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Última semana do espetáculo “Gritos” tem debate e sessão extra

Após quase um mês em temporada no Centro Cultural Banco do Brasil, a Cia. Dos à Deux despede-se de Belo Horizonte. Para celebrar o sucesso do espetáculo Gritos (em cartaz até 12 de junho) a companhia realiza no próximo dia 10 o bate-papo “A utopia da pesquisa” - gratuito e aberto ao público, respeitando a lotação do espaço, logo após a peça, às 21h35. Já no dia 11 de junho haverá uma sessão extra, às 16 horas, com verba destinada à ONG TransVest.

 

Conduzido pelos diretores e atores de Gritos, André Curti e Artur Luanda, o bate-papo vai abordar o processo de montagem da peça. De acordo com eles, o nome “utopia da pesquisa” remete à procura do desconhecido. “É seguir o seu próprio caminho e ir ao âmago do que impele, de maneira intensa e urgente, a se expressar, a sair de si mesmo. Resistir e continuar a criar sem descanso. Criar fora das referências e dos modelos e se arriscar. Mergulhar na poesia e fazer surgir o sentido. Resistir e se dar o tempo indispensável de explorar. Retomar e recomeçar para se chegar a esse desconhecido que se revela, pouco a pouco, ao fio dos meandros e improvisos”, explicam.

 

Como o bate-papo acontece depois do espetáculo é importante frisar que ele é gratuito e aberto a todos, ou seja, não é restrito apenas a quem acompanhou a sessão do dia. Para participar, o interessado deverá apenas chegar ao local com antecedência. Para quem quiser participar somente  da conversa, o CCBB informa que, após às 21 horas, o acesso ao teatro se dará exclusivamente pela portaria da Rua Cláudio Manoel. Entada sujeita a lotação do espaço.

 

No dia 11 de junho (domingo), além da apresentação tradicional às 20 horas, haverá uma sessão extra às 16 horas. A verba arrecadada nessa bilheteria será revertida para a ONG TransVest que objetiva combater a transfobia e incluir travestis, transexuais e transgêneros na sociedade. Para quem também deseja contribuir com o trabalho, a TransVest receberá na sessão doação de 1 Kg de alimento não perecível (exceto sal e fubá) para travestis e transexuais que estudam na Ong.

 

A Peça

 

Em um ambiente onírico, três histórias abordam temas ásperos como o racismo, a homofobia, o menosprezo por pessoas consideradas invisíveis. Mas há também espaço para o amor, seja como alento ou reivindicação. Esse é o fio condutor do espetáculo Gritos, que sem uma única palavra, apresenta um forte posicionamento sobre assuntos urgentes em nossa sociedade.

 

Com dramaturgia, direção e atuação de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, que trabalham há anos com teatro gestual, a nova montagem nasce da reunião de três poemas ou Gritos metafóricos: “Louise”, “O homem” e ”Amor em tempos de guerra”.

O primeiro conta a história de Louise, uma mulher que nasceu num corpo de homem. Esse é o momento em que masculino e feminino habitam o mesmo universo, sendo um o fantasma do outro. Quatro pernas, duas cabeças e um grande jogo de ilusão contribuem para o turbilhão carregado de intolerância. Vivendo ignorada e invisível pela sociedade também está a mãe de Louise, uma senhora de idade e doente que dependente do filho (a) para viver.

Já o segundo poema conta a história do homem que perdeu a cabeça. Um muro metafórico os divide. A cabeça de um lado, dentro de uma gaiola, o corpo do outro. Uma barreira entre o real e o fictício onde a encenação mantém-se no âmbito do sonho e do absurdo.

“Amor em tempos de guerra”, o último poema, tem uma atmosfera surrealista. Uma mulher vestida de negro surge revelando sua beleza e seus gestos lentos. Em meio a guerra, uma dança de amor misteriosa começa, revelando a trajetória e a luta de uma mulher do extremo oriente na sua existência.

Gritos está em cartaz no CCBB até o dia 12 de junho com sessões de sexta à segunda, às 20 horas, . Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e estão à venda no site www.eventim.com.br. Mais informações: www.bb.com.br/cultura. O espetáculo é patrocinado pelo Banco do Brasil.

A concepção

Os fundadores da companhia Dos à Deux, Andre Curti e Artur Luanda Ribeiro, experimentam em Gritos, a transformação de seus próprios corpos em bonecos de proporções humanas, como se estivessem refletidos no espelho. Com colaboração da marionetista russa Natacha Belova (responsável também pelos bonecos do espetáculo Irmãos de sangue, vencedor de dois prêmios Shell) e do brasileiro Bruno Dante, os diretores tiveram partes dos seus corpos –cabeça, mãos, pés e braços – esculpidos com gesso e depois trabalhados em diferentes materiais.

