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Vinícius de Moraes é tema do projeto Letra em cena do dia 6/6

O projeto Letra em Cena. Como ler..., do Centro Cultural Minas Tênis Clube e curadoria do jornalista e escritor José Eduardo Gonçalves, apresenta Eucannã Ferraz analisando o poetinha Vinícius de Moraes (1913-1980). A sessão será no dia 6 de junho, às 19h, no Café Cultural do espaço. As inscrições podem ser feitas gratuitamente, no site da Sympla.

Vinícius, como é já lugar comum, se apresentava como “o branco mais preto do Brasil”, a partir dessa afirmação já se pode notar uma forte característica de sua poesia. Vinícius, como poucos, conseguiu unir o erudito e o popular, o clássico e o moderno, o tradicional com o inovador. Talvez até por este motivo tornou-se um poeta tão popular.

Advogado, diplomata, compositor, poeta, dramaturgo e cantor. Vinícius tinha um interesse grande por tudo que dizia respeito ao humano e suas manifestações artísticas. Estudou cinema, tornou-se amigo de Orson Welles quando foi diplomata do Brasil em Los Angeles. Foi o primeiro artista a entrar, com profundidade, nas canções com temas de matrizes africanas, por meio de seu encontro com Baden Powell, no disco de 1966, Afro Sambas. Importante lembrar que foi Vinícius quem primeiro escreveu as canções da Bossa Nova, juntamente com João Gilberto e Tom Jobim.

Foi Vinícius que mostrou, de forma mais enfática, a mistura de raças e classes que compõem o Brasil. Ao trazer a tragédia de Orfeu e Eurídice, na peça “Orfeu da Conceição”, para o morro carioca com atores negros sendo protagonistas e pisando, pela primeira vez, no palco do Teatro Municipal, em 1956, com cenário de Oscar Niemeyer, canções dele, Vinícius, em parceria com Tom Jobim. Vinícius também se apresentava nas famosas boates de Copacabana o musical “Pobre Menina Rica”, com Nara Leão e Carlos Lyra, mostrando que o amor não tem cor, não tem dinheiro e não tem classe social.

A poesia de Vinícius, inicialmente, tinha em seu cerne um hermetismo e uma sombra trazidos de sua educação católica e rígida, o Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas. O Poetinha também foi batizado na maçonaria a pedido de seu avô. Quando entrou para faculdade começou a ficar mais livre passando a frequentar a Lapa e a periferia do Rio, conhecendo um mundo muito diferente do que habitava. Vinícius abriu os olhos para um outro mundo, fato que afetou muito a sua poesia. Tinha uma vida quase ambígua, de sobriedade de dia, e de devaneios noturnos.

A busca pelo amor também é um fato marcante na vida e na obra de Vinícius. O artista casou-se nove vezes e morreu procurando o amor. Os depoimentos de seus amigos no documentário “Vinícius”, de Miguel Faria Jr., deixam claro que o poeta vivia no ápice da vida. Era necessário para Vinícius o arrebatamento, por isso a busca incessante pelo amor e, devido à essa procura, o público foi presentado com tanta poesia, música, sensibilidade e beleza.

 

Sobre o Letra em Cena

O projeto Letra em Cena. Como ler… é uma ação do Centro Cultural Minas Tênis Clube com o escritor, jornalista e curador José Eduardo Gonçalves, que tem como objetivo levar grandes clássicos da literatura nacional, de forma fácil e leve, para o grande público. Nos encontros, que em 2017 serão oito, há uma análise da obra feita por um especialista no autor contemplado e a leitura dos textos por um ator da cena mineira.

Foto: Divulgação

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