EUGÊNIO BUCCI, OLGÁRIA MATOS E LUIZ ALBERTO OLIVEIRA NOS DIAS 11, 12, 14 E 15 DE JUNHO

Idealizado pelo filósofo Adauto Novaes, evento é realizado no BDMG Cultural, e discute “A outra margem da política”

No dia 11 de junho, o escritor, professor e músico José Miguel Wisnik fala sobre a “Terceira margem da política”. O autor destaca que, afora instituições e atividades formalmente codificadas como políticas, “vigoram relações de força em jogo permanente, que não se circunscrevem nem se explicitam, mas que estão disseminadas, difusas e implícitas nas linguagens em ato cotidiano”. Trata-se, segundo Wisnik, de relações políticas nas quais os domínios e as sujeições, as formas de exclusão, mas também de escapar à subjetivação dominante, não se localizam no enunciado, mas na enunciação; não no dito, mas nas formas do dizer. “Procuraremos sondar situações mais fluidas em que o embate político se manifesta no cotidiano de massa, muitas vezes sem dizer seu nome: a religião do capitalismo; o tratamento jornalístico da vida diária; as formas artísticas e para-artísticas; os cruzamentos entre ficção e realidade; e as relações entre fato e factoide, entre ativismo e arte”.

No dia 12 de junho, o jornalista e professor Eugênio Bucci aborda o tema “Uma defesa da verdade factual (entre a “pós-verdade” excêntrica e a democracia improvável”. Segundo Bucci, haveria, em nossa era, a prevalência do fato em detrimento do juízo de valor. “O fato se antecipa. O fato se anuncia. O fato se impõe. O fato cala. E, de fato, os discursos que vigoram trazem a marca de parecer terem sido emitidos diretamente a partir da evidência dos fatos – discursos, portanto, objetivos, uma vez que decorrentes da natureza mesma do objeto”, comenta, ao destacar que, hoje, dissolveu-se a faculdade de identificar fatos materiais e pensar a partir deles – ou contra eles. “Falta-nos compreender que a dimensão dos fatos objetivos, que, implicada no pensamento, não aprisiona, mas liberta o espírito. Falta ar. Donde passo à pergunta: se a tirania dos discursos que usurparam a condição de representar os fatos sufoca os espaços de liberdade, não será a indistinção entre fatos e opiniões – tão fácil de perceber e tão característica da nossa era de “pós-verdade” – o mal que asfixia a política, amofina a imprensa e oblitera a democracia?”, completa.

No dia 14 de junho, a filósofa Olgária Matos aborda o “Fim da história compartilhada – desamparo na ausência de mundo”. A pesquisadora lembra que, para analisar a modernidade, Walter Benjamin a caracteriza pelo predomínio da técnica e do fetichismo em suas relações com a sociedade e as guerras, de modo a entrever os desastres que uma civilização industrial em crise pode causar. “Hannah Arendt, por sua vez, anota: ‘De agora em diante, a morada da alma só pode ser construída com firmeza na sólida fundação do mais completo desespero.’ A esta mortificação, Arendt denominou ‘acosmismo’ (worldlessness), ausência de mundo, ao se referir a uma figura inédita da alienação que é perda do mundo comum, resultado da pleonexia da ciência e da técnica que, depois de 1945 e da bomba atômica, são capazes de destruição de todas as formas de vida”, comenta Olgária.

Na última conferência do Ciclo Mutações 2018 em Belo Horizonte, no dia 15 de junho, “Bem depois, mas logo ali”, o físico Luiz Alberto Oliveira, e, também, curador do Museu do Amanhã (RJ), ressalta que: “É assim cada vez mais indispensável debater os aspectos éticos, políticos e históricos desta transição autogerada para uma condição neo-humana”. Segundo Oliveira, em qualquer dimensão, seja social ou política, fisiológica ou cognitiva, os elementos que constituíam a condição humana estão, sem exceção, passando por transformações. Para ele, “no momento em que o Homem vislumbra a substituição de seu estatuto ontológico prévio – de ente Universal para agente Cósmico – seu desenvolvimento se precipita rumo a um ponto crítico”, e justifica: “os riscos de cenários de descalabro ambiental e da desigualdade intolerável, índices de um colapso temporário ou irreversível do sistema, apontam para duas possíveis formas de estabilização, dificilmente compatíveis: a horizontalidade democrática e a verticalidade totalitária. Esta disputa de valores determinará a constituição do Homo sapiens 2.0 hoje em gestação, e o destino de seu futuro astronômico”, conclui.