“Essa pesquisa, na fronteira entre artes plásticas, formas animadas, teatro e dança, nos fez ter uma nova sensação gestual que, até então, não havíamos experimentado. Um gestual potente, complexo e contido”, explica Artur Luanda.

“Ao longo da criação, na pesquisa de formas animadas, nós fomos dando vida ao invisível dos corpos, aos poucos. Como se a vida tivesse arrancado um pedaço desses personagens, nos obrigando a dar poesia e intenção a objetos que se tornaram corpos, e corpos que se tornaram objetos”, complementa André Curti.

Cenografia

A cenografia de Gritos é uma instalação plástica composta por estruturas de colchões de mola, que vão se transformando em objetos insólitos ao longo da peça. Em alguns momentos, os colchões formam labirintos de onde os personagens procuram uma saída. Em outros, um quarto para um encontro amoroso. Na pesquisa da Cia. Dos à Deux, a cenografia é mutável, com arquitetura servindo organicamente à dramaturgia – à qual, assim como nas criações anteriores, a luz se funde, sublinhando os espaços cenográficos criados pela dupla.

De acordo com Artur Luanda, trabalhar a luz como um personagem sempre fez parte da pesquisa do grupo.  “Nosso universo é construído pensando num todo: luz, cenário, bonecos e dramaturgia caminham juntos”, reafirma André Curti. 

Desde sua estreia em circuito nacional, em 2016, a cenografia de Gritos já foi premiada pelo 29º Prêmio Shell de Teatro na categoria cenário e pela 4ª Edição do Prêmio Cesgranrio de Teatro. Neste último foi agraciado também na categoria iluminação.

Premiações

O espetáculo Gritos foi indicado e agraciado pelas principais premiações de artes cênicas no país. São elas:

29ª Edição do Prêmio Shell de Teatro (2 indicações): Direção e Cenário (André Curti e Artur Luanda Ribeiro). Espetáculo vencedor na categoria Cenário.

4ª Edição do Prêmio Cesgranrio de Teatro (4 indicações): Melhor Diretor, Melhor Espetáculo, Melhor Cenografia (André Curti e Artur Luanda Ribeiro) e Melhor Iluminação (Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier). Espetáculo vencedor nas categorias Iluminação e Cenografia.

11ª Edição do Prêmio APTR (4 indicações): Melhor Espetáculo e Melhor Direção (André Curti e Artur Luanda Ribeiro), Iluminação (Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier) e Música (Beto Lemos, Fernando Mota e Marcelo H). Peça vencedora nas categorias de Iluminação, Direção e Espetáculo.

5º Prêmio Botequim Cultural (8 indicações): Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Ator, Autor, Cenografia e Categoria Especial (André Curti e Artur Luanda Ribeiro); Iluminação (Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier) e Direção Musical (Beto Lemos).

Cia. Dos à Deux

Artur Luanda Ribeiro (diretor, cenógrafo, iluminador e intérprete) e André Curti (diretor, coreógrafo e intérprete) se conheceram durante um festival em Paris, em 1997, e decidiram começar juntos uma pesquisa teatral e coreográfica, tendo como inspiração a obra Esperando Godot, de Samuel Beckett. Um ano mais tarde, em 1998, nascia o primeiro trabalho, Dos à Deux, espetáculo que deu nome à companhia.

Depois de mais de duas décadas morando na França, a Cia. Dos à Deux passou a ter também uma sede no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, onde reformou um cortiço construído em 1846, no bairro da Glória.

A Cia Dos à Deux já percorreu cerca de 50 países, somando mais de 1.500 apresentações por toda a Europa, África Central, Ásia, Polinésia Francesa, Emirados Árabes e América do Sul. O repertório é formado por: Dos à Deux (1998),Aux pieds de la lettre (2002), Saudade em terras d’água (2006), Fragmentos do desejo (2009), Ausência (solo com Luís Melo, de 2012), Dos à Deux 2º ato (2015) e Irmãos de sangue (2013).

O espetáculo Irmãos de sangue foi indicado ao Prêmio Shell 2014 em quatro categorias (Ator, Direção, Cenário e Iluminação) – sendo vencedor nas categorias “Melhor Cenário” e “Melhor Ator”, este dividido entre Curti e Ribeiro.  Também foi indicado aos prêmios APTR (Espetáculo) e Cesgranrio de Teatro 2014 em quatro categorias (Espetáculo, Direção, Cenografia e Iluminação). No Prêmio CENYM, a produção recebeu três indicações (Ator, para Artur Luanda Ribeiro, Companhia de Teatro para Cia. Dos à Deux e Elenco).

Foto: Renato Mangolin

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