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Projeto “Territórios de Invenção: Residências Musicais” promove troca de experiência artística em seis cidades mineiras

Titane, Makely Ka, Rafael Martini, Mathias Koole e outros grandes nomes da criação e da formação musical mineira compartilham, a partir de julho, processos de criação e performance com estudantes, artistas e público em geral

De julho a outubro deste ano, duos e trios formados por músicos experientes de Minas Gerais vão ocupar espaços convencionais de ensino de arte, como conservatórios e universidades, de seis cidades do estado para compartilhar práticas e processos de criação em música e performance com artistas e estudantes dessas localidades. Essa é a proposta da 2ª edição do projeto Territórios de Invenção: Residências Musicais, realizado pelaFundação de Educação Artística (FEA) e promovido pelo Programa Música Minas da Secretaria de Estado de Cultura.

O primeiro município a receber a iniciativa é Contagem, com a residência musical dos artistas de "O Grivo", no período de 9 a 19 de julho, no Espaço das Artes. As inscrições para esta etapa podem ser realizadas até 25 de junho. Cada cidade do projeto conta com prazo específico. Os candidatos se inscrevem, gratuitamente, por meio do preenchimento de ficha de inscrição online disponível nas mídias sociais do projeto (facebook:/residenciasmusicais e instagram: @residenciasmusicais). As vagas são limitadas.  

Além da região metropolitana, a iniciativa contempla os municípios de Varginha (30 de julho a 10 de agosto, com as residências de Joana Queiroz e Rafael Martini), Juiz de Fora (20 a 31 de agosto com Marina Cyrino e Matthias Koole), São João Del Rei (03 a 14 de setembro com Elise Pittenger e Fernando Rocha (Duo Qattus) | Felipe José), Araçuaí (17 a 28 de setembro com Titane e Makely Ka) e encerra em Araguari (15 a 26 de outubro comEdson Fernando e Ricardo Passos). O material criado, durante o tempo de convívio nas residências artísticas do projeto, será aberto ao público ao final de cada processo, em apresentações espontâneas, com formatos diversos: ensaios abertos, intervenções musicais ao ar livre, apresentações, concertos e instalações sonoras.

“A continuidade deste projeto, que teve sua primeira edição em 2016, fortalece a aproximação entre estudantes e artistas de várias partes do estado, construindo assim uma ampla rede criativa de experimentação e saberes musicais, em Minas”, explica uma das coordenadoras artísticas do projeto, a musicista e pesquisadora, Patrícia Bizzotto.  Com uma concepção original, com foco nas residências, Patrícia ressalta que objetivo é menos o resultado e mais o processo, que se dá a partir do deslocamento do artista para outra cidade, da imersão nas residências, do trabalho colaborativo com outros músicos, da multiplicidade de estilos, provocações e investigações. “Além de difundir a criação musical contemporânea mineira, o projeto vai provocar encontros, afetos e estímulos para a percepção e a invenção de linguagens e de espaços sonoro-musicais", acrescenta.

"O tema escolhido para esta edição é Paisagem Sonora Agora", explica a etnomusicóloga, Lúcia Campos, também coordenadora artística do "Territórios de Invenção". Segundo ela, as residências, que duram cerca de 10 dias, terão como ponto de partida as questões: Como a música engendra a percepção de cada território? Como as paisagens sonoras são construídas, mas também destruídas? Como é uma escuta moderna da natureza? O que é natural na escuta da cidade? Qual o reflexo do caos ambiental em nossas formas urbanas de escuta? “As residências têm um espaço-tempo intensivo e urgente de experimentação, de criação, através da prática musical e da escuta aberta e ativa sobre cada local, cada cidade, seus espaços, suas paisagens, seus habitantes, humanos e não-humanos, suas tensões e fricções. Ao mesmo tempo em que a experiência do deslocamento é motivo para a criação, as relações ali estabelecidas no agora, através do som, da música, inventam novos territórios possíveis”, explica Lúcia Campos.

Para o secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, a iniciativa constitui um dos pontos mais positivos do programa Música Minas. "As Residências enriquecem o Música Minas e provocam desdobramentos importantes em vários centros musicais do Estado", pontua o secretário, que também ressalta o fato das propostas ocuparem de uma forma diferente os espaços formais de ensino da música e espaços culturais públicos das cidades. "É uma conjugação extremamente produtiva do potencial dos conservatórios e escolas superiores com os estímulos inovadores da Fundação de Educação Artística", explica.

Com 55 anos completados em maio de 2018, a FEA é reconhecida nacionalmente por promover, estimular e difundir a música contemporânea em nível de prática, pesquisa e investigações de linguagens. Nesse sentido, a diretora da Fundação de Educação Artística, Berenice Menegale, considera que "Territórios de Invenção é um momento de estímulo para os músicos das 'cidades-residências',  um sopro de renovação,  oportunidade de contatos enriquecedores, ocasião para descobertas e um salto para o futuro da arte", diz.