Sobre os conferencistas

José Miguel Wisnik

José Miguel Wisnik é livre-docente em Literatura Brasileira pela USP, escritor e músico. Escreveu os livros O som e o sentido – uma outra história da música, Sem receita – ensaios e canções e Veneno remédio – o futebol e o Brasil, além de ensaios para as coletâneas: Os sentidos da paixão, O olhar, Ética, Poetas que pensaram o mundo, Mutações: elogio à preguiça, Mutações: o futuro não é mais o que era e Mutações: fontes passionais da violência.

Eugênio Bucci

Graduado em direito, jornalista e doutor em ciências da comunicação, Eugênio Bucci foi editor da revista Teoria e debate e diretor de redação das revistas Set, Superinteressante e Quatro rodas. Diretor de redação da Editora Abril, foi colunista de O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil e Veja. Presidiu a Radiobrás de 2003 a 2007. Publicou: Sobre ética na imprensa e Do B. É, atualmente, professor do Instituto de Estudos Avançados da USP. Participou das seguintes coletâneas: Libertinos libertários, Civilização e barbárie, Muito além do espetáculo, Vida Vício Virtude,Mutações: a condição humana, Mutações: o novo espírito utópico, Mutações: fontes passionais da violência.

Olgária Matos

Doutora pela USP e pela École des Hautes Études, Olgária Matos é professora titular dos departamentos de filosofia da USP e da Unifesp. EscreveuRousseau: uma arqueologia da desigualdade, Os arcanos do inteiramente outro – a Escola de Frankfurt, a melancolia, a revolução, A Escola de Frankfurt – sombras e luzes do Iluminismo e Discretas esperanças: reflexões filosóficas sobre o mundo contemporâneo. Colaborou na edição brasileira de Passagens, de Walter Benjamin, e prefaciou Aufklârung na Metrópole – Paris e a Via Láctea. Participou das seguintes coletâneas: Mutações: ensaios sobre as novas configurações do mundo, Mutações: a experiência do pensamento, Mutações: elogio à preguiça (ganhador do Prêmio Jabuti em 2013), Mutações: o futuro não é mais o que era e Mutações: entre dois mundos.

Luis Alberto Oliveira

Luiz Alberto Oliveira é doutor em Cosmologia, pesquisador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (Icra-br) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (cbpf/mct), onde também atua como professor de História e Filosofia da Ciência, bem como no Escritório Oscar Niemeyer. É ainda curador do Museu do Amanhã. Participou das seguintes coletâneas: Tempo e história, A crise da razão, O avesso da liberdade, O homem-máquina, Ensaios sobre o medo, Mutações: ensaios sobre as novas configurações do mundo, Mutações: a condição humana, Mutações: a experiência do pensamento, Mutações: elogio à preguiça (ganhador do Prêmio Jabuti em 2013), Mutações: o futuro não é mais o que era, Mutações: fontes passionais da violência e Mutações: entre dois mundos.

O Ciclo

Os 15 conferencistas convidados para a edição 2018 do Ciclo Mutações – A outra margem da política são Marilena Chauí, Newton Bignotto, Oswaldo Giacóia, Franklin Leopoldo e Silva, Renato Janine Ribeiro, Pedro Duarte, Marcelo Jasmin, Renato Lessa, Vladimir Safatle, Maria Rita Kehl, Helton Adverse, José Miguel Wisnik, Eugênio Bucci, Olgária Matos e Luiz Alberto Oliveira. Idealizado pelo filósofo e jornalista Adauto Novaes, o Ciclo 2018 será realizado até 15 de junho.

“Mutações – A outra margem da política” é uma realização da Artepensamento, com patrocínio do BDMG Cultural, copatrocínio da Caixa Econômica Federal e apoio da APPA – Associação Pró-Cultura Promoção das Artes, em Belo Horizonte; da Embaixada da França e do Instituto Francês do Brasil, em Brasília; da Casa do Saber, em São Paulo; e do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e da Fundação Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Foto: Hermano Taruma

 

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.