CONTAGEM - Residência Musical “Som e Improvisação”

A primeira etapa do projeto Territórios de Invenção - Residências Musicais será realizada em Contagem (região metropolitana), entre os dias 09 e 19 de julho, na Secretaria Municipal de Cultural - Espaço das Artes. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 25 de junho por meio do preenchimento de ficha de inscrição online disponível nas mídias sociais do projeto

(facebook: /residenciasmusicais e instagram: @residenciasmusicais). As vagas são limitadas.

Os artistas selecionados para ministrar a primeira das seis residências musicais têm perfil singular quanto à natureza pretendida com o tema "Paisagem Sonora Agora". O Grivo, formado por Nelson Soares e Marcos Moreira, realiza desde 1990 pesquisas em torno da expansão do universo sonoro, inclusive com criação de máquinas e mecanismos sonoros, além de notabilizarem-se por trilhas realizadas para filmes e instalações artísticas.

A residência tem como proposta a criação e montagem de um repertório inicial de improvisações musicais. Através da investigação e procura por sons pouco convencionais, de pesquisas com amplificação e de transformações sonoras por meio de recursos eletrônicos, o trabalho busca formas de se fazer música a partir de regras de improvisação. Por meio da apreciação de alguns trabalhos musicais e audiovisuais (filmes, instalações, instalações sonoras, vídeos, etc), pretende também discutir a função e as diferentes formas de utilização do som concreto (sons de máquinas, objetos e de sons gravados nos mais diversos ambientes) na construção de um diálogo com a música improvisada. Todo o material será reunido e apresentado em um concerto/performance. O público-alvo são candidatos a partir de 18 anos, tendo ou não experiência artística.

FUNDAÇÃO DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

A Fundação de Educação Artística - FEA - é uma entidade sem fins lucrativos, de forte cunho social, com penetração em todas as classes sociais, que tem como objetivo contribuir - ali onde o Estado não atua suficientemente - para a democratização, o aprimoramento e a atualização do ensino das artes e, em particular, da música. Criada, em maio de 1963, por um grupo de artistas e intelectuais mineiros, apresentou-se, desde sempre, como um centro de experimentação, renovação e difusão artística de base cultural ampla.

No âmbito educacional, merece destaque o papel desempenhado pela FEA no processo de atualização do ensino musical, não só em Belo Horizonte, como também em diversos centros de formação do País. Por valorizar o intercâmbio entre as artes, a Fundação de Educação Artística mantém-se sempre aberta a novas ideias, experimentações, pesquisas e é, essencialmente, uma defensora contumaz da música de nosso tempo.

MÚSICA MINAS

A 1ª edição do projeto “Territórios de Invenção: Residências Musicais”, parte integrante do Música Minas, percorreu seis cidades ao longo de junho a novembro de 2016 e teve cerca de 180 participantes em todas as residências artísticas promovidas.O resultado de todo esse trabalho foi apresentado no dia 23 de maio de 2017, no Cine Humberto Mauro, com o lançamento do livro “Territórios de Invenção: por uma formação musical expandida”, publicação organizada pela pesquisadora Lúcia Campos, e a exibição do documentário “Territórios de Invenção”, produzido pelo cineasta Pedro Aspahan, que traz os encontros e os processos coletivos de composição realizados durante as residências.

Em 2017, o Música Minas, em seu escopo de intercâmbio e circulação musical, contemplou 56 propostas, e garantiu a circulação de 210 pessoas. Artistas mineiros levaram a música produzida em Minas Gerais aos cinco continentes do mundo. O Japão recebeu o duo Alexandre Andrés e Rafael Martini para o lançamento do álbum Hura. A Coréia do Sul foi o destino da artista Jennifer Souza, que apresentou canções de seu trabalho "Impossível Breve". O famoso festival de jazz de Montreux, na Suíça, por onde passaram grandes nomes da música, como Nina Simone, Ella Fitzgerald e Elis Regina, foi palco para o guitarrista de Ribeirão das Neves, Expedito Inácio Andrade. A banda ouro-pretana Seu Juvenal, que comemorou no ano passado 20 anos de estrada, excursionou pela primeira vez na Europa, tocando na República Tcheca, Polônia e Eslováquia. A Argentina deu voz à música produzida em Minas Gerais com uma série de apresentações do Araçá Quarteto de Choro, grupo de Poços de Caldas. O programa da Secretária de Estado de Cultura também foi responsável por levar o professor de violão Ricardo Novais a Guiné-Bissau, na África, para ensinar violão à crianças e adolescentes carentes. O convite partiu do “Projeto Educando”, escola que atende cerca de 150 pessoas na cidade de Gabu, região leste do país. Essas são apenas algumas das inúmeras propostas contempladas ao longo de 2017. Em 2015 e 2016 o edital viabilizou 111 projetos, promovendo a viagem de 349 integrantes da cadeia criativa e produtiva da música.

Foto: Pedro Aspahan

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